Sabores de Lisboa: um breve roteiro do bacalhau, com direito à língua e muito mais!

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Entre os Sabores de Lisboa – e de Portugal – o bacalhau é rei. Apesar de o peixe ser originário das frias águas de países como a Noruega e a Islândia, foi em terras lusas, por influência direta da Igreja Católica, que o ingrediente tornou-se um símbolo da gastronomia.

Para se ter uma noção da força do produto, há registro de mais de 1.000 receitas de norte a sul de Portugal. Aliás, o chef Vítor Sobral, da Tasca da Esquina, com filial em São Paulo, tem um livro que compartilha a metade disso: As minhas receitas de bacalhau, editado pela editora Senac.

Algumas destas tantas formas de preparar o ingrediente nos restaurantes espalhados pelo país, diga-se de passagem, são bem curiosas, já que usam partes que, grosso modo, desconhecemos no Brasil. Você já ouviu falar em Feijoada de Sames? E arroz de língua? Sem falar nas bochechas, nas caras, nos rabos e muito mais. Sim, minha gente. Aqui se aproveita tudo do bacalhau.

Há também, é claro, as formas mais conhecidas de preparo, como À Lagareiro, banhado em muito azeite e com batatas de se comer rezando, À Gomes de Sá, com ovos e batata-palha, o Bacalhau com Natas, com Broa… Sem falar na versão popularizada no Brasil em forma de bolinho – por aqui chamado de pastel de bacalhau.

Mas, independentemente da forma ou da receita, quais são os melhores lugares para provar bacalhau em Lisboa? Fazer uma lista tão breve é um desafio e tanto na nossa Viagem Gastronômica, mas já serve de aperitivo para quem ama o ingrediente e quer fazer uma boquinha na capital Portuguesa.

E aí? Qual o teu lugar favorito?

A Casa do Bacalhau

Sabe aquelas partes do bacalhau pouco convencionais para nós, brasileiros, que falamos ali em cima, como a bexiga natatória – as sames ou samos – e a língua do animal? A Casa do Bacalhau, que fica no Beato, no Palácio do Grilo e pertinho do Museu do Azulejo, coloca tais iguarias à prova.

“Já tivemos pelo menos 140 receitas no menu e sempre damos protagonismo a esses ingredientes, em diferentes formas”, explica João Bandeira, à frente do negócio.

No menu corrente em dezembro de 2025, as sames, cheias de colágeno e sabor, são servidas em forma de feijoada.

Já as línguas vêm na versão “com todos”, a forma de preparar proteínas acompanhadas de grão-de-bico (grãos), batatas, brócolis e tudo mais que tiver ao alcance.

“Também temos uma versão recorrente das línguas panadas (empanadas), servidas com maionese”, diz Bandeira.

Mais informações: @acasadobacalhau

Laurentina, um clássico

Quando se fala em bacalhau, a Laurentina, com quase 50 anos de estrada, é um dos principais nomes que surgem numa lista a sério. “O nosso bacalhau é tratado de forma integralmente artesanal — da pesca à demolha, da preparação à confecção — respeitando a natureza e a autenticidade de cada produto”, dizem por lá.

O produto, que vem da Islândia, é feito das mais diversas maneiras, com destaque para o Bacalhau à Brás, feito com batata-palha caseira, o Bacalhau Alto Assado que vem em posta com batata a murro, verdura salteada e muito azeite e a Couvada de Bacalhau, que é o ingrediente cozido com repolho.

Os Rabos de Bacalhau, servidos com grão-de-bico e azeite, são o símbolo do aproveitamento máximo do animal e uma boa pedida para quem que provar coisas diferentes.

Mais informações: @restaurantelaurenrina

Zé dos Cornos

Não poderia deixar de fora os meus vizinhos do Zé dos Cornos, uma autêntica tasca portuguesa ao pé de casa. O carro chef da casa é a entremeada, a costelinha tenra de porto feita na brasa e servida com arroz de feijão – não confundir com arroz com feijão!

Mas o bacalhau feito na brasa e servido carregado de azeite surpreende positivamente. E descobri isso graças ao amigo Maurício Paniza, que é bom de garfo e adora o ingrediente.

Na casa, também há as tradicionais pataniscas, que são feitas com bacalhau desfiado e servidas com arroz de tomate, outro acompanhamento que aprendi a amar em Portugal.

Mais informações: @tasca_ze_dos_cornos

O Poleiro

 

Quem me apresentou à tradicional casa em Entrecampos, bairro que foge da efervescência turística do centro histórico, foi o gastrônomo Virgílio Nogueiro Gomes, um exímio conhecer da culinária portuguesa.

O restaurante mudou de donos recentemente, mas o bacalhau segue vom sua receita de lamber os dedos, com um lombo alto e suculento.

Também há bolinho de bacalhau, que deixa os fios à mostra quando partido ao meio, como deve ser, e as já mencionadas pataniscas.

Mais informações: @o_poleiro

Múltiplas Maneiras 

O chef Júlio Fernandes é conhecido pela dedicação ao bacalhau, chamado em terras lusas de “fiel amigo”. No D’Bacalhau, o produto surge à mesa em mais de 20 preparações, incluindo os tradicionais à Brás, com Natas, à Minhota e o autoral à Chef Júlio. Aliás, uma boa ideia é pedir uma espécie de menu degustação, que sai por 39 euros para duas pessoas.

Nas entradas, além do bolinho e das já premiadas pataniscas, há a pitoresca punheta, que se refere ao uso das mão para prepará-las. Nada mais do que isso, viu? É feita de bacalhau cru demolhado e amassado com vigor com azeite, alho, cebola e vinagre.

Mais informações: @restaurante.dbacalhau

 





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