23h42 de uma quinta-feira de primavera. O calor voltou, os programas de paquera ao vivo voltaram (pelo menos segundo as 47 mensagens do meu grupo de amigas que está desde 18h30 em um bar hipster na Barra Funda), e eu me vejo aqui, às voltas com minha pia abarrotada de louça (como uma mulher sozinha é capaz de sujar tanta coisa, Senhor?!) e tentando fazer um jantar saudável para mim depois de um dia indigesto. Sei que jantar às 23h42 não é saudável. Sei que deixar a pia caótica não é saudável. Sei que estar prestes a me afundar em autopiedade, em vez de sair para passear e paquerar com as amigas, também não é saudável… Mas, como diz Chico Buarque, “Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu; a gente estancou de repente, ou foi o mundo então que cresceu. A gente quer ter voz ativa, no nosso destino mandar. Mas eis que chega a roda-viva e carrega o destino pra lá.“
