Saúde emocional entra no centro da gestão e amplia atenção das empresas aos riscos psicossociais

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Ana Martins desenvolve trabalho voltado a empreendedores, lideranças e organizações, unindo saúde emocional, desenvolvimento humano e prevenção dos fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho

A saúde emocional deixou de ser uma discussão restrita ao campo individual e passou a ocupar um espaço cada vez mais relevante dentro das organizações. Sobrecarga, excesso de demandas, dificuldades de comunicação, relações de trabalho, falta de suporte, pressão e problemas na organização e gestão do trabalho estão entre os fatores que podem repercutir não apenas na saúde das pessoas, mas também na qualidade das relações, na liderança e no funcionamento das equipes.

O tema ganhou ainda mais relevância com a nova redação do capítulo 1.5 da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), em vigor desde 26 de maio de 2026, que passou a mencionar expressamente os fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). O próprio Ministério do Trabalho e Emprego vem disponibilizando guias, manuais e orientações para apoiar organizações e profissionais na implementação das novas disposições.

É nesse cenário que a psicanalista, neurocientista e consultora organizacional Ana Martins vem ampliando sua atuação junto a empresários, empreendedores, lideranças e equipes, com um trabalho que busca identificar aquilo que nem sempre aparece nos indicadores tradicionais de uma empresa, mas que pode repercutir diretamente na forma de trabalhar, liderar e se relacionar.

Ana Psi

“Existem aspectos que não aparecem no faturamento, na planilha ou no organograma, mas aparecem na maneira como as pessoas tomam decisões, se comunicam, lidam com pressão, estabelecem limites e conduzem suas equipes. Muitas vezes, aquilo que está invisível emocionalmente reverbera no funcionamento do negócio”, explica Ana.

A partir dessa perspectiva, a profissional desenvolveu o Método ELEVA 360, estruturado para atender tanto empreendedores e empresários individualmente quanto organizações e suas equipes, sempre de maneira personalizada.

No trabalho individual, o processo funciona como uma espécie de “raio-X” do momento emocional, pessoal e profissional de quem está no comando. São observados aspectos como pressão, sobrecarga, tomada de decisão, limites, centralização, relações, prioridades e padrões emocionais que podem estar interferindo na condução do negócio. A proposta parte de uma pergunta fundamental: o problema que a pessoa acredita ter é realmente a origem da dificuldade ou apenas aquilo que está mais visível?

Já no contexto organizacional, o ELEVA 360 direciona o olhar para fatores relacionados à liderança, comunicação, demandas, autonomia, suporte, relações interpessoais, clareza de papéis e organização do trabalho. O processo segue uma lógica de mapear, compreender, intervir e acompanhar, podendo ser integrado aos profissionais responsáveis pelas demais dimensões de Segurança e Saúde no Trabalho e pelo GRO/PGR.
Essa abordagem está alinhada à orientação atual da Fundacentro de que a gestão dos riscos psicossociais deve olhar para as condições, a organização e a gestão do trabalho, avançando para intervenções capazes de modificar fatores que possam contribuir para o adoecimento, em vez de concentrar toda a responsabilidade no indivíduo.

Para Ana Martins, essa mudança também exige um novo olhar dos próprios gestores.

“Cuidar da saúde emocional não significa apenas oferecer uma palestra sobre ansiedade ou uma ação pontual de bem-estar. Precisamos compreender como aquele trabalho acontece. Se existe sobrecarga, por exemplo, é preciso investigar o que está produzindo essa sobrecarga. É excesso de demanda? Centralização? Falta de pessoas? Problemas de comunicação? Prazos? Liderança? O relatório pode apontar onde está o risco, mas a transformação acontece quando conseguimos compreender sua origem e construir intervenções possíveis.”

A especialista ressalta ainda que esse cuidado começa por quem lidera. Empresários e empreendedores continuam tomando decisões, administrando conflitos, negociando, lidando com dinheiro e conduzindo pessoas mesmo quando estão emocionalmente sobrecarregados.
Por isso, uma das premissas do ELEVA 360 é olhar simultaneamente para quem conduz e para o ambiente que essa pessoa ajuda a construir.
“Não existe empresa emocionalmente saudável sem olhar para as pessoas que a sustentam. O estado de quem lidera repercute nas decisões, nas relações e no ambiente oferecido à equipe. Por isso, saúde emocional e gestão não deveriam caminhar separadas”, afirma.
Com a entrada em vigor das novas disposições da NR-1 e o aumento da atenção sobre os riscos psicossociais, Ana Martins vem concentrando sua atuação técnica justamente nessa interface entre comportamento humano, saúde emocional, liderança, desenvolvimento de equipes e prevenção no ambiente de trabalho, participando de palestras, capacitações e trabalhos com empreendedores e organizações.
Para empresas e gestores que ainda não sabem por onde começar, ela defende que o primeiro movimento não precisa ser uma solução pronta, mas uma análise cuidadosa da realidade.

“Antes de perguntar qual é a solução, precisamos perguntar: o que realmente está acontecendo aqui? Quando conseguimos enxergar o que estava invisível, começamos a construir intervenções muito mais coerentes com a realidade daquela pessoa, daquela liderança ou daquela organização.”

Ana Martins
Psicanalista e Neurocientista | Consultora Organizacional
Método ELEVA 360 | Espaço Neurodinâmico
Brasília – DF

Rebeca Santana
Rebeca Santana
Jornalista com 18 anos de experiência em comunicação institucional e assessoria de imprensa. Atua na cobertura de temas ligados à educação, empreendedorismo e posicionamento estratégico, com foco em liderança, governança e impacto institucional.

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