Itaú entrega balanço “como sempre”: lucro de R$ 12,6 bilhões e inadimplência sob controle

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O Itaú Unibanco apresentou um lucro recorrente de R$ 12,61 bilhões no terceiro trimestre, com alta de 6,7% em relação ao ano anterior e 2,5% em relação ao trimestre anterior. A rentabilidade, medida pelo ROAE, foi de 23,6%, com leve aumento ano a ano, mas queda em relação ao trimestre anterior.
A carteira de crédito cresceu 2,2% no trimestre, totalizando R$ 1,54 trilhão, impulsionada principalmente pelo crédito imobiliário. Apesar do aumento nos atrasos, a inadimplência foi controlada, com 2,0% de operações com atraso superior a 90 dias.
O custo do crédito foi de R$ 10,4 bilhões, e as despesas não relacionadas a juros aumentaram 2,4%. O banco revisou para baixo sua projeção de alíquota efetiva de impostos, o que pode aumentar o lucro por ação. As ações do Itaú caíram 1,67% no pós-mercado da NYSE e 0,68% na B3, acumulando queda de 1,89% no ano.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

O Itaú Unibanco entregou mais um resultado previsível em seu balanço do terceiro trimestre, divulgado no início da noite de terça-feira, 3 de novembro, com lucro dentro das expectativas e qualidade da carteira preservada apesar da deterioração do cenário macroeconômico.
“O resultado veio bem em linha com o esperado pelo mercado. Como sempre, é um relógio. E com a inadimplência sob controle”, disse um gestor ao NeoFeed após a publicação do balanço. “É um tédio. Mas um tédio bom.”
O maior banco privado do Brasil registrou lucro recorrente gerencial de R$ 12,61 bilhões entre julho e setembro, em linha com as projeções da Bloomberg. O resultado mostrou alta de 6,7% na comparação com o mesmo período do ano passado e avanço de 2,5% frente ao trimestre anterior.
Já a rentabilidade desacelerou. O retorno recorrente sobre o patrimônio líquido médio (ROAE), principal indicador de rentabilidade do banco, ficou em 23,6% no terceiro trimestre. O resultado mostra uma alta de 0,3 ponto percentual (p.p.) na comparação ano a ano, mas com redução de 0,7 p.p. frente ao trimestre anterior.
“A consistência dos nossos resultados reflete uma estratégia de longo prazo, sustentada pela disciplina na gestão, pela concessão responsável de crédito e pela qualidade da nossa carteira”, afirmou Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco, em nota.
“Seguimos crescendo com rentabilidade, ao mesmo tempo em que mantemos investimentos sólidos e contínuos em tecnologia e inteligência artificial, fundamentais para ampliar nossa capacidade de servir cada vez melhor os clientes”, complementou.
Mesmo em um ambiente de maior pressão para o crédito, o Itaú continuou expandindo sua carteira, que atingiu R$ 1,54 trilhão ao fim de setembro. O saldo cresceu 2,2% no trimestre e 10,9% na comparação ano a ano.
Segundo o banco, o avanço esteve concentrado em modalidades com garantias e menor custo para os clientes. O motor de crescimento foi o crédito imobiliário, segmento em que o Itaú é o maior banco privado em participação de mercado e no qual avançou 4,4%.
“Nossos resultados se apoiam na solidez do balanço e na disciplina com que gerimos riscos e alocamos capital. É essa base que nos permite crescer com responsabilidade, oferecendo crédito adequado às necessidades e à capacidade de pagamento dos nossos clientes”, disse o CFO Gabriel Amado de Moura, em nota.
Em um cenário de inadimplência pressionada no setor, o Itaú também registrou aumento dos atrasos, mas manteve o indicador controlado. O índice de operações com atraso superior a 90 dias encerrou setembro em 2,0%, com avanço de 0,1% no ano e no trimestre. Na faixa entre 15 e 90 dias, o indicador ficou em 1,7%.
O custo do crédito somou R$ 10,4 bilhões no trimestre. A relação entre o custo do crédito e a carteira, em termos anualizados, permaneceu estável em 2,7% na comparação com o trimestre anterior.
“O principal destaque do balanço foi a estabilidade dos indicadores de inadimplência, tanto nos atrasos de 15 a 90 dias quanto nos superiores a 90 dias, o que sinaliza controle sobre a qualidade da carteira de crédito e a capacidade de pagamento dos clientes”, afirma um gestor ouvido pelo NeoFeed.
Em outras linhas do balanço, o Itaú registrou crescimento de 2,6% na margem financeira com clientes no período de julho a setembro, na comparação trimestral, e de 6,6% em 12 meses. Segundo o banco, o avanço acompanhou a expansão da carteira de crédito e também foi favorecido pelo maior número de dias no período e pelo aumento das receitas com operações estruturadas no atacado.
Por sua vez, as receitas com serviços avançaram 0,5% no trimestre. Entre os destaques positivos, o banco destacou a administração de recursos, incluindo fundos e consórcios, cresceu 7,8%, enquanto as receitas com emissão de cartões tiveram alta de 7,1%. Na direção contrária, o banco registrou redução das receitas de investment banking, principalmente com emissões de títulos de renda fixa.
As despesas não decorrentes de juros totalizaram R$ 17,1 bilhões, alta de 2,4% no período. Segundo o banco, o aumento foi influenciado principalmente pelo reajuste salarial de 4,6% previsto no acordo coletivo dos bancários. Ainda assim, o índice de eficiência no Brasil melhorou 1,4 ponto percentual em relação ao terceiro trimestre de 2025, para 35,7%.
“O Itaú está dentro da expectativa em rentabilidade, mas é um banco mensurado no mercado com uma régua bem acima dos pares. A grande questão vai ser até que momento esse ROE é sustentável com o crescimento menor dos spreads”, afirma Danielle Lopes, analista da Suno Research.
Considerando a prévia divulgada pela Ativa Investimentos, o balanço trouxe sinais mistos. O lucro recorrente de R$ 12,6 bilhões ficou próximo da expectativa da corretora, enquanto a margem financeira com clientes, que avançou 2,6% no trimestre, superou o patamar de 1% que a casa considerava um sinal de atenção.
Por outro lado, o custo do crédito, de R$ 10,4 bilhões, ficou acima da faixa projetada pela Ativa, de R$ 10 bilhões a R$ 10,3 bilhões, embora não tenha ultrapassado os R$ 10,5 bilhões que representariam um alerta maior.
Junto com o balanço, o Itaú divulgou também revisou para baixo sua projeção da alíquota efetiva de Imposto de Renda e Contribuição Social (IR/CS) em 2026, de uma faixa entre 29,5% e 32,5% para 28% a 29%. A mudança reflete a alteração na trajetória esperada da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP).
A revisão pode indicar uma parcela menor do lucro antes dos impostos destinada ao pagamento desses tributos, o que tende a favorecer o resultado líquido.
Segundo gestor ouvido pelo NeoFeed, a redução da alíquota efetiva de impostos tem potencial para elevar o lucro por ação (EPS) em 4% a 5% a médio prazo.
“Negociada a cerca de 7,5 vezes o lucro e abaixo de duas vezes seu valor patrimonial, a ação ainda teria espaço para superar o desempenho de seus pares”, afirma. O dividend yield estimado em 8% também reforça a atratividade do papel.
Os papéis do Itaú recuavam 1,67% no pós-mercado da Bolsa de Nova York (NYSE), cotados a US$ 7,05. Na B3, as ações preferenciais do banco (ITUB4) fecharam em queda de 0,68%, a R$ 38,41.
No acumulado do ano, os papéis registram queda de 1,89%, levando o valor de mercado da instituição a R$ 447,9 bilhões.

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Fonte: Neofeed

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