Expansão industrial em Sergipe aumenta busca de empresas por crédito para novos investimentos

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Lucas Andrade, projetista bancário que atua em Sergipe, Bahia e Alagoas, aponta planejamento e estruturação financeira como etapas decisivas para empresas que buscam recursos em bancos de desenvolvimento

Sergipe vive um novo ciclo de expansão empresarial. Somente nos três primeiros meses de 2026, 12 empresas incentivadas pelo Programa Sergipano de Desenvolvimento Industrial (PSDI) projetaram investimentos de aproximadamente R$ 175,4 milhões, com expectativa de geração de 891 empregos diretos. Em 2025, os investimentos anunciados por empreendimentos beneficiados pelo programa ultrapassaram R$ 620 milhões.

O cenário ocorre enquanto o estado se prepara também para uma nova etapa da cadeia de petróleo e gás. O projeto Sergipe Águas Profundas (Seap), da Petrobras, prevê duas plataformas com capacidade conjunta para produzir até 240 mil barris de óleo por dia e processar 22 milhões de metros cúbicos de gás natural diariamente. A produção de óleo está prevista para começar em 2030, com exportação de gás a partir de 2031.

Para empresas interessadas em acompanhar esse movimento de expansão, porém, encontrar a linha de financiamento adequada é apenas uma parte do processo. A estruturação do projeto, a análise da capacidade de pagamento e a apresentação de um plano de negócios consistente podem determinar se o investimento consegue avançar.

É nesse mercado que atua o sergipano Lucas Andrade, projetista bancário que, desde 2022, trabalha na elaboração e estruturação de projetos empresariais para obtenção de crédito em Sergipe, Bahia e Alagoas.

Formado em Direito pela Universidade Tiradentes (Unit), Lucas direcionou sua atuação para projetos de implantação e expansão de indústrias, empresas comerciais e prestadores de serviços, especialmente em operações que buscam recursos por meio de instituições de desenvolvimento, como Banco do Nordeste (BNB) e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Segundo o especialista, somente em 2025, projetos acompanhados por sua assessoria resultaram em mais de R$ 50 milhões em crédito aprovado para empresários.

Crédito exige mais do que uma boa ideia

Para o projetista, um dos erros mais recorrentes entre empresários é procurar financiamento antes de transformar o projeto de expansão em números.

“Não basta o empresário dizer que quer construir uma indústria, ampliar uma empresa ou comprar equipamentos. O banco precisa compreender a viabilidade daquele investimento, quanto será necessário, como os recursos serão utilizados e qual será a capacidade do negócio de gerar resultado e pagar o financiamento”, explica.

O Banco do Nordeste mantém sistemas específicos para elaboração e apresentação de planos de negócio e projetos de investimento, contemplando setores como indústria, comércio, serviços e atividade rural. Entre as finalidades financiáveis estão implantação, modernização, construção e ampliação de empreendimentos, além da aquisição de máquinas e equipamentos e capital de giro associado ao investimento.

O BNDES também disponibiliza instrumentos destinados à implantação, ampliação e modernização de empresas da indústria, comércio e serviços, além de linhas específicas para micro, pequenas e médias empresas.

Segundo Lucas Andrade, entender as diferenças entre as alternativas disponíveis evita que empresas tentem enquadrar investimentos em linhas incompatíveis com sua realidade.

“Existe dinheiro disponível para investimento, mas crédito para empresa precisa ser tratado como estratégia. Um financiamento mal estruturado pode comprometer o caixa; quando o projeto é bem dimensionado, o crédito pode permitir que a empresa cresça sem consumir todo o capital próprio”, afirma.

Gás pode abrir nova frente para empresas locais

O avanço da cadeia de gás natural também amplia as perspectivas de novos negócios em Sergipe. A futura disponibilidade do insumo é apontada como fator de atração para setores como fertilizantes, vidro, cerâmica, petroquímica e geração de energia.

Além dos grandes empreendimentos diretamente ligados ao setor energético, o movimento tende a criar demanda para fornecedores, prestadores de serviços, logística e empresas que precisarão ampliar capacidade para atender novos contratos.

Para Lucas, esse é justamente o momento em que empresas locais precisam avaliar se estão financeiramente preparadas para crescer.

“Oportunidade de mercado não significa que a empresa esteja automaticamente preparada para aproveitá-la. Às vezes surge um contrato maior, uma possibilidade de expansão ou a necessidade de instalar uma nova unidade, mas falta estrutura financeira. É nesse ponto que planejamento e crédito precisam caminhar juntos”, diz.

O desafio, segundo o especialista, é fazer com que empresas nordestinas consigam transformar o atual ciclo de investimentos em crescimento sustentável, utilizando instrumentos de financiamento não apenas para resolver necessidades imediatas de caixa, mas para ampliar capacidade produtiva e competitividade.

Rebeca Santana
Rebeca Santana
Jornalista com 17 anos de experiência em comunicação institucional e assessoria de imprensa. Atua na cobertura de temas ligados à educação, empreendedorismo e posicionamento estratégico, com foco em liderança, governança e impacto institucional.

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