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Se o Met Gala 2026, que acontecerá no dia 4 de maio, no Metropolitan Museum of Art (MET) em Nova York, Estados Unidos, promete transformar o tapete vermelho em uma galeria viva, poucos nomes fazem tanto sentido quanto Jean Paul Gaultier. O tema da vez — “Fashion Is Art” — nasce da exposição “Costume Art”, que investiga a centralidade do corpo vestido ao longo da história. E é justamente aí que Gaultier construiu seu império: na fronteira entre pele e tecido, entre roupa e escultura.
Não é de hoje. Em 1994, o estilista apresentou suas malhas quase líquidas, peças que funcionavam como uma segunda pele, muitas vezes com estampas que simulavam tatuagens — um jogo de ilusão que deslocava o olhar do tecido para o corpo. No ano seguinte, foi além: a coleção “Cyber” desenhava silhuetas femininas com gráficos digitais, criando macacões que pareciam mapear o corpo como se fossem obras futuristas. Décadas depois, seguem atuais — e, mais importante, desejáveis.
Mas é impossível falar de Gaultier sem voltar a uma imagem que atravessou gerações: o corset de pontas usado por Madonna na era “Like a Virgin’ dos anos 1990. Mais do que figurino, virou símbolo e, até hoje, é provavelmente a imagem mais forte e icônica da estrela pop — um momento em que moda, música e provocação se fundiram em um único gesto visual. Ali, Gaultier redefiniu o que o corpo podia comunicar e que a moda poderia ser uma poderosa ferramenta.
Essa obsessão — não esconder, mas amplificar — explica por que o arquivo de Gaultier virou mina de ouro no mercado vintage e presença constante nos closets de celebridades. Kim Kardashian, Cardi B, Kendall Jenner e Doja Cat já desfilaram versões de seus icônicos vestidos “colados”, especialmente os da era Cyber. São peças que vestem, moldam, enquadram e, acima de tudo, provocam.
E é aí que a combinação com o Met Gala 2026 se fecha com precisão quase óbvia. Se a proposta é tratar a moda como arte, poucas linguagens são tão literais quanto transformar o corpo em tela. Gaultier entende isso e praticamente inventou esse vocabulário no prêt-à-porter contemporâneo.
Resta saber quem vai encarar. Porque vestir Gaultier, especialmente em sua versão mais radical, exige mais do que styling: pede muita atitude. E, no MET, convenhamos, isso costuma ser metade do look.


Fonte: veja.abril
