Foram anos tomando cerveja quente com os amigos no bar do Zé, o último pé sujo do Jardim Europa, até conseguir comprar o lugar. “E não adiantava pedir para gelar a bebida, porque a resposta era sempre a mesma: com cerveja quente vocês não vão embora, imagina se fosse gelada”. O empresário e restaurateur Ipe Moraes frequentou o boteco do Zé por mais de dez anos, com prazer, mas sempre de olho no ponto. Até que o Zé resolveu se aposentar e vendeu o bar para ele. Agora, depois de uma reforma que levou quase dois anos, o botequim da esquina da Alameda Gabriel Monteiro da Silva com a Ibsen Costa Manso reabre como o charmoso Bar Europa.
Dono também da Adega Santiago, da Casa Europa e da Taberna 474, com unidades no mesmo bairro, o empresário conta que conseguiu o ponto da Taberna 474 exatamente da mesma maneira: era cliente do bar que funcionava no local. Quando fechou o negócio, 14 anos atrás, precisou achar um outro boteco, na vizinhança, para encontrar os amigos e acabou indo parar no bar do Zé…

O novo bar ocupa o lugar do último “pé-sujo” do Jardim Europa Foto: Helena Rubano
Agora Ipe vai ter que frequentar o próprio bar: nem adianta procurar outro pé sujo por ali. Não tem. Além disso, a lei de zoneamento não permite novos bares e restaurantes na região. Quer dizer, os tempos da cerveja quente ficaram para trás: a cerveja do Bar Europa é bem gelada e o chopp também. Ainda tem uma ampla carta de vinhos, uma seção de coquetéis, entre os clássicos, os autorais e uma ala só de negroni.
O Bar Europa tem o DNA das outras casas de Ipe Moraes, ambientação criada por Carlos Motta, com muita madeira e pouca firula. O cardápio lembra o dos demais restaurantes do grupo, dividido entre mar e terra. Tudo começa com as conservas: sardinha, manjuba e lascas de bacalhau, feitas na casa e servidas com pão de massa de pizza. Na ala dos frescos do mar tem ostras e vieiras na concha, crudo de peixe, lula…
Dessa vez, me concentrei nas novidades de terra firme: os aspargos frescos grelhados, servidos com bottarga, molho gribiche e ovo cozido (R$73) e flor de abobrinha recheada com mozzarella de búfala e aliche (R$51). Impecáveis. São seis opções de salada, entre elas lentilha com verduras (R$69) e niçoise (R$79).
Entre os pratos, o agnolotti dal plin com o molho do assado é um dos melhores da cidade (R$95) – vai por mim, vivo provando essa massa. Provei também um ótimo bourguignon de cogumelos servido com polenta, legumes e pancetta. E tem ainda filé ao poivre, polvo com purê de batata, brandade de bacalhau, atum…
No almoço durante a semana, prato do dia (R$99), com opções que variam. A partir das 17h, o forno de pizza entra em ação – a de kale com tomate, mozzarella e sobrassada é boa opção (R$96).
Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 1333, tel. 3086-3001 Jardim Europa. Abre todos os dias. Segunda e terça, das 12h às 15h e das 18h às 23h. De quarta a domingo, direto das 12h às 23h. @bareuropa_sp
