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Assim como Fernanda Torres roubou todas as atenções no ano passado com seus looks precisos e elegantes nas grandes premiações internacionais (e virou queridinha das maisons internacionais), Wagner Moura segue agora pelo mesmo caminho — e rouba a cena não apenas pela atuação intensa em “O Agente Secreto”, mas também pela maneira como surge e ocupa os tapetes vermelhos. Há algo de magnético em sua presença recente: menos exuberância, mais intenção. O ator brasileiro parece ter entendido que, hoje, estilo também é narrativa e poderosa ferramenta de comunicação.
O ponto de virada veio no Critics Choice Awards 2026. O visual de linhas amplas, composto por um quimono contemporâneo da Zegna, imediatamente acendeu os radares do mundo da moda. Minimalista, moderno, com um rigor silencioso que foge do óbvio masculino hollywoodiano, o look levantou a pergunta inevitável: quem está por trás dessa nova imagem de Wagner Moura?
A resposta leva a Los Angeles, mas nasce na Europa. É da stylist italiana Ilaria Urbinati, a mão que vem desenhando essa nova fase estética do ator. Radicada na Califórnia, ela é hoje um dos nomes mais influentes do styling masculino em Hollywood — e não por acaso já foi capa da Hollywood Reporter ao lado de Dwayne Johnson, o The Rock, um de seus clientes mais emblemáticos, e figura constantemente nas listas que mapeiam o poder silencioso por trás das imagens que moldam os astros do cinema americano.
Foi ela quem escolheu o conjunto de alfaiataria de luxo usado por Wagner no Critics, combinado com sapatos Christian Louboutin, assim como o suéter discreto da Tod’s para uma de suas aparições na televisão americana. Em comum, peças que não buscam impacto imediato, mas constroem presença — exatamente o estilo do ator.
Nascida em Roma, criada em Paris e formada visualmente entre fotografia, arte e moda, Ilaria se mudou ainda jovem para Los Angeles. Começou no varejo, passou por boutiques icônicas, ganhou espaço nos bastidores da TV e se consolidou como uma especialista em vestir homens respeitando limites, personalidade e identidade. Em um perfil publicado pelo New York Times, ela foi descrita como uma stylist que “entende o estilo pessoal como extensão do caráter” — uma abordagem cada vez mais rara em tempos de looks pensados para viralizar.
E Wagner Moura se encaixa nesse discurso. Seu estilo atual não busca protagonismo imediato nem se apoia em fórmulas fáceis. Ele constrói uma imagem que dialoga com sua maturidade artística, com a densidade de seus papéis e com um certo distanciamento do espetáculo óbvio. Há algo de cinematográfico em seus looks — como se cada escolha fosse um plano longo, silencioso e cheio de significado. Não se trata apenas de se vestir bem, mas sim de ocupar o espaço com a mesma intensidade com que atua, transformando o tapete vermelho em mais uma cena, daquelas que permanecem, exatamente como ele faz no cinema.


Fonte: veja.abril
