
A participação de influenciadores no Rio Fashion Week, que acabou no sábado, 18, deu o que falar. Como tem ocorrido em alguns setores que convidam pessoas oriundas das redes sociais, pelo engajamento e fama li conquistado, dois deles viraram alvo de críticas após dançarem na passarela durante um desfile. A atitude de Geovanna Alencar e Arthur Lira, vista como tentativa de viralização, dividiu opiniões e levantou questionamentos sobre os limites entre entretenimento e a proposta artística dos eventos de moda.
Antes de mais nada, é bom frisar. Essa quebra de rigor no “carão” já estava prevista pela própria marca BlueMan. Nas redes sociais (veja vídeo mais abaixo), eles mesmos mostraram os ensaios no backstage, momentos antes de desfilarem. Houve ainda quem levantasse a desvalorização de modelos, reacendendo o debate sobre o espaço midiático de influencers – agora também em desfiles, o que comprometeria a credibilidade das passarelas antes frequentadas por Gisele Bundchen, Naomi Campbell e afins.
Mas tudo tem seu “porém”. Se por um lado esses nomes ampliam o alcance das marcas e dialogam diretamente com um público engajado nas redes, por outro levantam críticas quanto à substituição de modelos profissionais por figuras cuja notoriedade está mais ligada à popularidade do que à técnica ou à experiência no universo fashion. Essa movimentação expõe uma mudança estrutural no setor, em que o capital simbólico das redes sociais passa a competir com a tradição e a formação, gerando questionamentos sobre até que ponto a moda está se democratizando ou apenas se rendendo à lógica do engajamento e da visibilidade imediata.
Há algo errado na presença deles? Não. Até porque as próprias marcas se utilizam dos influenciadores (e sua gama de seguidores nas redes) para levar ao consumidor final sua proposta. Basta uma rápida pesquisa no feed do Instagram para ver o quanto há de presença de marcas em videozinhos bobos e dançantes de quem está ali apenas para isso: chamar atenção. Levá-los à passarela quebra a “quarta parede” do iphone. Por isso a estranheza. Mas não há marca hoje que não queira esse tipo de engajamento.
Os influenciadores estão em todos os lados – e a moda não escaparia ilesa dessa “contaminação” digital. Mais até que isso, foi a moda o campo que mais rapidamente os absorveu. Não venham, portanto, com gritos agora. A dancinha feita na passarela não fere os princípios desse setor “moda”, pelo contrário. Ao invés disso, coloca a grife em contato direto com o tipo de comunicação que os originou. No fim, tudo viraliza. Até a reclamação dos radicais e puristas que fingem não ser impactados pelos influenciadores. Melhor aceitá-los como sintoma dos tempos atuais e percebê-los com olhar crítico, do que fazer birra e fingir que não dá a eles “like” às escondidas.
Fonte: veja.abril
