Eucatex vai à Justiça dos EUA e cobra reembolso de US$ 6 milhões por tarifaço de Trump

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Impactada pelo tarifaço de Donald Trump, a Eucatex entrou com uma ação na Justiça americana para reembolso de US$ 6 milhões pagos devido ao aumento das tarifas de importação.
Em 2025, a empresa teve receita líquida de R$ 3,1 bilhões, com 25% do faturamento vindo do exterior, sendo 75% desse total dos EUA.
Após a taxação de 50% em agosto, a tarifa foi reduzida para 10% em fevereiro, permitindo à Eucatex recuperar parte do volume de vendas. A empresa conseguiu repassar parte do custo do tarifaço aos varejistas, aumentando preços entre 5% e 10%.
Apesar do impacto, o lucro líquido cresceu 54,7%, totalizando R$ 340,3 milhões. Para 2026, a Eucatex planeja investir R$ 498 milhões em modernização e expansão.
A dívida líquida aumentou 1,4%, e as ações da empresa valorizaram 56,6% em 12 meses, com avaliação de R$ 1,8 bilhão.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Impactada diretamente pelo tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a companhia brasileira Eucatex decidiu ir à Justiça americana cobrar reembolso de US$ 6 milhões, que foram pagos desde que a Casa Branca adotou o novo patamar nas tarifas de importação.
A companhia, que alcançou em 2025 receita líquida de R$ 3,1 bilhões (alta de 8,6% sobre o ano anterior), tem hoje cerca de 25% do faturamento oriundo do mercado exterior. E, dessa faixa, 75% vêm dos Estados Unidos, especialmente com a venda de painéis de madeira.
A questão é que, no caso do setor de madeira, onde atua a companhia, o Brasil foi taxado em 50% em agosto. Somente em fevereiro deste ano é que o governo americano tirou os 40% adicionais e fixou a taxa em 10%, o que reduziu o impacto.
“O mercado dos Estados Unidos é muito importante para a Eucatex. Então, diminuímos nossas margens e assumimos os custos dessas tarifas. No primeiro momento, foi um grande impacto para a empresa”, diz José Antônio Goulart de Carvalho, vice-presidente-executivo da Eucatex, em entrevista ao NeoFeed.
Logo após a implementação da taxa do Trump, a companhia diminuiu um pouco o volume, sem que isso representasse algum risco de desabastecimento. Na prática, a Eucatex chegou a redirecionar parte para outros mercados, principalmente América Central e América do Sul. Agora, o volume já começa a crescer, no ritmo que estava antes da nova cobrança.
A companhia tem hoje uma subsidiária nos Estados Unidos, mas que, na prática, é somente responsável pela distribuição, logística e comercialização dos produtos. Toda a fabricação que chega no mercado americano sai das fábricas brasileiras.
“Nunca passou pela nossa cabeça não abastecer o consumidor dos Estados Unidos. Para nós, o mercado americano é uma conquista. A empresa é conhecida e abastece a prateleira dos grandes magazines por lá”, afirma Carvalho.
“E agora, como as tarifas foram consideradas ilegais pela corte americana, agora têm que ser devolvidas. Já entramos com a solicitação para a devolução. Esperamos agora essa margem que foi para pagar essas taxas”, acrescenta o vice-presidente.
Isso explica um pouco a desaceleração da empresa no quarto trimestre, apesar do crescimento da receita no acumulado de 2025. A tendência, agora, é de avançar de forma expressiva no primeiro trimestre deste ano, a partir do novo cenário do tarifaço, em que todos os países foram taxados em 10%.
“Agora que estamos em igualdade de condições, sem uma penalização individualizada, isso muda. Hoje temos uma condição melhor, em termos de competitividade”, afirma.
O que minimizou um pouco o alto custo por causa da medida de Trump foi que a Eucatex conseguiu repassar um pouco do tarifaço na conta final para os varejistas, aumentando os preços entre 5% e 10%. Desta forma, a tendência é de manutenção destes preços, sem o cenário de tarifa excessiva.
Mesmo com esse impacto, a companhia fundada pela família Maluf fechou o ano com um aumento de 54,7% no lucro líquido. Em 2025, a Eucatex alcançou R$ 340,3 milhões, contra R$ 220 milhões de lucros registrados em 2024.
Segundo o executivo, o resultado foi alcançado a partir de um cenário de diversificação no mix de produtos, ampliação de mercados no exterior, e de uma política mais conservadora nos custos da empresa. A queda na cotação do dólar, durante todo o dia, também contribui para isso.
“Conseguimos otimizar mais as máquinas de nossas fábricas, com a criação de novas linhas, agregando valor no faturamento e na rentabilidade. Avançamos em mais linhas de acabamento, com melhor resultado”, diz o executivo da Eucatex.
O custo também caiu, porque muitos dos insumos utilizados nas unidades são precificados em dólar. A moeda americana, que chegou a bater R$ 6,20, fechou o ano perto de R$ 5,50. “O fato de o dólar ter recuado nos ajudou em custos.”
Para 2026, a companhia planeja um volume de investimentos da ordem de R$ 498 milhões, quase 30% acima dos R$ 410,8 milhões empregados em 2025. Os recursos serão alocados na implementação de novas florestas, na modernização de fábricas de portas e em ações para garantir maior produtividade das unidades.
Entre as iniciativas, a empresa vai aportar R$ 30 milhões na reformulação da fábrica de portas, em Salto (SP), R$ 40 milhões na implantação de novas caldeiras e aquecedores, para utilizar menos volume de madeira na geração de energia, e mais R$ 60 milhões em uma nova linha de acabamento de chapa fina. Também há recursos no replantio de florestas.
A dívida líquida chegou a R$ 602 milhões, 1,4% acima dos R$ 593 milhões de 2024. A explicação, segundo o vice-presidente, está no capital de giro, e no aumento de contas a receber, provocado exatamente pelo aumento da receita. A alavancagem ficou em 0,8 vez a dívida líquida versus o Ebitda. Em 2024, o índice era de 1 vez.
No acumulado de 12 meses, as ações preferenciais EUCA4 registram valorização de 56,6% na B3. Em 2026, a alta é de 10,5%. A Eucatex está avaliada em R$ 1,8 bilhão.

Fonte: Neofeed

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