Produtores de Saint-Émilion trazem Grand Cru a SP com alta de vinhos de luxo

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Quinze produtores de Saint-Émilion, uma das mais prestigiadas sub-regiões de Bordeaux, colocaram os seus melhores vinhos na mala e vieram mostrá-los para potenciais compradores brasileiros. Foi a primeira fez que a Associação dos Grand Cru de Saint- Émilion colocou o Brasil nesta rota, em uma viagem que inclui degustações também no Peru e no México. “Queremos vender mais para os brasileiros”, afirma Sylvie Cazes, dona do Château Chauvin, e presidente da associação, que reúne 45 produtores, classificados como grand cru (nas regras de Saint-Émilion, essa classificação é reavaliada a cada dez anos).

Nos dois dias em que passaram por São Paulo, o grupo destacou-se pela simpatia e pelo interesse em explicar os seus vinhos, a grande maioria elaborada com merlot, em maior proporção no blend, e cabernet franc, em menor quantidade. Conforme a localização dos vinhedos, são vinhos também com pequenas porcentagens de cabernet sauvignon.

Jean-Christophe Meyrou, diretor geral da Vinobles K, que representa châteaux de Sain-Emilion, como o Château Bellefont-Belcier Foto: Suzana Barelli

Saint-Émilion é uma sub-região de solos geologicamente diversos com predomínio do argilo-calcário. É um solo onde a merlot desenvolve-se bem e resulta em tintos frescos e estruturados, o que explica porque ela é a variedade mais cultivada nesta região. Mas Saint-Émilion tem também solos com a famosa argila azul, que é ideal para reter a água das chuvas do inverno, e o cascalho das encostas, onde é cultivada a cabernet sauvignon.

Além de explicarem os seus vinhos a partir deste mosaico geológico, os produtores participaram da programação da Commanderie de Bordeaux à São Paulo, confraria fundada em 1952, mas que chegou ao Brasil apenas no ano passado. Um exemplo é que cada um destes franceses selecionou uma garrafa magnum (de 1,5 litro) de seu grand vin para a cerimônia de entronização dos novos membros brasileiros da commanderie na capital paulista.

No grupo de franceses, o foco são os vinhos premiuns, aqui classificados como aqueles com valor maior do que os US$ 50 a caixa de 9 litros (a unidade padrão de medida na importação, que representa uma caixa com 12 garrafas de 750 ml). Este valor equivale a um vinho que será vendido por preço entre R$ 100 e R$ 200 a garrafa para o consumidor, segmento em que os vinhos franceses sempre destacaram-se e que parece encontrar espaço para aumentar as suas vendas por aqui.

Algumas das rolhas dos vinhos de Saint-Émilion degustados em São Paulo Foto: Suzana Barelli

De acordo com dados da consultoria Ideal.BI, a importação de vinhos premiuns franceses cresceu 23% em volume em 2025 em relação ao ano anterior. Chegou à 236,5 mil caixas de 9 litros no ano passado, ocupando o terceiro lugar. Este ranking de importação de rótulos premiuns é liderado pela Argentina, com 337,7 mi caixas de 9 litros, que teve um aumento de 7% em relação a 2024. O Chile, que ocupa o segundo lugar, teve queda de 2% no mesmo período.

Os dados mostram o interesse crescente dos brasileiros pelos rótulos franceses de maior valor, aqui representados pelos champanhes, pelos brancos de Chablis e pelos grandes rótulos bordaleses, entre outros. Em 2020, no auge da pandemia, quando o consumidor brasileiro voltou-se ao vinho, os rótulos franceses classificados como low price (algo até R$ 50 a garrafa) representavam 16% das importações para o mercado brasileiro. Os entry level (entre R$ 50 e R$ 100) ficavam com 35%, os premiuns, com 12%, e os superpremiuns (com valor acima dos R$ 200), com 37%.

No ano passado, essa participação era outra: os de baixo preço perderam espaço: são 6% agora; os entre level subiram um pouco, para 20%. Os premiuns, com 11%, ficaram estáveis. O destaque é que há um aumento significativo nos super premiuns, que agora representam 63% do total dos vinhos desta origem.

Alguns dos rótulos de Saint-Emilion. Apresentados em degustação em São Paulo Foto: Suzana Barelli

O interesse dos franceses por esta faixa específica de mercado brasileiro é uma resposta, também, à retração do consumo mundial de vinho, com os produtores precisando vender para outros mercados e o Brasil sendo receptivo a estes vinhos. E, também, ao acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, que está reduzindo o imposto de importação até zerar em até 15 anos.

Os rótulos franceses já são, tradicionalmente, os mais caros a entrar no Brasil, impulsionado pelos champanhes, pelos grandes rótulos bordaleses, entre outros. Em 2025, por exemplo, o preço médio FOB da caixa de 9 litros era de US$ 77,26, enquanto a do Chile estava em US$ 24,70, que é o mais baixo entre as principais origens de vinhos importados pelo Brasil.



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