Ebola se espalha exponencialmente no Congo, com …

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Por Matthias Williams

21 Ago (Reuters) – Mais de 2.500 ​pessoas já morreram no surto de Ebola na República Democrática do Congo, que está se espalhando exponencialmente por uma área maior do que a França, afirmou nesta sexta-feira Julien Harneis, coordenador sênior das Nações Unidas para o Ebola.

Em uma videochamada da cidade de Bunia, no nordeste do Congo, Harneis pediu mais ajuda, afirmando que os recursos financeiros disponíveis devem se esgotar em poucas semanas.

Os profissionais de saúde da região estavam sendo atacados por moradores locais enfurecidos e aterrorizados pelo surto, e eles próprios estavam adoecendo e morrendo vítimas ⁠da ⁠doença, acrescentou ele.

A 17ª epidemia de Ebola ​no ‌Congo tornou-se a maior da história do país em termos de número de casos no final de julho, superando o pior surto anterior, ocorrido entre 2018 e 2020. Ela é causada pela cepa Bundibugyo do Ebola, para a qual ⁠não há vacinas ou tratamentos aprovados.

“O surto de Ebola está crescendo exponencialmente”, ​disse Harneis.

“A epidemia está se espalhando por uma área maior do que a ​França, e o surto está crescendo mais rápido ‌e se alastrando mais ​do que ⁠a resposta ao Ebola. E tudo isso está acontecendo em uma região que passou por três décadas de conflito e está gerando enormes necessidades humanitárias.”

Cerca de 160 profissionais de saúde ​adoeceram com o Ebola, e 43 deles morreram, segundo ele.

“E então, quando reagimos, além da ameaça do vírus, profissionais de saúde e trabalhadores da linha de frente têm sido atacados por jovens, ambulâncias têm sido incendiadas e apedrejadas, e as unidades ​de saúde têm sido atacadas”, disse ele.

“O medo se traduz em jovens enfurecidos que começam a atirar pedras contra o objeto de seu medo: a ambulância”, acrescentou.

Outros profissionais de ajuda humanitária afirmaram que os moradores locais acreditam em teorias da conspiração de que o surto é uma farsa e têm reagido com raiva quando as restrições sanitárias os impedem de enterrar pessoalmente seus entes queridos.

Houve mais de 260 ataques a profissionais de saúde ​nos últimos seis meses e oito deles foram mortos, disse Harneis, “o que é obviamente aterrorizante, ‌pois as pessoas já estão arriscando ⁠suas vidas para lidar com o Ebola”.

Os cortes na ajuda humanitária nos últimos anos reduziram a capacidade das organizações humanitárias, afirmou.

Outro problema é o pagamento das dezenas ⁠de milhares de pessoas envolvidas no combate ao surto, disse ⁠ele. Os serviços bancários foram afetados ⁠depois que o governo ⁠suspendeu ​os voos comerciais, prejudicando assim os meios pelos quais o dinheiro é entregue aos bancos.

Fonte: antena1

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