A “ciência” por trás das reuniões de trabalho produtivas

NotíciasA "ciência" por trás das reuniões de trabalho produtivas

Há pouco tempo, Elise Keith, CEO da consultoria Lucid Meetings, fez uma análise cuidadosa das reuniões promovidas por empresas americanas. A partir da análise de estudos científicos, levantamentos e estimativas corporativas, ela chegou a números estrondosos: de 62 milhões a 80 milhões de encontros de negócios são realizados diariamente, no país.
Quando esses dados são projetados no cenário global, nas estimativas mais conservadoras, chega-se 1,55 bilhão de reuniões, todos os dias, ao redor do planeta. Delas, de 20% a 50% são individuais, em um modelo conhecido como one-on-one — ou 1:1.
Estaria tudo certo, se elas fossem produtivas. Só que não. Quase metade dos funcionários americanos sai insatisfeita dos encontros 1:1. Quem garante é o psicólogo organizacional Steven G. Rogelberg, em A arte e a ciência das reuniões — Como fazer encontros mais eficientes, recém-lançado no Brasil, pela Objetiva.
Professor da Universidade da Carolina do Norte, em Charlotte, e editor do Journal of Business and Psychology, ele é um dos principais nomes nos estudos sobre eficácia de equipe, liderança e engajamento corporativo.
A ineficiência não é apenas desperdício de tempo, mas também de (muito) dinheiro. Apenas nos Estados Unidos, as reuniões individuais custam diariamente US$ 1,25 bilhão, às empresas. “Permita-me enfatizar: isso é por dia”, reforça o estudioso.
Há ainda um outro problema. A autoavaliação dos líderes sobre suas competências em conduzir esses encontros parece inflada. A maioria acredita estar de fato fazendo um bom trabalho.
“Assim, existe uma incrível oportunidade de preencher essa lacuna nas habilidades de liderança e maximizar o retorno do investimento para essa atividade crucial no ambiente de trabalho”, sugere o autor.
Esse é o foco principal do livro, que explora em profundidade o formato e o objetivo dos encontros one-on-one, com destaques para os desafios, pontos problemáticos, oportunidades e possibilidades de customização. Para enfatizar as etapas práticas das reuniões individuais, cada capítulo é formulado como uma pergunta a ser respondida com dados científicos e experiências reais.
Ao final, Rogelberg apresenta o que chama de tópicos especiais, como reuniões individuais indiretas (skip-level, com o gerente do gerente ou o subordinado do subordinado) e como lidar com o desafio do excesso de reuniões.
O autor indica ferramentas para ajudar quem ocupa cargos de liderança a promover um encontro de sucesso, incluindo modelos de construção de pauta, checklists, avaliações para testar até que ponto suas habilidades são adequadas e considerações especiais para trabalhadores remotos, entre outros pontos.
Embora dê destaque ao modelo one-on-one, que o psicólogo considera o mais crítico, a maioria do conteúdo discutido na obra também é relevante para outros tipos de discussões, como conversas entre funcionários de mesmo nível hierárquico. “Os insights podem ser aplicados até para melhorar um tête-à-tête informal entre familiares ou amigos”, escreve ele.
Com 240 páginas, o livro custa R$ 79,90 (Foto: Divulgação)
Rogelberg observa que o problema nesse formato de conversa é que, embora a agenda dos líderes esteja lotada de reuniões individuais, orientações sobre como conduzi-las são escassas. E as que existem quase nunca se baseiam em evidências científicas.
Em vez disso, os gestores têm de recorrer ao que lhes parece mais correto; às repetidas práticas vivenciadas com os próprios líderes atuais e antigos; e às suposições.
O psicólogo reúne o conhecimento científico e as orientações mais atualizadas sobre como conduzir esses encontros com eficácia. Um exemplo: as reuniões necessitam de estrutura, mas também de flexibilidade. O gestor deve lidar com questões de curto prazo e se voltar a assuntos de longo prazo; precisa apresentar soluções para os problemas e contribuir para os relacionamentos. A conversa tem de ser feita sob medida para atender às necessidades do indivíduo. Mas, é preciso também consistência, necessária para toda a equipe.
O autor fornece ainda orientações sobre como equilibrar os pratos dessa balança: focar no trabalho, estruturar o processo, adotar uma orientação de curto prazo, promover resultados e responsabilidades, solucionar problemas e personalizar as reuniões individuais.
Para ele, conduzir reuniões individuais realmente produtivas é fundamental ao bom líder. Ao mesmo tempo, essas atividades “são o cerne da experiência e do desenvolvimento de um subordinado direto no trabalho, incluindo o quão bem eles se envolvem e se apegam à sua função, percebem a eficácia de seu gerente e visualizam seu futuro na organização”.
Rogelberg sugere “encontrar a cadência e a duração corretas das reuniões individuais para maximizar o impacto positivo, sem exagerar nas reuniões e gerenciar o equilíbrio intrincado entre construção de produtividade, construção de relacionamento e desenvolvimento de funcionários”. Outra dica é como personalizar a abordagem individual para adequar o chefe e seus subordinados diretos — um único tamanho não serve para todos.
Afinal, quando o encontro é bom, líder e subordinado saem dele mais energizados do que em qualquer outro momentos da semana de trabalho. E seus efeitos são duradouros.
É como diz, a psicóloga Carol Dweck, professora da Universidade Stanford e autora do best-seller Mindset: A nova psicologia do sucesso: “Reuniões individuais podem fortalecer ou acabar com um time. Rogelberg mostra como usar esses encontros para aumentar a produtividade e a satisfação de cada um”.

Fonte: Neofeed

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