PARQUES URBANOS: PARQUE IBIRAPUERA, SÃO PAULO

PARQUES URBANOS: PARQUE IBIRAPUERA, SÃO PAULO

No sexto capítulo da série Parques Urbanos do portal da Antena 1 — que já percorreu Central Park (Nova York), Hyde Park (Londres), Bois de Boulogne (Paris) e Ueno Park (Tóquio) — chegamos ao Parque Ibirapuera (São Paulo), símbolo paulistano onde modernismo, cultura e natureza funcionam como infraestrutura pública do bem‑estar. Esta matéria aprofunda a relação entre o parque e a cidade, com foco em patrimônio, gestão e programação de outubro.

Um ícone moderno que virou rotina paulistana

Mais do que um cartão-postal, o Ibirapuera é um organismo urbano que respira junto com a cidade. Com seus 158,4 hectares, o parque atua como infraestrutura vital de São Paulo — um sistema que combina sombra, água, esporte, arte e vida pública. Seu traçado modernista, de autoria de Oscar Niemeyer e paisagismo geral de Otávio Augusto Teixeira Mendes, foi pensado para equilibrar estética, função e convivência.

A Marquise, com seus 620 metros contínuos de concreto armado, é o exemplo mais claro dessa filosofia: conecta pavilhões culturais e áreas esportivas sob uma única cobertura, permitindo o uso do parque mesmo sob chuva ou sol forte. Já os lagos interligados, o Planetário, o Auditório, a OCA e os pavilhões culturais formam um circuito de experiências sensoriais que misturam arquitetura, arte e natureza — um projeto que, desde 1954, traduz a ambição modernista de criar uma cidade mais humana.

Crédito da imagem: Samuel Lloyd / Cortesia: Imprensa Urbia Parques

Para Samuel Lloyd, diretor comercial da Urbia Parques, o Ibirapuera é “um espaço plural de convivência, aprendizado e cultura, onde a população encontra, de forma gratuita, atividades que unem bem-estar, arte e educação”. Essa concepção de parque como infraestrutura social e educativa explica por que o “Ibira” transcendeu o papel de refúgio verde: tornou-se parte da rotina paulistana e, em muitos aspectos, uma extensão da casa, do escritório e da própria rua.

Ali, o cidadão caminha entre o concreto e o verde com a mesma naturalidade com que circula pela Avenida Paulista. As pistas de corrida, ciclovias, gramados para piqueniques, espaços para leitura e os pontos de música e arte de rua transformam o parque em uma metrópole dentro da metrópole — onde a pressa desacelera, a arquitetura inspira e o tempo volta a ter um ritmo humano. É o encontro entre a cidade que pulsa e o parque que respira.

Patrimônio modernista, autoria paisagística e novos investimentos

Crédito da imagem: Parque Ibirapuera/ Reprodução: imprensa.prefeitura.sp.gov.br

Um ponto histórico importante: o paisagismo geral do Parque Ibirapuera é assinado por Otávio Augusto Teixeira Mendes — e não por Roberto Burle Marx. Burle Marx projetou dois espaços específicos: o Jardim das Esculturas, no entorno da OCA, e a Praça Burle Marx, próxima à Serraria (Portão 7). A correção foi destacada por Samuel Lloyd, em entrevista exclusiva à Antena 1.

Em outubro, a Urbia celebra cinco anos de gestão do parque e informa ter investido mais de R$ 300 milhões na restauração de equipamentos históricos e na revitalização de estruturas esportivas. O conjunto modernista — Marquise, Auditório Ibirapuera, OCA, Pavilhão das Culturas Brasileiras, MAM e Bienal — integra 1.584.000 m² tombados pelo CONPRESP e pelo CONDEPHAAT, reforçando o papel do Ibirapuera como polo cultural e de lazer.

“O parque consolida‑se como espaço plural de convivência, aprendizado e cultura, com iniciativas prioritariamente gratuitas”, afirma Samuel Lloyd, ao sublinhar a vocação pública do Ibirapuera.

Outubro no parque: crianças, professores e música ao ar livre

A programação de outubro foi desenhada para abarcar cultura, ciência, educação ambiental e lazer, ancorada em datas como Dia da Natureza, Dia Mundial dos Animais, Dia das Crianças, Dia do Professor e Dia do Idoso.

“Cada data estruturou formatos e públicos das iniciativas”, explica Lloyd.

Dia/Semana das Crianças (12/10) — ponto alto do mês — reúne oficinas com pigmentos naturais, a gincana “De Onde Vem o Ovo?” (biodiversidade em linguagem lúdica) e a experiência Phototruck, em parceria com a ONG Image Magica, combinando ciência, arte e tecnologia. As atividades se estendem até 19/10, ao ar livre e sem cobrança de ingresso.

Homenagem aos professores (15/10) — roteiros educativos do Programa Escola no Parque e a Expedição Investigativa “Quem Canta no Parque?” aproximam a sala de aula do território verde. Como gesto simbólico, o Planetário Ibirapuera oferece gratuidade para docentes na sessão “Olhar o Céu de São Paulo Outra Vez” no domingo, 19/10, às 17h.

Música — a Escola de Música do Parque Ibirapuera (EMPI) promove concertos matinais gratuitos aos sábados no Palco Arena da Marquise, reforçando o papel do Ibirapuera como palco democrático.

Educação ambiental e ciência cidadã: como o impacto é medido

As ações de Educação para a Sustentabilidade e Ciência Cidadã integram o Programa de Educação Ambiental (PEA) do parque, com atividades que vão de programação mensal e férias a cursos e campanhas educativas. A avaliação combina indicadores quantitativos e qualitativos: número de participantes, engajamento, frequência, diversidade do público, tempo de permanência, pesquisas pós‑evento, depoimentos e métricas digitais.

Um laboratório climático vivo

Crédito da imagem: Imagem gerada por inteligência artificial (IA)

O Parque do Ibirapuera funciona como um verdadeiro laboratório climático a céu aberto. Suas áreas verdes reduzem a temperatura média da região, enquanto o solo permeável e os lagos interligados ajudam a conter enchentes e a equilibrar o microclima. A cada árvore, gramado e espelho d’água, o parque transforma estética em infraestrutura ecológica — um sistema natural que refresca, purifica e dá fôlego à metrópole.

A biodiversidade ali é expressiva: aves, peixes, polinizadores e espécies nativas convivem em harmonia, formando um raro corredor ecológico em meio ao tecido urbano. Essa vitalidade atrai universidades e centros de pesquisa, que utilizam o espaço para estudos sobre serviços ecossistêmicos, fenologia e inventários de fauna e flora, traduzindo a paisagem em conhecimento científico.

Nas palavras de Samuel Lloyd, “um exemplo de resiliência climática em São Paulo, um sistema vivo que conecta a cidade à natureza e transforma ciência em bem-estar coletivo”. Um lembrete de que, no coração de uma das maiores metrópoles do mundo, o verde ainda é a tecnologia mais eficiente para equilibrar o planeta.

Como o parque enfrenta a superlotação

Para mitigar a superlotação nos fins de semana, a gestão implementa novos atrativos fora do anel central, redistribuindo fluxos e ampliando a experiência dos visitantes. A revitalização da Praça Burle Marx, os novos restaurantes próximos aos portões 5 e 7, o Petz Park, as quadras de areia e o Inter Café são exemplos de intervenções que estimulam a ocupação equilibrada de todo o território. O plano inclui ainda melhorias de sinalização e acessibilidade, reforço de limpeza e apoio de voluntários em dias de alta visitação.

Além da infraestrutura, a gestão passou a considerar fatores como períodos sazonais, eventos culturais de grande porte e horários de pico, aplicando estratégias de comunicação e logística para dispersar aglomerações. As campanhas informativas, atualizadas em tempo real nas redes do parque, orientam o público sobre rotas alternativas, horários de menor movimento e boas práticas de convivência.

Essa abordagem alia tecnologia e gestão urbana à preservação do patrimônio natural. Ao tratar a superlotação como um desafio de planejamento e não apenas de controle, o Ibirapuera reafirma seu papel de espaço democrático e sustentável, onde o acesso amplo convive com o cuidado ambiental e o respeito à paisagem.

Manutenção, metas e transparência da concessão

O contrato de concessão estabelece padrões mensuráveis de manutenção, verificados mensalmente por Comissão de Fiscalização e complementados por pesquisas com usuários. Podas ocorrem de forma contínua, sob supervisão da SVMA; iluminação pública não está sob responsabilidade da concessionária. Resultados são comunicados periodicamente para garantir transparência e retorno ao público.

Por que o Ibirapuera importa hoje

O Ibirapuera sintetiza o ideal desta série: parque como infraestrutura — saúde pública, cultura, educação e clima — e, também, como laboratório de governança urbana. No próximo capítulo, a série se encaminha para o encerramento com um exercício de imaginação: e se o Jockey Club de São Paulo virasse parque? A provocação fecha o circuito comparando lições de Central Park, Hyde Park, Bois de Boulogne, Ueno e Ibirapuera.

Guia rápido (planeje sem pressa)

Quando ir: outubro (programação especial de crianças e professores); fins de tarde para temperaturas mais amenas; ao longo do ano para concertos e planetário.
Como circular: a pé ou de bike; use a Marquise como eixo sombreado; explore áreas fora do anel central para percursos mais tranquilos.
Pontos‑âncora: Marquise, Auditório Ibirapuera, OCA (e Jardim das Esculturas), MAM, Pavilhão das Culturas Brasileiras, Bienal, Planetário, Praça Burle Marx, lagos e alamedas.

Fonte: antena1

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