Além da violência e da ditadura: Carla Camurati propõe um novo olhar para o cinema nacional

NotíciasAlém da violência e da ditadura: Carla Camurati propõe um novo olhar...

Ler o resumo da matéria

O cinema brasileiro vive um momento de destaque, com obras como “Ainda Estou Aqui” e “Agente Secreto” recebendo reconhecimento global.
Carla Camurati, diretora e produtora, critica a dependência de prêmios como o Oscar, ressaltando que a qualidade do conteúdo deve ser a prioridade.
Ela alerta para a monotonia nas produções nacionais, que frequentemente abordam temas repetitivos e violentos, e defende a liberdade criativa como essencial para o crescimento do cinema.
Camurati também destaca a importância do espaço feminino na indústria, reconhecendo avanços, mas afirmando que ainda há muito a ser feito.
Seu novo filme, “Raízes do Sagrado Feminino”, que estreia em 23 de abril, explora a relação entre religiões e mulheres, abordando questões como o feminicídio.
A diretora optou por não aparecer nas entrevistas do filme, dando voz a especialistas e líderes religiosos para enriquecer a narrativa.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Não há dúvida de que o cinema brasileiro atravessa um dos momentos mais exuberantes de sua história. Por dois anos seguidos, Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto colocaram o país no centro da conversa global, com a conquista de prêmios em festivais como Cannes, Veneza e Berlim, além do Oscar de melhor filme internacional para o longa de Walter Salles.
Para a diretora, roteirista e produtora carioca Carla Camurati, esses reconhecimentos são, sim, relevantes, mas não podem se transformar em critério automático para orientar a produção nacional. “Só a diversidade de conteúdo vai nos fazer crescer”, diz, em entrevista ao NeoFeed.
“Existe uma repetição de assunto: a violência está impressa em 70% de tudo o que temos produzido por aqui. E isso é muito ruim: quanto mais violência você exibe, mais ela se multiplica e mais influencia”, complementa.
Embora em menor grau do que no passado, temas como ditadura, repressão policial e tensões sociais continuam a ser como uma espécie de passaporte para os filmes brasileiros para o exterior — um padrão que acaba moldando tanto a escolha dos investidores quanto a preferência dos espectadores.
“Acho o Oscar maravilhoso, mas sou muito crítica”, afirma. “Trata-se de um prêmio americano, feito para os americanos, que só agora começou a dar espaço para produções internacionais em categorias como melhor ator, diretor e filme. É muito bom estar lá, mas precisamos valorizar o nosso espaço aqui no Brasil.”
A questão, segundo a cineasta, é de preservação da liberdade artística – o que, com a entrada dos grandes estúdios no jogo, pode ficar comprometido: “Existe uma desorganização no foco do que é efetivamente essencial para as produções nacionais e isso é o conteúdo”.
Essa dispersão é natural em uma indústria ainda em evolução, mas não deve se cristalizar como característica. Em sua avaliação, se o cinema não se reinventar e ampliar seus temas, o Brasil corre o risco de enfrentar um hiato, um esvaziamento não apenas em sua capacidade criativa como em sua relevância. “Nós estamos cheios de jovens diretores interessantes, só precisamos abrir a cabeça”, diz ela.
Camurati fala com a autoridade de uma das vozes centrais da retomada do cinema nacional em meados dos anos 1990, após a terra arrasada deixada pelo governo de Fernando Collor de Mello.
Lançado em 1995, Carlota Joaquina, Princesa do Brazil mostrou que era possível voltar a produzir, distribuir e, sobretudo, atrair público: cerca de 1,5 milhão de brasileiros foram aos cinemas – um número modesto diante, por exemplo, dos mais de 6 milhões de Ainda Estou Aqui, mas expressivo para a época.

O novo documentário investiga como as escrituras das cinco maiores religiões do mundo moldaram o lugar da mulher na sociedade (Foto: Divulgação)

“Carlota Joaquina, Princesa do Brazil”, o primeiro longa de Camurati, é um marco na retomada do cinema brasileiro dos anos 1990 (Foto: Divulgação)

Mistura de sátira histórica e humor ácido, o longa estrelado por Marieta Severo circulou por 40 festivais internacionais e ajudou a recolocar o Brasil no mapa, abrindo caminho para títulos como O Quatrilho, O Que É Isso, Companheiro? e Central do Brasil — e, mais tarde, para Cidade de Deus, até desembocar no sucesso atual.
“Muita atenção ao que está sendo dito”
Pouco mais de três décadas depois, aos 65 anos, a diretora se prepara para lançar em 23 de abril, em São Paulo, seu sétimo longa — o documentário Raízes do Sagrado Feminino, que levou nove anos para ser produzido e investiga como as escrituras das cinco maiores religiões do mundo moldaram (e ainda moldam) o lugar da mulher na sociedade.
O filme percorre séculos até chegar ao presente para revelar como narrativas tidas como divinas foram convertidas em estruturas culturais, sociais e políticas que legitimam silenciamentos, submissões e exclusões.
“O que me levou a fazer esse filme não foi o meu encantamento com as religiões — que existe —, mas sim os feminicídios, que em 2017 já eram graves e só cresceram desde então”, conta, reforçando a distinção entre religião e fé. “Poder ver as coisas com um olhar mais crítico, mais contemporâneo, não representa um ataque à fé. E foi isso que tentei fazer.”
Camurati entrevistou especialistas, pesquisadores e líderes religiosos, como a monja Cohen, o rabino Nilton Bonder, a historiadora Mary Del Priore e a freira Ivone Gebara, entre outros. A diretora optou por não aparecer em cena, dando protagonismo a quem entende efetivamente do assunto.
“Para mim, o delicado nesse filme foi efetivamente armar esse quebra-cabeça, sem ter um interlocutor direto, apenas com algumas narrações que conectam os personagens”, explica. “Eu quero mesmo é que todo mundo preste atenção ao que está sendo dito.”
A carreira da cineasta começou na frente das câmeras. Por muito tempo, ela foi atriz premiada no cinema e na televisão. A estreia como diretora aconteceu em 1987, com o curta A mulher fatal encontra o homem ideal. Seis anos depois, fundou a produtora Copacabana e, desde então, nunca mais voltou aos holofotes. Fora do cinema, Camurati também se dedica à direção de óperas, outra de suas paixões.

Fonte: Neofeed

Novidades

Google dá dicas para evitar os 5 golpes …

O Google divulgou nesta segunda-feira (7) o artigo “O que andamos vendo sobre fraudes e golpes”. O texto, assinado por Karen Courington, vice-presidente de...

Kaia Gerber e NARS estão entrando em um novo capítulo de beleza

Beauty acaba de encontrar sua nova protagonista. Kaia Gerber foi oficialmente nomeada embaixadora global da marca NARS, marcando um momento importante para a icônica...

Brasil retoma amanhã exigência de visto para …

O Brasil deve retomar a exigência de visto para turistas dos Estados Unidos, do Canadá e da Austrália entrarem no país.A medida já foi...