ASPIL recebe reconhecimento por avanço na gestão de riscos psicossociais no trabalho

NegóciosASPIL recebe reconhecimento por avanço na gestão de riscos psicossociais no trabalho

Empresa baiana do setor industrial conclui processo de adequação à NR-1 com alta pontuação em proteção psicossocial e recebe Selo Empresa Protetora e troféu de Menção Honrosa

Com mais de três décadas de atuação no setor industrial, a ASPIL Manutenção e Serviços Industriais acaba de acrescentar um novo capítulo à sua trajetória de investimentos em segurança, qualidade e gestão. A empresa concluiu um processo de avaliação e adequação à NR-1, com foco na identificação e no gerenciamento de riscos psicossociais relacionados ao trabalho, e recebeu o Selo Empresa Protetora e o Troféu Empresa Protetora – Menção Honrosa.
O reconhecimento foi concedido pelo Instituto Comunicação Positiva (ICP) após a ASPIL alcançar uma pontuação elevada nos indicadores de proteção psicossocial avaliados durante o processo.
Fundada em 1995, em Feira de Santana, na Bahia, a ASPIL iniciou suas atividades prestando serviços de limpeza e manutenção industrial no Polo Petroquímico de Camaçari. A partir de 1998, ampliou sua atuação para todo o território nacional e incorporou ao portfólio atividades especializadas, como carregamento e descarregamento de catalisadores em reatores com ambientes inertes ou aerados nas indústrias química e petroquímica.
A companhia mantém um Sistema de Gestão Integrada e possui certificações ISO 9001, ISO 14001:2015 e ISO 45001:2018, relacionadas à qualidade, gestão ambiental e saúde e segurança ocupacional.
Para a empresa, o novo reconhecimento reforça um movimento de atualização que acompanha sua própria história.
“Receber esse reconhecimento nos deixa muito felizes porque mostra que uma empresa com mais de 30 anos de história, construída por diferentes gerações, pode continuar evoluindo e se adaptando às novas demandas do mundo do trabalho. A ASPIL sempre investiu muito em tecnologia, qualidade, segurança e eficiência operacional, mas entendemos que inovação também passa pela forma como cuidamos das pessoas”, afirma diretoria, da ASPIL.
Segundo ela, incorporar esse olhar ao ambiente industrial também representa uma evolução cultural.
“Conseguir fortalecer uma cultura de cuidado e prevenção dentro de uma operação industrial tão técnica é algo de que nos orgulhamos. Sabemos que esse ainda é um movimento pouco comum no nosso segmento, e entendemos que cuidar das pessoas também faz parte de uma empresa que pretende continuar crescendo e atravessando gerações”, acrescenta.
Risco psicossocial passa a integrar a gestão das empresas
A adequação à NR-1 tem ampliado uma discussão que, durante muito tempo, permaneceu concentrada em áreas como Recursos Humanos e saúde ocupacional. Fatores relacionados à organização do trabalho passam a ser observados também sob a perspectiva de gerenciamento de riscos.
Sobrecarga, prazos incompatíveis com a capacidade operacional, falhas de comunicação, conflitos recorrentes, ausência de apoio das lideranças, baixa autonomia, falta de clareza sobre responsabilidades e dificuldades na condução de mudanças estão entre os fatores que podem ser identificados durante esse processo.
O desafio, no entanto, não termina com o diagnóstico.
Depois de conhecer os riscos existentes, a organização precisa transformar os resultados encontrados em um plano de ação, definir prioridades e responsáveis, acompanhar a evolução dos fatores identificados e manter registros das medidas adotadas.
Foi justamente essa etapa que norteou o trabalho desenvolvido pelo Instituto Comunicação Positiva junto à ASPIL.
“Um resultado positivo não significa ausência de riscos e também não encerra o trabalho de prevenção. O que diferencia uma empresa madura é a capacidade de conhecer a própria realidade, identificar os pontos que precisam de atenção e manter uma gestão contínua”, explica Priscila Pinto, especialista do Instituto Comunicação Positiva.
Segundo ela, o resultado encontrado na ASPIL chama atenção principalmente quando considerado o ambiente em que a companhia atua.
“O que observamos foi uma estrutura de proteção já bastante consistente, algo especialmente relevante pela complexidade do setor industrial. A NR-1 traz uma oportunidade para que as empresas passem a olhar para os riscos psicossociais com a mesma seriedade com que aprenderam, ao longo dos anos, a administrar riscos físicos, químicos e operacionais”, afirma Priscila.
Do diagnóstico à prevenção contínua
O processo conduzido pelo ICP faz parte do Programa Empresa Protetora, metodologia criada para organizar a gestão dos riscos psicossociais após a etapa de avaliação.
A proposta parte da matriz de riscos da empresa para estabelecer prioridades e transformar os resultados encontrados em ações compatíveis com a realidade da organização. O acompanhamento inclui definição de responsáveis, planejamento das medidas, revisões periódicas e organização das evidências geradas ao longo da implementação.

ASPIL

A lógica é evitar que a adequação fique restrita à produção de documentos ou a ações isoladas.
Para Thaiza Vitória, fundadora do Instituto Comunicação Positiva, uma das principais mudanças provocadas pela discussão em torno da NR-1 está justamente na forma como as empresas passam a enxergar saúde mental e organização do trabalho.
“Durante muito tempo, saúde mental foi tratada dentro das empresas como uma pauta de benefício, campanha ou ação pontual. Quando os fatores psicossociais entram no gerenciamento de riscos, a conversa muda. Sobrecarga, comunicação, liderança, organização das demandas, clareza de papéis e gestão de mudanças passam a ser observadas também como questões de gestão”, afirma.
Thaiza ressalta que o objetivo não é transferir para as organizações a responsabilidade pela vida emocional de seus profissionais.
“Não se trata de transformar empresa em clínica psicológica ou de pressupor que qualquer sofrimento de um colaborador nasceu no trabalho. A questão é outra: entender se existem fatores na maneira como aquele trabalho está organizado que podem gerar ou ampliar riscos e, quando eles forem identificados, demonstrar que a organização está fazendo alguma coisa para preveni-los e controlá-los.”
Reconhecimento não encerra o processo
Embora tenha recebido o Selo Empresa Protetora e a Menção Honrosa pela pontuação alcançada, a ASPIL continuará acompanhando os fatores avaliados.
A continuidade é uma das bases da metodologia. Mesmo quando os indicadores apresentam resultados favoráveis, o acompanhamento preventivo permanece para evitar que mudanças na operação, nas equipes ou na organização do trabalho alterem o cenário ao longo do tempo.
Esse ponto também modifica a percepção de que estar em conformidade significa simplesmente possuir um documento atualizado.
Na prática, uma gestão preventiva exige que a empresa consiga demonstrar quais riscos identificou, o que decidiu fazer em relação a eles, quem ficou responsável pelas ações, como os resultados foram acompanhados e quais medidas foram tomadas quando algum indicador precisou de intervenção.
Para organizações que já convivem com sistemas de qualidade, segurança, auditorias e normas técnicas, o movimento representa uma ampliação da própria noção de risco corporativo.
No caso da ASPIL, ele se soma a uma cultura de gestão construída ao longo de três décadas.

Rebeca Santana
Rebeca Santana
Jornalista com 17 anos de experiência em comunicação institucional e assessoria de imprensa. Atua na cobertura de temas ligados à educação, empreendedorismo e posicionamento estratégico, com foco em liderança, governança e impacto institucional.

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