A trajetória de Paulo Ricardo Ferreira, 34 anos, líder religioso que une espiritualidade, juventude e transformação comunitária na Assembleia de Deus em Madureira.

Por trás do nome que hoje mobiliza milhares de jovens no Rio de Janeiro está uma trajetória construída a partir da simplicidade, da disciplina e da fé. Aos 34 anos, o pastor Paulo Ricardo Cavalcante Jorge Ferreira consolidou-se como uma das lideranças da nova geração da Assembleia de Deus em Madureira, na Zona Norte carioca, unindo experiência ministerial, conhecimento de gestão e atuação social.
Sua chegada ao Rio de Janeiro ocorreu há cerca de oito anos, após uma orientação do Bispo Abner Ferreira. Paulo Ricardo foi designado para assumir como Pastor Presidente da Assembleia de Deus do Rio da Prata, em Bangu. A posse reuniu a igreja lotada e contou com a presença de importantes autoridades eclesiásticas, incluindo representantes da Convenção Estadual das Assembleias de Deus Ministério de Madureira e integrantes da mesa diretora estadual.
A projeção alcançada nos últimos anos, porém, começou a ser construída muito antes.
Uma trajetória iniciada ainda na adolescência
Criado em um bairro simples da Zona Leste de São Paulo, Paulo Ricardo cresceu ao lado de dois irmãos em uma família que, apesar das limitações financeiras, mantinha valores sólidos. Filho de Levi Jorge, funcionário público, e de Miriam Cavalcante de Oliveira Jorge, dona de casa, encontrou dentro de casa uma estrutura baseada principalmente na fé, no respeito e na disciplina.
“Não tive vantagens econômicas, mas tive uma casa alicerçada na fé e no respeito. Na escola, testemunhei a realidade dura de muitos jovens que se drogavam e até levavam armas para dentro da sala de aula. Mas nem mesmo essa realidade me influenciou. Meus pais nos deram a segurança dos valores e princípios da fé”, relembra.
Quarta geração de uma família de pastores, Paulo começou cedo a conciliar vida religiosa e experiência profissional. Aos 14 anos, foi aprovado em um processo seletivo para jovem aprendiz em um importante banco do país. Com um salário de aproximadamente R$ 200, encontrou ali uma oportunidade que se transformaria em uma importante escola de disciplina profissional.
Segundo ele, a disposição para fazer além do que era esperado contribuiu para que novas oportunidades surgissem. Aos 17 anos, foi efetivado e passou a assumir responsabilidades maiores dentro da instituição.
Paralelamente, a igreja tornou-se o espaço em que começou a desenvolver características que mais tarde seriam determinantes em sua atuação como líder. Ainda adolescente, assumiu responsabilidades dentro da congregação, tornou-se professor de jovens na Escola Bíblica Dominical e aprimorou suas habilidades de comunicação.
Nesse período, também passou a liderar uma iniciativa voltada a cerca de 10 mil adolescentes, trabalhando temas relacionados à fé, propósito e desenvolvimento profissional.
Gestão como ferramenta para ampliar o impacto da igreja
A experiência adquirida no ambiente corporativo começou a influenciar diretamente sua maneira de compreender a administração religiosa. Para Paulo Ricardo, organização, planejamento e eficiência poderiam contribuir para ampliar o alcance das ações desenvolvidas pelas igrejas.
“Na igreja, as pessoas nos leem antes de ler a Bíblia, portanto, são as atitudes que geram impacto. Com o conhecimento que adquiri no mundo corporativo, introduzi ferramentas dentro da igreja para trazer impactos positivos e organização institucional, elevando padrões e mostrando o trabalho que a igreja entrega aos jovens”, afirma.
O trabalho abriu caminho para novas responsabilidades ministeriais. Paulo Ricardo foi convidado a atuar como Pastor Dirigente Titular na Assembleia de Deus Brás-Mooca, em São Paulo, e posteriormente assumiu a mesma função na Assembleia de Deus Brás–Vila Hamburguesa.
Em meados de 2017, um novo capítulo começou. Após atender ao chamado do Bispo Abner Ferreira, mudou-se para o Rio de Janeiro e passou a atuar como Pastor Auxiliar na Assembleia de Deus de Marechal Hermes, na Zona Norte. Ali, participou do desenvolvimento organizacional e estrutural da igreja e começou a construir uma relação mais próxima com a comunidade carioca.
O Rio de Janeiro como novo capítulo
Foi também no Rio que Paulo Ricardo constituiu sua família. Casou-se com Nataly Ferreira, sobrinha do Bispo Abner Ferreira, com quem tem dois filhos, Lior e Ayla.
Ao mesmo tempo, ampliou sua atuação ministerial em Marechal Hermes e Bangu, participando do aconselhamento de famílias, acompanhando pessoas diante de diferentes desafios e promovendo eventos destinados a aproximar igreja e comunidade.
A mudança de estado também representou a necessidade de reconstruir sua trajetória em um ambiente diferente daquele no qual havia iniciado sua carreira.
“Hoje sou referência não por apadrinhamento, mas por disciplina diária. Eu era um jovem lidando com uma realidade diferente. Tive que provar, pelas minhas habilidades, que estava à altura de manter o trabalho que já havia exercido. O Bispo Samuel Ferreira me trouxe credenciamento de maior aprovação. Hoje, no Rio de Janeiro, acabo sendo esse instrumento positivo”, afirma.
Nos anos seguintes, o pastor implantou núcleos de ensino de música e teologia, promoveu mobilizações evangelísticas, passeatas pela paz e atividades de integração e recreação destinadas principalmente a jovens e adolescentes.
Também esteve à frente da criação de iniciativas como “Abala Rio da Prata”, “Janeiro Profético Rio da Prata”, “Programa Palavra de Vida Rio da Prata”, “Plantão da Vida Rio da Prata” e do conjunto musical “Rio Adoração”. Paralelamente às ações desenvolvidas, a igreja registrou crescimento significativo no número de membros.
Experiência administrativa além dos púlpitos
A atuação de Paulo Ricardo também avançou para projetos administrativos e editoriais. Na Editora Betel, desempenhou funções relacionadas à coordenação de projetos editoriais e participou da migração de sistemas integrados em diferentes setores.
Nesse trabalho, esteve envolvido na condução de projetos voltados à eficiência operacional e à renovação de publicações mensais e revistas trimestrais, ampliando uma característica presente desde o início de sua trajetória: a tentativa de aproximar ferramentas de gestão da atividade ministerial.
Essa combinação entre conhecimento corporativo, comunicação e atuação religiosa se tornaria uma das marcas de sua carreira.
Mentoria espiritual e intelectual
Ao longo dessa caminhada, Paulo Ricardo consolidou uma relação de proximidade, mentoria e inspiração com o Bispo Abner de Cássio Ferreira, presidente da Assembleia de Deus em Madureira, a quem atribui influência importante em sua formação ministerial.
“Ele é uma fonte de inspiração espiritual. Possui habilidades naturais e consegue transformar um sermão em visão de futuro. Trabalhar ao lado dele tem moldado meu ofício ministerial”, afirma.
Atualmente, Paulo atua como copastor em Madureira e assessor direto do Bispo Abner, além de participar de áreas estratégicas relacionadas à comunicação das emissoras vinculadas ao ministério, projetos editoriais desenvolvidos no Brasil e no exterior e iniciativas sociais e culturais.
O trabalho, entretanto, não se limita às atividades religiosas tradicionais.
Uma igreja presente para além de seus muros
Entre as iniciativas conduzidas estão ações de reforço escolar, aulas de inglês, projetos culturais, festas comunitárias, assistência a famílias em situação de vulnerabilidade e orientação pastoral e emocional destinada a jovens e adultos.
Na visão de Paulo Ricardo, essa atuação ajuda a revelar uma dimensão da igreja que nem sempre aparece nas estatísticas oficiais, mas que está presente diariamente nas comunidades.
“A função social percorre um corredor invisível. Antes mesmo de chegar ao governo, muitas pessoas encontram na igreja acolhimento, alimento, moradia e reconstrução”, afirma.
A proposta é fazer da estrutura religiosa também uma rede de apoio capaz de alcançar necessidades educacionais, sociais e familiares, especialmente entre públicos que encontram dificuldades para acessar outras formas de assistência.
Reconhecimento por inovação social e educação
Em agosto deste ano, essa trajetória ganhou um novo capítulo com o recebimento do Prêmio de Melhor Empreendedor em Inovação Social e Educação do Brasil.
Para Paulo Ricardo, a premiação simboliza o reconhecimento de uma atuação que busca aproximar fé, educação, comunicação, gestão e impacto comunitário.
“É fruto do trabalho que tenho exercido na igreja. Um reconhecimento que mostra a importância de organizar e dar visibilidade às iniciativas sociais, para que o poder público também as observe com carinho”, afirma.
Da primeira oportunidade profissional aos 14 anos às atuais responsabilidades ministeriais e institucionais, Paulo Ricardo construiu uma trajetória em que experiências aparentemente distintas passaram a convergir. O conhecimento adquirido no ambiente corporativo encontrou espaço dentro da gestão religiosa; a comunicação tornou-se instrumento de aproximação com os jovens; e a atuação pastoral passou a dialogar cada vez mais com educação e desenvolvimento comunitário.
Mais do que a ascensão de uma liderança religiosa, sua história aponta para uma transformação na maneira como uma nova geração de pastores compreende o papel da igreja: não apenas como espaço de fé, mas também como agente de formação, acolhimento e impacto social.
