O agro brasileiro é favorito para ganhar mercado com a briga tarifária entre Estados Unidos e China

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A guerra comercial entre Estados Unidos e China pode beneficiar o agronegócio brasileiro. À medida que o aumento de tarifas gera pressão sobre as exportações agrícolas americanas, há um ajuste de preços e um redirecionamento no mercado global de grãos e proteínas.
Em relatório, os analistas do Itaú BBA, Gustavo Troyano e Bruno Tomazetto, indicam que o Brasil tem potencial de preencher a lacuna a ser deixada pelos Estados Unidos, com uma produção relevante em soja, algodão e carne bovina.
Atualmente, a China importa cerca de 90% da soja consumida no país, sendo que quase 23% desse total tem origem americana. De forma semelhante, o algodão e a carne bovina podem ter impacto de 13% e 3%, respectivamente, considerando o fluxo comercial dos EUA.
Enquanto o governo americano colocou em vigor a partir de 4 de março a tarifa adicional de 10% sobre os produtos importados chineses, o governo chinês anunciou um aumento nas tarifas de importação sobre vários produtos agrícolas americanos, como um aumento de 15% para aves, trigo, milho e algodão, além de um aumento de 10% para carne bovina, suína, soja, laticínios, frutos do mar, entre outros. Essas cobranças passam a valer a partir de 10 de março.
Na visão do Itaú BBA, as tarifas mais altas podem reduzir as exportações agrícolas americanas, principalmente para grãos e proteínas, pois os produtores americanos podem perder competitividade no mercado chinês. Enquanto isso, fornecedores alternativos — especialmente o Brasil — podem se beneficiar. As empresas SLC e BrasilAgro são apontadas como as que mais podem ganhar nesse contexto.
A maior demanda externa, porém, pode levar os agricultores a priorizarem a exportação, aproveitando-se da valorização do dólar sobre o real, interferindo nos fluxos de comércio global e na dinâmica de preços. Com maior demanda na China e custos de ração mais caros para os produtores locais de proteína, é provável que os consumidores brasileiros paguem mais caro pelos grãos.
Já na indústria de carne bovina, embora inicialmente pareça que as exportações brasileiras para a China possam ter mais espaço, a maior oferta de carne bovina nos EUA poderia pressionar as operações domésticas, resultando em preços mais baixos da carne bovina no território americano e um aumento de preço menor do que o esperado no Brasil. Nesse sentido, BRF e a Seara podem sofrer impactos mistos.
“Embora o aumento das tarifas sobre as importações de carne suína e de aves possa potencialmente criar mais oportunidades para os frigoríficos ganharem força no mercado chinês, apenas 1% do consumo de carne suína e de frango na China veio dos EUA no ano passado”, avaliam os analistas do Itaú BBA.
O banco de investimento ainda ressalta que o impacto nos preços dos grãos pode, potencialmente, levar a pressões de custo para os frigoríficos brasileiros. Dessa forma, o impacto negativo na base de custos acabaria por compensar os efeitos positivos nas exportações de carne suína e de frango.

Fonte: Neofeed

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