Dia Internacional reforça legado de liberdade e humanidade do jazz

CulturaDia Internacional reforça legado de liberdade e humanidade do jazz

Este 30 de abril é o Dia Internacional do Jazz, uma data usada para conscientizar a comunidade internacional sobre as virtudes deste estilo musical como uma força para a paz, unidade, diálogo e o fortalecimento da cooperação entre os povos.

Muitos governos, organizações da sociedade civil, instituições de ensino e cidadãos aproveitam a data para a promoção da música jazz.

“Jazz significa liberdade”

O pianista Sullivan Fortner, conversou com Edouard de Bray, da ONU News, no clube de jazz Village Vanguard, em Nova Iorque, sobre como esse tipo de música desafia a segregação racial, promove igualdade e fomenta a compreensão cultural

Vencedor de três prêmios Grammy, Fortner disse que “Jazz significa liberdade. Jazz significa a América. Significa humanidade. Significa amor”.

Para ele, “enquanto os artistas continuarem a criá-lo, ele será sempre relevante para os tempos em que vivemos”.

Notícias da ONU/Hisae Kawamori
Músico de jazz Sullivan Fortner, três vezes vencedor do prêmio Emmy

Uma linguagem universal

O Village Vanguard, no sul da ilha de Manhattan, se autointitula o clube de jazz mais antigo do mundo em funcionamento contínuo e constitui uma representação autêntica da poderosa herança dessa forma de arte.

A dona do local, Deborah Gordon, contou que costumava receber todo tipo de artistas, de poetas a dançarinos e cantores de folk, e servia como uma “plataforma para apresentar todos os tipos de eventos culturais e políticos”.

Em 1957, o clube decidiu que o jazz era a melhor maneira de oferecer essa plataforma, e este se tornou o estilo exclusivo no palco.

Fortner ressaltou que “o jazz vai além das notas e dos ritmos. É linguagem. É a maneira como as pessoas falam. É a maneira como as pessoas fazem gestos umas para as outras”.

Esperança e anseio pela liberdade

Em conversa com Evgeniya Kleshcheva, da ONU News, a empreendedora cultural Maria Semushkina disse que esse estilo continua sendo uma ferramenta importante para o progresso social. 

Ela, que é fundadora de um grande festival de jazz, o Usadba Jazz, disse que as raízes desse tipo de música residem nos ritmos e canções das pessoas que trabalhavam nas plantações da Louisiana, para as quais a música se tornou uma forma de expressar dor, esperança e o anseio pela liberdade.

Segundo ela, o jazz desenvolveu-se paralelamente a grandes processos sociais e políticos, incluindo a segregação racial nos Estados Unidos, época em que músicos negros não tinham permissão para se apresentar nos mesmos palcos que os artistas brancos. 

© Courtesy of Maria Semushkina
Maria Semushkina e Soweto Kinch (do Reino Unido), no Usadba Jazz, em 2019

Improvisação

No entanto, o jazz tornou-se um dos primeiros espaços culturais onde tais barreiras começaram a ser rompidas.

A empreendedora afirma que hoje, o jazz ecoa muito além das salas de concerto como uma linguagem universal capaz de unir as pessoas, mesmo em meio a conflitos e divisões políticas. 

Semushkina ressalta que a improvisação, uma característica definidora do jazz, exige tanto liberdade quanto um profundo entendimento mútuo entre os músicos. Isso faz do jazz uma metáfora para o diálogo e, de modo mais amplo, um modelo de sociedade em que diferentes vozes podem coexistir e interagir.

Fonte: veja.abril

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