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Que ano, hein? Se tivéssemos que resumir os últimos 12 meses na política usando apenas uma palavra, provavelmente seria turbulento. Mas alguns momentos marcantes da moda trouxeram um pouco de leveza e distração ao ano político marcado pelas polarizações e as eternas disputas narrativas.
Como se sabe, roupas, acessórios e escolhas estéticas podem funcionar como discursos paralelos — às vezes, mais eloquentes do que palavras. E a política, ao que parece, entendeu o impacto da imagem. Eis os 10 momentos mais memoráveis em que esses dois mundos colidiram e se influenciaram neste ano em que a moda não apenas refletiu, mas participou da política em palácios, tribunais, ruas ou passarelas.
O livro de Michelle Obama
Michelle Obama transformou o próprio guarda-roupa em documento histórico. “The Look”, lançado em novembro é mais um manifesto sobre identidade, poder e representação do que uma retrospectiva estética. Ao revisitar looks e escolhas feitas dentro e fora da Casa Branca, a ex-primeira-dama dos Estados Unidos reafirma seu papel como patrona da nova geração de designers — e lembra que estilo, quando bem usado, é ferramenta política. Nada ali é casual: nem as roupas, nem os cabelos, nem os nomes que ela escolhe apoiar.

O recado diplomático de Kate Middleton
Kate Middleton voltou ao centro da cena com um gesto calculado à perfeição. Ao receber Emmanuel Macron no Reino Unido, escolheu maisons francesas — Dior pela manhã e Givenchy à noite — em uma aula de diplomacia visual. O vestido vermelho, porém, veio com a assinatura de Sarah Burton, designer inglesa em clara mensagem de união entre Reino Unido e França. Embora seja uma das estilistas favoritas da princesa de Gales (ela que desenhou o vestido de noiva de Kate), optou por estrear uma criação de Sarah à frente da Givenchy naquele exato momento. Aliado à histórica tiara Lover’s Knot, o look simbolizou não só a reaproximação entre os dois países, mas também seu retorno pleno à vida pública após a luta contra o câncer. Moda como protocolo de Estado.

O casal Mamdani em Nova York
Zohran Mamdani, o primeiro prefeito Millennial eleito em Nova York, e sua primeira-dama Rama Duwaji redefiniram o imaginário do poder urbano. Nada de luxo ostensivo ou alfaiataria tradicional: ternos acessíveis, marcas independentes, escolhas conscientes. O casal encarnou uma política que se veste de propósito e que entende que coerência estética também constrói confiança. Em Nova York, o novo poder não brilha, mas comunica. E muito bem.

O cabelo de Cármen Lúcia
No julgamento que marcou a condenação de Jair Bolsonaro, o visual da ministra Cármen Lúcia chamou a atenção. O cabelo impecavelmente alinhado, grisalho e luminoso, reforçou uma imagem de autoridade serena e protagonismo feminino. Em um ambiente onde cada detalhe é observado, o cuidado estético funcionou como extensão do discurso jurídico: firme, claro e incontestável.

Os chapéus de Melania Trump
Com poucas aparições públicas, Melania Trump escolheu os chapéus de abas largas— quase escultóricos como uma assinatura estética que operou como barreira simbólica entre ela e o mundo. Em um cenário de superexposição e escrutínio constante, o acessório virou estratégia: proteger, esconder, controlar. Política também é gestão da própria imagem.

O colar de Ketanji Brown Jackson
Na posse presidencial, a juíza da Suprema Corte americana, Ketanji Brown Jackson, quebrou o protocolo silenciosamente — e com força. Sobre a toga, usou um colar de búzios, símbolos ancestrais ligados à prosperidade, proteção e poder em diversas culturas africanas. Em um dos espaços mais conservadores da política americana, o acessório foi um ato de afirmação cultural, histórica e identitária. Não era ornamento, era narrativa. A Suprema Corte ganhou, ali, um novo vocabulário visual.

O novo casal fashion da política: Katy Perry e Justin Trudeau
Ninguém previu, mas todo mundo comentou. Katy Perry e Justin Trudeau transformaram um romance improvável em espetáculo de soft power contemporâneo. Viagens, imagens calculadas, looks que dialogam entre si. Em 2025, até o amor virou linguagem política — e a moda, parte essencial do roteiro.

Os protestos nas passarelas
Em 2025, a moda falou alto. Camisetas com slogans ambientais, tributos à comunidade trans, celebrações da identidade latina. Moschino, Willy Chavarria, Diesel e outros designers transformaram o desfile em palco político. Em um ano de silêncios oficiais, a passarela virou megafone.

A polêmica dos homens vestirem rosa
Um simples suéter rosa da J.Crew foi o estopim de uma reação conservadora inflamada. O que para a moda era apenas cor, para parte da política virou ameaça. Enquanto Dior, Prada e Paul Smith tingiam o menswear de blush a fúcsia, o debate revelava o quanto a masculinidade ainda é território sensível. Em 2025, vestir rosa foi um ato — e uma provocação.

A fúria conservadora contra Fernanda Torres e as Havaianas
E para fechar o ano, mais uma polêmica: uma frase aparentemente inofensiva em uma campanha publicitária bastou para gerar indignação entre os membros da direita no Brasil, que transformaram Fernanda Torres e um par de Havaianas em um alvo ideológico. O episódio mostrou como, em tempos polarizados, até o objeto mais democrático do Brasil pode virar símbolo político e campo de disputa moral.

Fonte: veja.abril
