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“A cor é um poder que influencia diretamente a alma”, já dizia o artista russo-alemão Wassily Kandinsky (1866-1944). Se assim for, o marrom chocolate anda soprando novos ares na alma — e no guarda-roupa — de Kate Middleton. Longe de ser apenas um neutro seguro, o tom ganhou status de indulgência sofisticada nas últimas aparições da princesa de Gales, que parece decidida a provar que sobriedade também pode ser tendência.
Kate sempre teve uma fórmula eficiente para compromissos oficiais: os coat dresses de Catherine Walker, a alfaiataria afiada de Alexander McQueen, o scarpin nude quase protocolar. Mas, em visita à Castle Hill Academy, em Croydon, durante a Children’s Mental Health Week, ela ajustou o compasso. Surgiu de blazer marrom chocolate, calça tonal com cinto marcando a silhueta e camisa azul-clara de mangas dobradas — combinação vista nas passarelas de outono 2026 de Prada e Stella McCartney, e que trouxe frescor ao seu repertório monocromático. O detalhe mais revelador, porém, estava nos pés. Em vez do tradicional pump bege, Kate escolheu loafers marrom chocolate da Boden — modelo que também vive seu momento. Traduzindo: menos protocolo, mais moda.
Em encontro no Lambeth Palace com a nova arcebispa da Cantuária, Sarah Mullally — a primeira mulher a liderar a Igreja da Inglaterra —, Kate também apostou em um look integralmente marrom: casaco de ombros marcados e vestido midi de Edeline Lee, em jacquard bubble flou, tecido pensado para mulheres em movimento, que não amassa e renasce sem vincos após tirar de uma mala. Feito no ateliê da estilista no leste de Londres, reforça a mensagem do “Made in Britain” que Kate vem defendendo em visitas a tecelagens históricas e moinhos têxteis pelo país.
Há também algo de harmonia pessoal nessa escolha cromática. O marrom chocolate conversa diretamente com o cabelo castanho natural da princesa — volumoso, brilhante, sempre impecável — criando um efeito de continuidade elegante, como se roupa e beleza falassem a mesma língua. Em um dia particularmente cheio de compromissos no norte da Inglaterra, ela ainda brincou com o penteado, mostrando que até a realeza pode flertar com um certo DIY capilar.
O que torna a guinada interessante não é a cor em si, mas o que ela comunica. O chocolate carrega calor, estabilidade, refinamento discreto. É menos óbvio que o preto, mais profundo que o bege, e infinitamente mais atual do que se imagina. Em tempos de excesso imagético, Kate aposta na contenção estratégica — e, claro, acerta. Um luxo que não grita, mas envolve. E, ao que tudo indica, veio para ficar.




Fonte: veja.abril
