Ler o resumo da matéria
A gestora Squadra Investimentos enviou uma carta à Hapvida, onde critica a gestão da companhia, da qual possui 6,98% das ações. A Squadra solicita a adoção do voto múltiplo na eleição do Conselho de Administração marcada para 30 de abril e indica três candidatos com experiência em alocação de capital e governança.
A gestora aponta uma série de decisões equivocadas desde o IPO em 2018, resultando em uma queda de 85% nas ações, enquanto o Ibovespa subiu 120%. A carta menciona a perda de 238 mil beneficiários e o aumento da alavancagem, além de críticas à remuneração excessiva do CEO e do Conselho.
A Squadra sugere a venda de ativos em regiões com baixo desempenho e propõe alternativas estratégicas para reequilibrar a companhia. A Hapvida está avaliada em R$ 5,2 bilhões, com uma desvalorização de 68,4% em 12 meses.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Em uma dura carta enviada à Hapvida, a gestora Squadra Investimentos elevou o tom contra a companhia, da qual detém uma participação de 6,98% do capital votante.
Na carta, enviada nesta quarta-feira, 1º de abril e publicada em seu site, a Squadra solicita a adoção do voto múltiplo na eleição do Conselho de Administração marcada para 30 de abril. A gestora também indicou três nomes para disputar vagas no colegiado: Tania Sztamfater Chocolat, Bruno Magalhães e Silva e Eduardo Parente Menezes.
Os três, de acordo com a carta da Squadra, possuem experiência em alocação de capital, reestruturação e governança, competências consideradas essenciais para o momento da companhia.
O movimento ocorre após meses de tentativas de diálogo com a administração, que, segundo a Squadra, não resultaram em avanços. “Entendemos ser nosso dever fiduciário reiterar as razões pelas quais julgamos serem cruciais mudanças na composição do Conselho de Administração”, diz um trecho da carta.
A gestora faz um diagnóstico crítico sobre a condução da Hapvida desde o IPO, em 2018. O documento cita uma “sequência de decisões estratégicas, operacionais, de alocação de capital e de governança equivocadas” que teriam levado a uma das maiores destruições de valor da história recente da bolsa brasileira.
Entre os pontos destacados, estão o fato de que a ação acumula queda de 85% desde o IPO, enquanto o Ibovespa subiu 120%, e o fato de que a fusão com a Notre Dame Intermédica teria destruído cerca de R$ 80 bilhões em valor de mercado.
“Ao longo desse período, observou-se uma sequência de decisões estratégicas, operacionais, de alocação de capital e de governança equivocadas que, em nossa visão, foram determinantes para a drástica redução do valor acionário da Companhia, uma das maiores destruições de valor da história do mercado de capitais brasileiro”, escreve a gestora.
A Squadra destaca também que a Hapvida perdeu 238 mil beneficiários no Sudeste e Sul em 2025, apesar de o mercado ter crescido 792 mil vidas no período, e que a alavancagem aumentou, enquanto os spreads de debêntures chegaram a CDI+9%.
A gestora de Guilherme Aché critica também a companhia por não reconhecer impairment de um goodwill de R$ 44 bilhões, apesar da deterioração operacional.
Na carta, a Squadra também aponta falhas de governança, como a introdução de uma poison pill que limita minoritários a 20% do capital — medida aprovada com votos do bloco controlador — e remunerações consideradas excessivas para o CEO e para o Conselho.
“No acumulado dos exercícios de 2023 e 2024, devido ao reconhecimento desse pacote, a remuneração total do executivo mais bem recompensado foi de aproximadamente R$ 110 milhões, cifra que lhe valeu menções, em múltiplas reportagens, como um dos CEOs mais bem pagos do Brasil”, escreve a Squadra.
Sobre a remuneração aprovada para 2026, a Squadra também faz críticas. “A remuneração total prevista de R$ 57 milhões para o Conselho de Administração no ano de 2026, representando cerca de 20% da estimativa de lucro do consenso de analistas de sell-side.”
A carta dedica um capítulo à proposta que será levada à Assembleia Geral Ordinária deste ano. Segundo a Squadra, o plano da administração prevê a reeleição integral dos nove conselheiros atuais e a redução do número de membros independentes.
A gestora também defende que o Conselho avalie alternativas estratégicas, incluindo a venda de ativos no Sudeste e Sul. Para a Squadra, o turnaround nessas regiões não apresentou resultados concretos e carrega alto risco de execução.
Segundo a carta, potenciais desinvestimentos poderiam reduzir significativamente a alavancagem, reequilibrar o capital regulatório, permitir a retomada futura de dividendos, concentrar a gestão nas operações mais rentáveis do grupo e criar valor expressivo para os acionistas.
“Acreditamos que a Hapvida possui ativos que, nas mãos de operadores com foco e habilidades específicas, apresentam oportunidade concreta de recuperação”, escreve a gestora.
A Hapvida está avaliada em R$ 5,2 bilhões. Neste ano, os papéis acumulam queda de 28%. Em 12 meses, a desvalorização é de 68,4%.
Fonte: Neofeed
