Surto de Ebola no Congo pode ser o pior de todos …

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Por Emma Farge e Anait Miridzhanian

NAIROBI/DAKAR, 16 Jun (Reuters) – O ​diretor do Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças alertou nesta terça-feira que o surto de Ebola no Congo pode ser o pior de todos os tempos, afirmando que conter a epidemia posteriormente poderia custar bilhões de dólares se as falhas críticas na resposta não forem corrigidas rapidamente.

Mais de 800 casos da rara cepa Bundibugyo, para a qual não há tratamento ou vacina comprovados, foram registrados no Congo, sendo 192 deles fatais. A doença, transmitida por fluidos corporais mesmo após a morte, está se espalhando rapidamente por três províncias, segundo dados do governo.

“Se não contivermos o surto muito em breve, ele será pior do que o que tivemos na África Ocidental e no ⁠leste da RDC”, ⁠afirmou o diretor-geral do CDC da África, ​Jean Kaseya, em ‌uma reunião virtual com chefes de Estado africanos no Burundi.

Seu alerta, que ecoou uma projeção semelhante do CDC dos Estados Unidos, referiu-se ao surto que afetou a Guiné, a Libéria e a Serra Leoa entre 2014 e 2016, que matou mais de 11.000 pessoas, e a um surto menos letal ⁠ocorrido em 2018 no Congo.

Um representante da Cruz Vermelha afirmou separadamente nesta terça-feira que a ​epidemia de Ebola no leste da República Democrática do Congo ainda não havia atingido seu pico.

“Tememos que ​possa levar um ano para erradicar essa doença”, disse Bruno Michon, ‌gerente de operações da ​Federação Internacional ⁠das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, a repórteres por videoconferência a partir do leste do Congo.

A resposta tem sido dificultada pela falta de centros de tratamento e pela resistência da comunidade a medidas rigorosas de higiene. ​Autoridades de saúde afirmaram que, mais de um mês após a declaração do surto, a verdadeira dimensão do problema ainda é desconhecida.

Michon disse que as equipes da Cruz Vermelha, que auxiliam no envolvimento da comunidade e no enterro seguro e digno das vítimas do Ebola, enfrentaram insultos, ameaças e ataques nos últimos dias.

Kaseya, do CDC africano, ​listou uma série de desafios críticos, incluindo recursos insuficientes para rastrear os contatos dos mais de 800 casos confirmados de Ebola.

“Estamos acompanhando apenas 12% das pessoas. Esse é um indicador importante para nós. Significa que, até o momento, não sabemos a magnitude desse surto”, disse ele. Há também uma grande escassez no número de equipes de sepultamento e uma falta relatada de equipamentos de proteção individual, acrescentou.

O CDC da África está buscando US$518 milhões para um plano conjunto com a Organização Mundial da Saúde (OMS) com o objetivo de conter o surto na África, alertando ​que isso poderá custar dezenas de bilhões de dólares no futuro se o apoio não for concedido.

“Se não conseguirmos ‌esses recursos nas próximas quatro semanas, não pediremos ⁠novamente US$500 milhões, mas sim cerca de US$1,5 bilhão. Se atrasarmos isso, serão US$7,5 bilhões”, disse Kaseya.

“Se não investirmos hoje com ações claras para combater todas essas vulnerabilidades das quais estamos falando, teremos que lidar com ⁠um surto que custaria muito dinheiro.”

O presidente da África do Sul, Cyril ⁠Ramaphosa, disse na mesma reunião que aumentará sua contribuição ⁠para o combate ao ⁠Ebola ​para US$13,5 milhões. A China também afirmou que fornecerá mais apoio de emergência.

(Reportagem de Emma Farge e Vincent Mumo Nzilani)

Fonte: antena1

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