Brasil “protegido” abre caminho para Selic a 12%, diz economista-chefe do Morgan Stanley

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Ana Madeira, economista-chefe do Morgan Stanley, prevê um corte de 0,25 pp na taxa Selic na reunião do Copom em 29 de abril, reduzindo-a para 14,50% ao ano. A partir de junho, cortes maiores de 0,5 pp são esperados, com a taxa fechando em 12% até dezembro.
Madeira acredita que o Brasil está protegido do choque do petróleo, o que permite essa previsão, e que o risco de inflação é maior no segundo semestre. Ela elogia a condução do Banco Central, que resistiu à pressão do mercado antes de iniciar os cortes. A economista destaca que a política fiscal está mais forte e não deve impactar negativamente a atividade econômica.
A expectativa de crescimento do PIB é de 2% para este ano, e o câmbio está estável, ajudando a controlar a inflação. Madeira acredita que o Brasil, como exportador de energia, está relativamente protegido de crises geopolíticas e incertezas internas.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

O consenso entre os economistas para a reunião de quarta-feira, 29 de abril, do Comitê de Política Monetária (Copom) era de um corte de 0,25 ponto percentual (pp) da taxa Selic – o que de fato ocorreu -, passando para 14,50% ao ano. O banco americano Morgan Stanley compartilhava a mesma visão.
Mas, a partir da próxima reunião do comitê do Banco Central, em junho, a economista-chefe Ana Madeira projeta um ciclo de cortes de 0,5 pp, o que levará a taxa básica de juros a encerrar este ano em 12%. “A alternativa de não cortar exigiria condições extremas que não se verificam”, diz ela, em entrevista ao NeoFeed.
A economista portuguesa, com longa passagem pelo Bank of America em São Paulo e, mais recentemente, como economista-chefe do HSBC no País, acredita que a possibilidade é grande de o Copom anunciar cortes de 0,5 pp a partir da próxima reunião em razão do baixo impacto do choque do petróleo no País, em especial na inflação.
“O Brasil está relativamente protegido, pois há espaço fiscal para amortecer o choque e a política de preços da Petrobras dilui a volatilidade ao longo do tempo”, afirma Madeira. “O risco maior, em termos de inflação para o Brasil, está concentrado no segundo semestre.”
Madeira elogia a condução da política monetária por parte do Banco Central, resistindo à pressão do mercado no fim de 2025 para dar início ao ciclo de cortes da Selic, o que ocorreu só em março. Nem mesmo o fato de o BC conduzir o ciclo de cortes de juros em meio a um cenário internacional complexo e um nacional com uma eleição presidencial no segundo semestre deve ter algum impacto relevante.
“As amarras fiscais estão mais fortes agora”, diz a economista. “Fora uma surpresa, nossa expectativa é de que o governo vai sim conseguir entregar algo bem perto da banda de déficit primário para este ano.”
Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista:
Como avalia a condução da política monetária pelo Banco Central desde o início do ciclo de cortes da Selic?O BC agiu com serenidade e parcimônia ao iniciar os cortes da Selic, resistindo à pressão do mercado no fim de 2025. Essa postura contribuiu para reancorar as expectativas de inflação, que estavam bem acima da meta. Depois do Copom sinalizar o início do ciclo de cortes para março, veio a crise geopolítica do Irã. O BC, então, ao citar a incerteza do cenário futuro, reconheceu que havia espaço para iniciar um ciclo de calibragem.
Qual é a diferença entre ciclo de calibragem e ciclo de cortes de juros?A diferença é que, no final desse processo de calibragem, a expectativa é que o juro ainda permaneça em território contracionista. Tinha essa expectativa porque o Banco Central percebeu que, desta vez, ia demorar um pouquinho mais para a inflação convergir até a meta. Ou seja, precisaria de um juro que permanecesse contracionista ainda por um período mais longo do que o normal. Nesse meio termo, então, veio o início dos cortes.
O BC demorou para iniciar o ciclo de cortes?Não houve demora, pois as surpresas negativas de atividade só apareceram em fevereiro de 2026, o que justificou aguardar para maximizar o efeito sobre as expectativas. Essa leitura do BC estava em linha com a do nosso cenário macro. Aqui no Morgan Stanley a avaliação era de que num momento em que há expectativas de inflação desancoradas, tem mais a ganhar um banco central que surpreende para o lado hawkish, com uma postura de combate à inflação por meio do aumento dos juros, do que para o lado dovish (marcada pela redução de juros). Embora o plano inicial fosse cortar 50 pontos-base, a incerteza geopolítica levou o BC a adotar um corte mais cauteloso, de 25 pontos-base.
Qual era sua expectativa para a reunião de hoje?Nossa expectativa era de corte de 25 pontos-base na Selic, alinhado ao mercado. O risco de decisão diferente era muito baixo, dado o sinal do ciclo de calibragem nas comunicações recentes. A alternativa de não cortar exigiria condições extremas que não se verificam.
“Corte maior [da Selic] deve vir com alguma melhora do cenário externo, com o preço do petróleo começando sustentavelmente a chegar a níveis abaixo de US$ 100 o barril”
O que é necessário para aumentar o ritmo de cortes?Corte maior deve vir com alguma melhora do cenário externo, com o preço do petróleo começando sustentavelmente a chegar a níveis abaixo de US$ 100 o barril. Por isso, vemos espaço para BC efetuar corte de 0,25 pp até a próxima reunião, de junho, para que o cenário externo melhore e passe a considerar cortes de 0,5 pp no segundo semestre. Se o cenário externo não melhorar, o risco para o Banco Central é entregar um ciclo de corte menor este ano, com uma continuidade dos 0,25 pp. Acreditamos que a barra de interromper os cortes continua bem alta.
O Morgan Stanley também prevê essa sequência de cortes?Embora o risco para essa reunião de hoje fosse baixo, o call de junho é mais alto. Mesmo assim, acreditamos em cortes de 0,5 pp da Selic já a partir de junho e até dezembro, o que faria com que a taxa Selic feche 2026 em 12%.
O que garante essa expectativa mais positiva do Morgan Stanley no ciclo de cortes da Selic, uma vez que o choque do petróleo provocado pela guerra tem potencial de aumentar a inflação e afetar a margem de manobra do BC?O Brasil está relativamente protegido, pois há espaço fiscal para amortecer o choque e a política de preços da Petrobras dilui a volatilidade ao longo do tempo. O risco maior, em termos de inflação para o Brasil, é mais de segunda ordem, concentrado no segundo semestre. A reação do Banco Central a esse choque, na nossa visão, vai se fazer mais pelo comportamento das expectativas de inflação: não tanto pela reação das expectativas de inflação de 2026, mas mais pela reação das expectativas de 2027 e 2028, ou seja, mais de longo prazo.
Além do cenário externo incerto, o fato de o Brasil ter eleições presidenciais no segundo semestre pode interferir na política monetária do BC?A questão é se a eleição vai impactar a expectativa de inflação e o crescimento da economia. Neste momento temos uma corrida presidencial que está bem polarizada. A expectativa de analistas políticos é que esse cenário de polarização vai permanecer até praticamente a boca da urna. Se isso se confirmar, talvez não seja um fator muito impactante em influenciar a expectativa de inflação entre agora e o dia das eleições. Dito isso, não esperamos que a eleição seja um fator determinante para a condução da política monetária.
“A questão é se a eleição vai impactar a expectativa de inflação e o crescimento da economia. Neste momento temos uma corrida presidencial que está bem polarizada”
Nem a possibilidade de o governo adotar uma política fiscal mais frouxa no segundo semestre por causa da eleição pode atrapalhar essa direção que o BC tem tomado?As amarras fiscais estão mais fortes agora. Fora uma surpresa, nossa expectativa é que o governo vai sim conseguir entregar algo bem perto da banda de déficit primário para este ano. Então, neste momento, o fiscal não é algo que nos preocupa em termos de levar a um impacto tão grande na atividade. O BC vai continuar seguindo as respostas vis-à-vis expectativa de inflação e vis-à-vis a atividade econômica.
E qual sua expectativa de atividade econômica?Acreditamos num crescimento do PIB para este ano de 2%. Não estamos vendo riscos para que seja algo mais fraco que isso. Os ruídos políticos atuais, como o caso Master, ou de política fiscal acabam sendo relevantes para o Banco Central a partir de um momento que afeta ou não, por exemplo, variáveis como o câmbio, que é normalmente sensível a esse tipo de ruído.
O câmbio preocupa?Não, o câmbio está muito bem comportado. O câmbio, por sinal, é um dos fatores que talvez ajude um pouquinho a evitar um aumento tão expressivo na inflação, especialmente quando temos a inflação corrente já repicando para cima e vemos a expectativa de efeitos secundários aparecendo.
Não surpreende o fato que uma crise geopolítica global junto com um cenário de incerteza interna com eleição presidencial acabem tendo um efeito menor do que o esperado na economia brasileira?O Brasil é um exportador de energia. Então, no fim das contas, o País se beneficia via em termos de troca e via conta corrente. E se beneficia via fiscal também, porque o País tem várias receitas que são diretamente ligadas ao preço de petróleo. Ao mesmo tempo, o Brasil é um país grande, mas relativamente fechado.
O que isso significa?Embora não aproveite tanto, por exemplo, as ondas positivas globais, acaba estando um pouco mais protegido das ondas negativas. Então, nesse sentido, o Brasil fica numa posição um pouquinho mais favorável, especialmente em relação a outros países. O preço dos ativos mostra bem isso.

Fonte: Neofeed

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