Wellness patches impulsionam debate sobre eficácia

BelezaWellness patches impulsionam debate sobre eficácia

Popularizados nas redes sociais, os wellness patches prometem praticidade, mas ainda enfrentam dúvidas da comunidade científica

Os chamados wellness patches estão ganhando destaque no mercado de bem-estar como uma alternativa aos suplementos em cápsulas e comprimidos. Inspirados nos adesivos transdérmicos já utilizados pela medicina para administração de medicamentos, esses produtos prometem liberar ativos diretamente pela pele para aumentar a energia, melhorar o foco, reduzir o estresse, favorecer o sono e até ajudar no controle do apetite.

A popularização dos adesivos acompanha o sucesso dos pimple patches, usados no tratamento da acne e transformados em acessório de beleza por marcas como Starface e Rhode, de Hailey Bieber. No entanto, enquanto os adesivos para espinhas atuam localmente sobre a pele, os wellness patches prometem transportar vitaminas, cafeína, melatonina e outros compostos até a corrente sanguínea.

Apesar do interesse crescente dos consumidores, especialistas ressaltam que ainda não há evidências científicas suficientes para confirmar que esses produtos entregam os benefícios anunciados. Segundo a dermatologista Caroline Takatu, médica pela USP e preceptora de Cosmiatria da Unifesp, diversos fatores dificultam a absorção de vitaminas e outros ativos através da pele, como o tamanho das moléculas, a concentração das substâncias e a capacidade de atravessar a barreira lipídica cutânea.

A especialista explica que isso não significa que a tecnologia dos adesivos transdérmicos seja ineficaz. Pelo contrário: ela já é amplamente utilizada em medicamentos, como adesivos de nicotina, anticoncepcionais, terapias de reposição hormonal e produtos para controle da dor. O desafio está em comprovar que vitaminas e compostos presentes nos wellness patches conseguem atravessar a pele em quantidade suficiente para produzir os efeitos prometidos.

Outro ponto destacado é que esses produtos ainda não possuem aprovação da Anvisa nem do FDA para as indicações divulgadas pelas marcas. Enquanto o mercado de wellness cresce rapidamente, pesquisadores defendem que são necessários estudos clínicos robustos antes que os adesivos possam ser considerados uma alternativa comprovadamente eficaz para suplementação de vitaminas e outros nutrientes.

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