AVIÕES VOLTAM A OPERAR APÓS INSTABILIDADE NA …

AVIÕES VOLTAM A OPERAR APÓS INSTABILIDADE NA …

As operações aéreas começaram a voltar à normalidade nesta quinta-feira (24) depois que uma instabilidade na recepção de sinais de GPS por determinadas aeronaves provocou atrasos e cancelamentos em diferentes países e teve fortes reflexos no Brasil.

De acordo com reportagens, a Azul informou que mais de 80 voos foram cancelados e mais de 8 mil passageiros afetados após o problema atingir sua frota de Embraer E2 na terça-feira (22) e na quarta-feira (23). Aeroportos como Viracopos, Confins, Brasília, Congonhas e Recife sentiram os efeitos da alteração da malha.

Nesta quinta-feira, porém, o cenário é diferente. Os E2 da companhia voltaram a operar e não há, até o início desta manhã, registro de uma nova paralisação semelhante à observada na terça-feira. No Recife, por exemplo, os voos foram normalizados após os cancelamentos dos últimos dias.

Apesar da retomada das operações, uma pergunta importante permanece sem resposta: o que provocou a instabilidade?

Não foi uma queda mundial do GPS

Embora as primeiras informações tenham utilizado a expressão “instabilidade global no sistema de GPS”, as evidências disponíveis não apontam para uma interrupção generalizada da rede de satélites utilizada em todo o mundo.

A Honeywell Aerospace, fabricante dos equipamentos instalados nas aeronaves afetadas, informou estar investigando um problema relacionado especificamente à recepção dos sinais de GPS por aviões em diferentes partes do mundo.

A Embraer também confirmou ter recebido relatos envolvendo determinados tipos de aeronaves, incluindo sua família E2, e afirmou estar trabalhando com operadores e com o fabricante dos equipamentos para solucionar a ocorrência.

Até a manhã desta quinta-feira, Honeywell e Embraer ainda não haviam divulgado publicamente uma atualização sobre a falha técnica.

As informações disponíveis apontam, portanto, menos para uma pane dos próprios satélites e mais para um problema envolvendo a recepção ou utilização dos sinais por determinados equipamentos instalados nas aeronaves.

Por que a Azul foi tão afetada?

Aparentemente, a dimensão do problema no Brasil está diretamente relacionada à composição da frota da companhia.

A Azul é uma das principais operadoras do Embraer E195-E2 e utiliza o modelo intensamente em sua malha nacional. Na terça-feira, 43 aeronaves chegaram a permanecer sem decolar, segundo levantamento publicado pela Folha de S.Paulo.

Por volta das 19h daquele dia, dados de rastreamento mostravam que nenhum E195-E2 da companhia estava no ar. A interrupção mais severa durou aproximadamente três horas antes do início da retomada.

O efeito rapidamente se espalhou pela malha. Quando uma aeronave deixa de cumprir um trecho, também não chega ao aeroporto de onde realizaria o próximo voo, afetando conexões, passageiros, tripulações e operações subsequentes.

Em Confins, foram registrados 30 cancelamentos na terça-feira e outros quatro na quarta.

Em Viracopos, principal centro de conexões da Azul, os transtornos se somaram a outro problema independente: uma falha elétrica ocorrida anteriormente no terminal.

O problema também apareceu fora do Brasil

A Honeywell confirmou que o problema relacionado à recepção de sinais foi identificado em aeronaves em diferentes partes do mundo.

O comportamento, entretanto, não foi uniforme. Enquanto a frota E195-E2 da Azul chegou a ficar praticamente parada, aviões do mesmo modelo de outros operadores continuaram voando em outras regiões.

Entender por que algumas aeronaves e operadores foram mais afetados que outros é uma das questões que ainda precisam ser esclarecidas pela apuração.

Por que o GPS dos carros continuou funcionando?

O episódio também provocou uma dúvida: se houve um problema com GPS em diferentes países, por que celulares e automóveis aparentemente continuaram funcionando?

A explicação está na diferença entre o sinal transmitido pelos satélites e os equipamentos responsáveis por recebê-lo e utilizá-lo.

Um automóvel emprega o GPS principalmente para determinar sua localização e orientar uma rota. Smartphones ainda podem combinar esses dados com redes móveis, Wi-Fi e outros sensores.

Em uma aeronave comercial, a informação entra em um sistema de navegação muito mais complexo. Os aviônicos precisam determinar a posição e também avaliar a integridade e a confiabilidade dos dados antes de utilizá-los em determinadas operações.

Até o momento, não há indicação de que o episódio desta semana tenha provocado uma falha generalizada em sistemas GPS de automóveis ou smartphones.

Isso reforça uma distinção importante: o sinal dos satélites pode continuar disponível enquanto um determinado equipamento apresenta dificuldade para recebê-lo, interpretá-lo ou utilizá-lo adequadamente.

Os aviões não ficaram sem navegação

A Embraer esclareceu que a ocorrência não comprometeu a segurança dos voos. Segundo a fabricante, a frota E2 dispõe de outros sistemas e procedimentos de navegação que permitem uma operação segura mesmo diante de instabilidade no GPS.

Isso não significa que os voos possam continuar normalmente em qualquer circunstância. Na aviação comercial, determinados procedimentos dependem de equipamentos e informações que precisam cumprir requisitos específicos de disponibilidade e confiabilidade.

Por isso, uma anomalia pode provocar restrições operacionais, atrasos ou cancelamentos mesmo quando a aeronave continua dispondo de outros meios para navegar com segurança.

O que ainda falta descobrir

A principal questão agora é determinar por que determinados equipamentos apresentaram dificuldades na recepção do GPS praticamente no mesmo período e em diferentes lugares do mundo.

Honeywell e Embraer continuam trabalhando para identificar a origem do problema.

Operação melhora, investigação continua

O cenário desta quinta-feira é, portanto, dividido em duas partes.

Operacionalmente, a fase mais crítica parece ter passado. Os Embraer E2 da Azul voltaram aos céus e os cancelamentos residuais registrados na quarta-feira diminuíram. Dados de rastreamento desta quinta mostram aeronaves E195-E2 da companhia novamente programadas para realizar diferentes trechos da malha brasileira.

Tecnicamente, o caso permanece aberto. Ainda falta descobrir o que fez determinados equipamentos apresentarem instabilidade na recepção dos sinais e por que os efeitos foram tão diferentes entre operadores.

Fonte: antena1

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