A inconsistência de uma rede aeroportuária não vem do ativo grande

NegóciosA inconsistência de uma rede aeroportuária não vem do ativo grande

Vem do pequeno, que responde por uma fração do movimento e por boa parte do que não bate no fim do mês.

Por Mariana Soares*

A maioria das concessões administra ativos heterogêneos. Uma rede tem um aeroporto com aviação regular, equipe própria, sistema rodando e processo estabelecido. E outro a quatrocentos quilômetros com três pessoas fazendo tudo, onde o mesmo processo não roda, não por resistência, mas por aritmética de pessoal.

A saída convencional é padronizar. Escolhe-se a ferramenta pelo ativo mais complexo e estende-se ao resto.

O que acontece depois é previsível. Os grandes adotam, os pequenos não. Não porque não queiram: o processo desenhado para uma operação de cinquenta pessoas não cabe numa de três, e a ferramenta que sustenta esse processo custa mais que a operação inteira do ativo pequeno. E o que não cabe volta para a planilha.

O relatório consolidado nunca fecha.

Existem duas exigências ali dentro, e elas puxam para lados opostos.

A entrada precisa ser variada. Cada ativo tem porte, equipe e maturidade próprios, e qualquer registro que ignore isso não é feito.

A saída precisa ser única. Uma concessão que não consegue comparar seus ativos entre si não tem leitura de rede, tem relatórios avulsos empilhados.

Quem trata as duas como a mesma exigência escolhe um lado. Padroniza tudo e perde os ativos pequenos, ou respeita cada realidade e perde a consolidação.

A padronização não está errada. Está aplicada no lugar errado.

O que se registra é igual para toda a rede. Como se registra muda.

O que conta como ocorrência, o que fecha um ciclo, quando um movimento é considerado realizado — isso não pode variar de ativo para ativo, senão nada é comparável. Onde há equipe e sistema, integra-se ao que já existe. Onde há três pessoas, o registro é leve e acontece durante a operação, não depois dela.

Foi sobre essa separação que construí a Auter. E ela já estava operando na nossa própria base antes de eu propor isso a qualquer concessão.

A plataforma roda hoje no Aeroporto Catarina, que chega a 200 voos em um único dia nos períodos de pico, com equipe enxuta, e em aeródromos regionais de perfis completamente diferentes, entre aviação regular e aviação geral. Cada um com o escopo que corresponde ao seu porte. Todos produzindo o mesmo tipo de dado.

Uma concessão não precisa que todos os ativos operem do mesmo jeito. Precisa que todos contem a mesma história.

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