Gótica ou católica? Jenna Ortega faz detalhe sagrado virar fetiche fashion

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Pelo menos por hora, esqueça a Wandinha gótica. Em Marrakech, Jenna Ortega apareceu… católica. Ou, melhor, deliciosamente fascinada pelo imaginário católico que a moda adora transformar em estética e tendência. No segundo dia do festival de cinema por lá, seu vestido líquido de seda branca, feito sob medida pela Dolce & Gabbana, ganhou um acento silencioso, mas irresistível: um crucifixo dourado pendurado na lateral do quadril, preso por uma corrente finíssima. Um detalhe quase secreto — e justamente por isso, tão poderoso.

Jenna, rainha do gótico glam, deslocou o símbolo religioso do óbvio. Não estava no colo, mas na roupa. Um deslocamento que diz muito sobre o momento: as cruzes voltaram a circular nos tapetes vermelhos e nas ruas, mas agora com uma liberdade que atravessa fé, irreverência, história e, sobretudo, estilo.

Mas vamos ao começo – se existe um ponto zero dessa obsessão fashion por crucifixos, ele tem nome: Madonna. Ainda nos anos 1980, a cantora transformou rosários, terços e cruzes enormes em extensão do próprio corpo — pendurados no pescoço, nos cabelos, nas roupas. Foi a primeira a desmontar o significado tradicional e reconstruí-lo como linguagem pop. No MTV VMA de 1984, ao surgir de vestido de noiva com o cinto boy toy e um crucifixo gigantesco, ela inaugurava uma estética que unia provocação e santidade numa mesma imagem.

O Vaticano condenou, o público pirou e a moda nunca mais foi a mesma. Décadas depois, no Met Gala “Heavenly Bodies” de 2018, Madonna reapareceu de Gaultier num tributo barroco e feroz ao imaginário católico — como se dissesse que nenhum símbolo é estático, muito menos quando passa por ela – e suas cruzes espalhadas em toda parte, até no cabelo.

Celebridades amam, Vaticano desaprova

De lá para cá, o crucifixo virou parte do vocabulário de Hollywood. Hailey Bieber, Beyoncé, Harry Styles, Jennifer Aniston, Naomi Campbell, Uma Thurman — todos já cruzaram o tapete vermelho com versões cravejadas, vintage, ultraluxuosas ou cheias de intenção. O Vaticano, previsivelmente, continua incomodado: para eles, cruzes cobertas de diamantes são profanação de um símbolo de sacrifício. Para a cultura pop, no entanto, tornaram-se joias de cena, amuletos de proteção, relicários modernos. Em um mundo instável, signos espirituais reaparecem como pequenas âncoras — olhos, figas, escapulários e cruzes orbitando em colares sim, mas agora, como dita Jenna Ortega, pregado na roupa.

Pouco antes, Taylor Swift também sinalizou a tendência ao levar uma joia pendurada na perna no tapete vermelho do Grammy que, vista de longe, lembrava um crucifixo. Madonna, claro, já tinha feito sua versão com o acessório suspenso nas coxas no MET Gala de 2013. No mesmo evento, Lily Collins transformou o terço em gesto silencioso, segurado às mãos como se fosse parte do figurino. E assim, a estética segue se multiplicando — delicada, maximalista, barroca, minimal, sentimental ou irônica, não importa… A cruz renasce mais uma vez como ícone cultural, híbrido, urbano, simbólico e esteticamente muito potente.

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Como usar?

Pendurado na roupa, como Jenna Ortega; preso à meia ou à perna, como Taylor Swift; enganchado no sapato; aplicado ao cabelo, num grampo ou presilha; segurado como terço; ou no pescoço — mas em versões bem menos óbvias: miniaturas, camadas, vintages, esmaltadas, estilizadas, múltiplas. A cruz, afinal, volta a ser o que sempre foi: um ponto de fé — qualquer que seja a sua.

Veja os looks:

Jenna Ortega veste Dolce & Gabbana e joia de crucifixo no quadril
Jenna Ortega veste Dolce & Gabbana e joia de crucifixo no quadril (Marc Piasecki/WireImage/Getty Images)

 

Detalhe da joia de cruz d Jenna Ortega: delicadeza
Detalhe da joia de cruz d Jenna Ortega: delicadeza (Aurore Marechal/Getty Images)

 

Taylor Swift em modelo curto vermelho de Vivienne Westwood no Grammy 2025: cruz ou T? Detalhe fashion chamou a atenção
Taylor Swift de Vivienne Westwood no Grammy 2025: cruz ou T? Detalhe fashion chamou a atenção (Jon Kopaloff/WireImage/Getty Images)
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Madonna: crucifixo pendurado nas coxas deu o que falar
Madonna no MET Gala: crucifixo pendurado nas coxas deu o que falar (Jennifer Graylock/FilmMagic/Getty Images)

 

Detalhes fashion de crucifixos no cabelo de Madonna no MET Gala 2018
Detalhes fashion de crucifixos no cabelo de Madonna no MET Gala 2018 (Mike Coppola/MG18/Getty Images for The Met Museum/Vogue/Getty Images)

 

Detalhe de cruz no sapato: personalização
Detalhe de cruz no sapato: personalização (Ben Horton/FilmMagic/Getty Images)

 

Lily Collins e Rooney Mara
Lily Collins e Rooney Mara (Taylor Jewell/Getty Images for Vogue/Getty Images)
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Fonte: veja.abril

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