Unicef divulga pesquisa sobre consumo de …

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Um novo estudo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) revela que, em comunidades urbanas brasileiras, alimentos ultraprocessados são frequentemente associados à ideia de “infância feliz” e conquista social, mesmo diante da preocupação declarada das famílias com a saúde das crianças. A pesquisa ainda mostra que a rotulagem nutricional frontal — implementada no Brasil desde 2022 — é pouco compreendida e raramente considerada nas decisões de compra.

O levantamento “Ultraprocessados e Infância: Barreiras e Caminhos para Hábitos Saudáveis em Comunidades Urbanas”, realizado com apoio da Novo Nordisk, investigou os fatores culturais, sociais e estruturais que influenciam a alimentação e a prática de atividade física na primeira infância em três comunidades urbanas de diferentes regiões do país: Pavuna (Rio de Janeiro/RJ), Ibura (Recife/PE) e Guamá (Belém/PA).

Os dados mostram que o consumo de ultraprocessados está amplamente presente no cotidiano de meninas e meninos, com os lanches se destacando como a refeição de maior exposição: 50% das crianças consumiram esses produtos no dia anterior à pesquisa, em comparação a 27% no café da manhã e 13% no almoço e no jantar. O estudo indica que 55% dos entrevistados nunca olham o rótulo, informando alta presença de açúcar, gordura ou calorias. E, muitas vezes, essa escolha é feita com a compreensão de que esses produtos são bons para saúde. Entre os exemplos, 52% dos entrevistados consideraram saudável o iogurte com sabor e 49% os nuggets, se preparados na fritadeira elétrica (“air fryer”).

A maioria dos entrevistados (84%) considerou-se muito preocupada em manter uma alimentação saudável para sua família. Mas a pesquisa indica que o padrão de consumo é influenciado também por fatores como a percepção de preço dos alimentos e a sobrecarga materna, se inserindo em um cenário preocupante de saúde pública. A obesidade já é a forma mais prevalente de má nutrição entre crianças e adolescentes no Brasil. Em 2023, 13,5% das crianças de 0 a 5 anos apresentavam excesso de peso, percentual que chega a 31,2% entre adolescentes, segundo o Ministério da Saúde.

Atividade física

O estudo aponta amplo reconhecimento sobre a importância da atividade física para as crianças. Dos entrevistados, 89% concordaram que sua prática reduz riscos de problemas de saúde. No entanto, embora 57% identifiquem espaços disponíveis nas proximidades, questões como falta de manutenção, iluminação precária e violência surgem como barreiras ao uso. Ainda assim, os entrevistados afirmam que as crianças utilizam as áreas dos bairros para brincar, geralmente sem rotina ou horário fixo.

Iniciativas comunitárias e o apoio da vizinhança são citados como fatores fundamentais para viabilizar a prática de atividade física na primeira infância, seja por meio de projetos sociais ou redes locais que criam oportunidades e garantem segurança para o brincar. O estudo também aponta questões de gênero como um obstáculo desde a infância, com meninas mais associadas a brincadeiras sedentárias, como boneca ou conversa, além da sobrecarga doméstica que também impacta a disponibilidade à medida que crescem.

Fonte: antena1

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