Inteligência emocional em tempos de Copa do Mundo

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A capacidade de gerenciar emoções no mundo atual, é cada vez mais rara e valiosa, ainda mais em um mundo imediatista onde reagir rapidamente parece ser mais fácil do que agir com calma e estratégia.

Quando falamos do mundo dos esportes, essas habilidades são ainda mais necessárias e esperadas, já que o espírito esportivo engloba uma série de práticas com base na resiliência, empatia, respeito e senso de unidade.

O pentacampeão Brasil perdeu nas oitavas de final na copa desse ano para a Noruega. Historicamente, a camisa verde e amarelo é reconhecida como a camisa do país do futebol, a camisa que Pelé vestiu juntamente com tantos outros craques reconhecidos internacionalmente. Nenhum país tem tantas estrelas estampadas em suas camisas. Mas o que isso significa? Ganhar sempre? Definitivamente não. O pentacampeonato foi conquistado há 24 anos. Outras seleções vem se destacando ao longo dos anos, então a camisa que impõe respeito, também deve ter muito respeito pelos adversários.

Nas entrevistas com os jogadores da Noruega, que vem fazendo uma excelente campanha na copa desse ano, todos os jogadores exaltaram a seleção brasileira e, com muita humildade, tanto antes quanto após o jogo do confronto entre os dois países, disseram que o Brasil é um país vencedor no futebol, que deveria passar de fase e que os torcedores devem continuar apoiando a seleção.

Tanta humildade contrasta um pouco com a sensação de “soberania” dos jogadores e torcedores brasileiros. E aí é que começamos a identificar a inteligência emocional dos jogadores. Os noruegueses – não só os esportistas – vem de uma cultura que exalta a conduta social Janteloven, aue repudia ostentação, exalta a igualdade social, acredita que ninguém é melhor do que ninguém, e que resultados vem a partir de esforços coletivos. Esse conceito está tão enraizado nos noruegueses, que muitos dizem que são desencorajados a ter qualquer tipo de ambição.

Dentro desse contexto, vale a reflexão de que a camisa verde e amarelo impõe respeito mas deve genuinamente respeitar os outros países, que, se estiverem melhor preparados, levarão a vitória. Durante a concretização da vitória dos noruegueses, os jogadores brasileiros passaram a desafiar os oponentes como se estivessem vencendo, mas não obtiveram uma reação à altura. Isso porque, quando a inteligência emocional está em ordem, as reações são contidas e dão espaço para o silêncio.

Em um país como o Brasil, onde há tanta desigualdade social, ver os jogadores brasileiros ostentando vidas luxuosas, pode dar a sensação de pouco esforço para tantos ganhos. Analisar a perda do ponto de vista sujeito – sociedade, pode mostrar torcedores com a sensação de injustiça, acreditando que jogadores não estariam interessados no esforço coletivo e sim em suas conquistas individuais.

Nessa Copa, o gosto amargo da derrota brasileira tão precoce, deve levar a reflexão de todos sobre o atual momento do futebol brasileiro, e sobre a inteligência emocional dos jogadores. Lidar com frustrações e ser humilde diante delas, é essencial para transformar as perdas em aprendizado.

Arquivo pessoal

Escrito por Roberta Colagrande

Psicóloga Clínica, Neuropsicóloga e Administradora de Empresas.

Mestre em Psiquiatria e Psicologia Médica pela UNIFESP e Especialista em Neuropsicologia e Reabilitação Cognitiva pelo Hospital das Clínicas da USP. Possui sólida formação em saúde mental e experiência prévia em organizações de grande porte e multinacionais, atuando na gestão de equipes, liderança, desenvolvimento de projetos e relacionamento corporativo.

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