Empresas brasileiras entram em nova fase: riscos climáticos e ambientais passam a integrar decisões de negócio

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Reguladores nacionais e internacionais consolidam novas exigências para governança climática; cadeias de valor se tornam o principal foco de risco corporativo

São Paulo, novembro de 2025 –À medida que o Brasil se prepara para sediar a COP-30, em Belém (PA), o setor empresarial vive um momento de reorganização estrutural em sua relação com sustentabilidade. O que durante anos foi tratado como agenda voluntária, associada à reputação e responsabilidade socioambiental, passa agora a ser um componente regulatório e estratégico da gestão corporativa. Normas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), do Banco Central do Brasil (BCB), da Superintendência de Seguros Privado (SUSEP) tornam obrigatória a divulgação de informações materiais relacionadas a riscos e oportunidades de clima e natureza.

Esse movimento marca uma mudança de paradigma: sustentabilidade deixa de ser um projeto apartado e passa a integrar os principais processos de tomada de decisão, planejamento financeiro, avaliação de risco e estratégia dos negócios. As empresas passam a ter de mapear e reportar tanto as emissões diretas e indiretas de suas operações quanto os efeitos climáticos sobre seus negócios, incluindo eventos extremos, escassez de água, interrupções logísticas e mudanças regulatórias nos mercados em que atuam.

De acordo com Ana Luci Grizzi, especialista em governança climática e de capital natural, essa transição coloca o Brasil em sintonia com o debate internacional sobre a reorganização da economia diante da emergência climática. “Estamos diante de um ponto de inflexão. Sustentabilidade deixa de ser tratada como uma política acessória e passa a fazer parte da estrutura central de gestão. Empresas que não integram riscos climáticos ao planejamento terão dificuldade de acessar capital, competir globalmente e manter cadeias de suprimento estáveis”, afirma.

A integração entre clima, natureza e finanças corporativas também altera a forma como cadeias produtivas são observadas. Estudos mostram que, no Brasil, a maior parte das emissões corporativas está concentrada no chamado Escopo 3, que inclui fornecedores, logística e uso dos produtos. Ou seja, os impactos não estão apenas dentro da empresa, mas espalhados ao longo de seus relacionamentos comerciais. Isso faz com que companhias de grande porte passem a exigir de fornecedores informações ambientais e padrões mínimos de reporte, criando uma nova dinâmica de engajamento e qualificação em toda a cadeia de valor.

Esse cenário é reforçado por um movimento crescente do sistema financeiro. O Banco Central já orienta que instituições financeiras considerem riscos climáticos nas decisões de concessão. Investidores e fundos internacionais vêm aumentando a pressão por transparência e métricas auditáveis. Empresas que se antecipam ganham acesso a capital com menor custo, enquanto aquelas que não conseguem demonstrar governança climática consistente tendem a enfrentar restrições e perda de competitividade.

A COP-30 surge, portanto, como um marco de coordenação entre o setor produtivo, governos e instituições financeiras. Para Ana, a conferência pode consolidar o papel do Brasil na transição para uma economia mais resiliente e de baixo impacto. “O país tem uma oportunidade singular: combinar biodiversidade, matriz energética elétrica renovável e inovação industrial. Mas isso exige estratégia de longo prazo, métricas verificáveis e capacidade de execução”, diz.

Nos próximos meses, a tendência é que empresas brasileiras aprofundem a integração entre gestão de riscos, planejamento financeiro e impactos ambientais, consolidando práticas de governança climática capazes de sustentar a competitividade no cenário internacional. A transição não se dá apenas por pressão regulatória, mas pela necessidade de garantir continuidade operacional em um mundo marcado por mudanças socioambientais cada vez mais rápidas e complexas.

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