
Relator da matéria, deputado Guilherme Derrite (PP-SP), reclamou da postura do governo federal em aprovação do projeto antifacçãoFoto: Bruno Spada/ Câmara dos Deputados/ND MaisNesta terça-feira (18), após a aprovação do projeto antifacção, o deputado Guilherme Derrite (PP-SP), relator da matéria, criticou a atuação do governo federal na discussão da matéria. De acordo com o parlamentar, a Câmara dos Deputados entregou o “projeto mais duro e eficaz contra o crime organizado que esta nação já viu”, apesar da resistência de aliados do Planalto.A aprovação do projeto antifacção, após mudanças no relatório, garante penas mais duras, de 20 a 40 anos, para crimes relacionados à atuação de membros de organizações criminosas.Derrite mencionou o uso de barricadas e de drones para impedir a ação policial, cenas que repercutiram na Operação Contenção no Rio de Janeiro, assim como o fim de visitas íntimas e indulto. Além disso, o relator destacou o cumprimento da 70% da pena em regime fechado e, no caso de lideranças, a obrigatoriedade de ser feito em um presídio de segurança máxima. Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir “Pela primeira vez, o filho um faccionado, de um membro de organização criminosa, deixará de receber auxílio reclusão quando o seu pai for preso. Auxílio este que eu defendo para a família da vítima e não para quem escolheu a vida do crime”, comentou Derrite.Guilherme Derrite (PP-SP) defendeu o seu relatório em aprovação do projeto antifacçãoFoto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados/ND Mais
Críticas ao governo federal na aprovação do projeto antifacção
Ao longo da discussão no plenário, parlamentares da base aliada do governo federal reclamaram da falta de diálogo por parte do relator da matéria. Segundo os deputados, Derrite teria inclusive se negado a encontrar-se com o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, para debater o tema nesta terça-feira. O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), afirmou que as tratativas foram feitas por intermédio do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).Por sua vez, Derrite reforçou que a aprovação do projeto antifacção é uma “construção política” com contribuições “de quem vive a realidade”. Segundo ele, o governo federal não o procurou para discutir o tema.“O governo não tinha intenção de debater o projeto para o país, queria politizar. Escolheu distorcer e atacar, preferiu criar mentiras e falsas narrativas ao invés de discutir soluções”, comentou Derrite.Guilherme Derrite realizou a leitura do seu relatório momentos antes da aprovação do projeto antifacçãoFoto: Bruno Spada/ Câmara dos Deputados/ND MaisO termo “narrativas mentirosas” substituiu o “interpretações equivocadas”, que havia sido empregado na coletiva anterior, ao lado do presidente Hugo Motta. Na ocasião, Derrite veio à público garantir que a Polícia Federal não seria prejudicada em seu relatório.“Eu preciso destacar uma narrativa absolutamente mentirosa que foi espalhada por algumas lideranças políticas de que este projeto retiraria poderes da Polícia Federal. Uma distorção da realidade friamente calculada, criada para enfraquecer um trabalho que vinha sendo feito de forma técnica e com diálogo”, afirmou Derrite sobre críticas de aliados do governo.Guilherme Derrite defendeu seu relatório durante aprovação do projeto antifacçãoFoto: Bruno Spada/ Câmara dos Deputados/ND MaisSegundo o deputado, ele permaneceu “calado diante de todos esses ataques, pois queria um texto suprapartidário, técnico.” A sexta versão do relatório, que foi aprovada na Câmara, mantém a maior parte do seu primeiro entendimento sobre a matéria.“O resultado é que 95% do texto aprovado hoje é exatamente igual ao primeiro texto”, comentou Derrite. “O governo tentou impedir a evolução do projeto porque mandou para esta Casa um texto fraco e benevolente com o crime organizado. (…). Um projeto nitidamente alinhado com uma ótica equivocada que trata o traficante como vítima do usuário.”Ao final, o relator da matéria ainda agradeceu o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), por ter mantido o compromisso de pautar o seu relatório. Além de Motta, Derrite mencionou a confiança do governador de São Paulo, Tarcísio Freitas (Republicanos), com quem alinhou o seu afastamento da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo para conduzir o debate sobre o crime organizado na Câmara.O relator do projeto, Guilherme Derrite (PP-SP), agradeceu o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) em aprovação de projeto antifacçãoFoto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados/ND Mais
Fonte: ndmais
