Gaza não está mais em situação de fome, diz …

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Por Michelle Nichols

NAÇÕES UNIDAS, 19 Dez (Reuters) – Não há mais situação ⁠de fome em Gaza, disse um monitor global da fome na sexta-feira, depois que o acesso às entregas de alimentos humanitários e comerciais melhorou com o frágil cessar-fogo de 10 de outubro na guerra entre Israel e os militantes palestinos do Hamas.

A mais recente avaliação da Fase de Segurança Alimentar Integrada ocorre quatro meses depois de ter dito que 514.000 pessoas — quase um quarto dos palestinos em Gaza — estavam passando fome. Na sexta-feira, o IPC advertiu que a situação no enclave continua crítica.

‘Na pior das hipóteses, que incluiria novas hostilidades e a interrupção dos fluxos humanitários e comerciais, toda a Faixa de Gaza corre o risco de passar fome até meados de abril de ​2026. Isso ressalta a grave e contínua crise humanitária’, disse o ⁠IPC no ⁠relatório.

Israel controla todo o acesso a Gaza. A Cogat, agência militar israelense que coordena a ajuda, contestou em agosto a existência de fome em Gaza. A Cogat afirma que de 600 a 800 caminhões entraram em Gaza diariamente desde o início da trégua, em outubro, e que os alimentos representavam 70% de todos esses suprimentos.

A Cogat rejeitou as conclusões do relatório.

‘O relatório baseia-se em lacunas ‌graves na coleta de dados e em fontes que não refletem a totalidade da assistência humanitária. Como tal, ​induz a comunidade internacional ao erro, alimenta a desinformação e ‌apresenta uma representação falsa da ​realidade no ​terreno.’

O Ministério das Relações Exteriores de Israel afirmou que a ajuda humanitária enviada a Gaza é muito maior do que a indicada no relatório e que os preços dos alimentos na região caíram drasticamente desde julho.

O Hamas contesta esses ​números, dizendo que muito menos de 600 caminhões por dia entraram em Gaza. As agências de ajuda humanitária têm dito repetidamente que muito mais ajuda precisa entrar em Gaza e que Israel está impedindo a entrada de itens necessários, o que Israel nega.

SEM FOME, MAS AINDA EM CONDIÇÕES CATASTRÓFICAS

O IPC disse que cinco situações de fome foram confirmadas nos últimos 15 anos: na Somália em 2011, no Sudão do Sul em 2017 e 2020, no Sudão em 2024 e, mais recentemente, em Gaza em agosto.

Para que uma região seja classificada como em situação de fome, pelo menos 20% das pessoas devem estar sofrendo de extrema escassez de alimentos, com uma em cada três crianças gravemente desnutridas e duas pessoas em cada 10.000 morrendo diariamente de fome ou desnutrição e doenças.

‘Nenhuma área está classificada em situação de fome’, disse o IPC sobre Gaza na sexta-feira. ‘A situação continua altamente frágil e ⁠depende de um acesso humanitário e comercial sustentado, ampliado e consistente.’

Mesmo que uma região não tenha sido classificada como em ‌situação de fome porque esses limites não foram ⁠atingidos, o IPC pode determinar que as famílias estão sofrendo condições catastróficas, que ele descreve como uma extrema falta de alimentos, fome e riscos significativamente maiores de desnutrição aguda e morte.

O IPC disse na sexta-feira que ‍mais de 100.000 pessoas em Gaza estavam passando por condições catastróficas, mas projetou que esse número diminuiria para cerca de 1.900 pessoas até abril de ​2026. ‌Afirmou que toda a Faixa de Gaza foi classificada em uma fase de emergência, um passo abaixo das condições catastróficas.

Fonte: antena1

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