Diabo volta à cena: Anne Hathaway, Meryl Streep e a moda em estado máximo

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“Apertem os cintos” — ou melhor, ajustem os cintos dourados e afiem os saltos. O retorno de “O Diabo Veste Prada” não acontece apenas nas telas: já começou, silencioso e afiado, nos tapetes vermelhos ao redor do mundo. E, como seria de se esperar, ninguém entra nesse jogo despreparado.

Duas décadas depois, a sequência chega carregada de um raro simbolismo: “O Diabo Veste Prada 2” não é só um filme que volta, mas uma estética inteira que se reativa. Vem, sim, mais madura, mais estratégica, algo como menos sobreviver à moda e mais comandá-la.

Na primeira parada, na Cidade do México, o recado foi dado com precisão cirúrgica. Meryl Streep surgiu em um terno vermelho de Dolce & Gabbana como afirmação de poder, de controle, de quem ainda dita regras mesmo quando o mundo ao redor muda (e, no roteiro, muda bastante). Já Anne Hathaway, em Schiaparelli, apostou em um vestido com franjas e um cinto dourado escultural que parecia mais armadura do que acessório. Isso porque Andy Sachs não pede mais licença, ela chega ocupando espaço.

Há algo de delicioso em tudo isso. Enquanto a trama fala sobre o declínio das revistas impressas e a reconfiguração do poder na indústria, os looks fazem o movimento oposto — reafirmam o glamour, o excesso calculado, o espetáculo da moda como linguagem. É como se Miranda Priestly ainda sussurrasse, do alto de seus óculos escuros: “Isso ainda importa.” E, sim, importa. Porque Emily Charlton (de Emily Blunt) — agora uma executiva poderosa dentro de um conglomerado de luxo — também entra em cena nesse novo tabuleiro e traz com ela a promessa de uma estética mais afiada, corporativa, quase bélica.

As próximas estreias devem expandir esse vocabulário: alfaiataria impecável, referências aos anos 2000 revisitadas com ironia, e aquele tipo de look que não pede atenção para o que, talvez, seja o maior acerto dessas premières: entender de uma vez por todas que “O Diabo Veste Prada” nunca foi só sobre roupas. Era — e continua sendo — sobre poder. E, pelo visto, ele continua vestindo muito bem.

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Meryl Streep veste Schiaparelli e Anne Hathaway veste Stella McCartney
Meryl Streep veste Schiaparelli e Anne Hathaway veste Stella McCartney (Cristopher Rogel Blanquet/Getty Images for Disney/Getty Images)

 

Anne Hathaway veste Schiaparelli e Meryl Streep veste Dolce & Gabbana
Anne Hathaway veste Schiaparelli e Meryl Streep veste Dolce & Gabbana (Angel Delgado/Getty Images for Disney/Getty Images)

Fonte: veja.abril

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