Explorar o espaço exige união global, afirma novo Campeão da ONU para o Espaço

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O astrofísico, professor, e locutor britânico, Brian Cox, foi nomeado no fim de outubro Campeão para o Espaço das Nações Unidas pelo Escritório das Nações Unidas para os Assuntos do Espaço Exterior, Unoosa na sigla em inglês.

Em entrevista à ONU News, o cientista afirmou que o espaço representa tanto uma fronteira de possibilidades infinitas como um teste à capacidad humana de cooperação. No seu novo papel, Cox promete usar a sua voz para explicar por que razão o espaço é “vitalmente importante e maravilhoso”: não apenas para cientistas, mas para todos os que acreditam num futuro partilhado.

O espaço como esforço coletivo

Cox afirmou que, desde sempre, o espaço é uma área que une as pessoas. O astrofísico usou a Estação Espacial como “um exemplo perfeito”, onde a colaboração surge por desejo, mas também por imposição, uma vez que “o espaço não pertence a nenhum país em particular”.

Segundo o cientista, o setor espacial está em plena expansão. Atualmente avaliado em cerca de US$ 700 bilhões, o valor da economia espacial poderá ultrapassar US$ 2 trilhões até 2035.

Para Cox, esta nova era exige cooperação global, regulação comum e ambição partilhada. Ele ressalta que não faz sentido falar de defesa planetária, exploração lunar ou mineração de asteróides de forma isolada, pois “são tarefas que exigem um olhar verdadeiramente mundial.”

Tornar a ciência acessível a todos

Cox afirmou que, no seu novo papel, pretende tornar a ciência e a exploração espacial mais compreensíveis e próximas do público, mas também de líderes políticos e empresariais. O cientista explica que “a ciência é um dos pilares da nossa civilização”, e se as pessoas não compreenderem os benefícios que ela traz, não podem participar no seu fortalecimento, pois “um défice de conhecimento leva a más decisões.”

Para além da vertente económica, o astrofísico salientou que a exploração espacial ajuda a humanidade a enfrentar questões fundamentais, como a possibilidade de existir vida fora da Terra.

Quebrar mitos sobre o espaço

Cox rejeita a ideia de que investir no espaço é um luxo. Segundo ele, o argumento recorrente de que se deve resolver os problemas do planeta antes de olhar para o espaço inverte a lógica; pois o espaço “já é essencial para enfrentar esses mesmos problemas”.

O professor destacou o papel dos satélites na monitorização climática, na gestão de catástrofes e nas comunicações globais, bem como dos sistemas de navegação por GPS, cruciais para o transporte aéreo e para o comércio internacional. Cox afirmou que “o espaço já faz parte do nosso quotidiano e o seu impacto só vai aumentar.”

Um satélite, visto do espaço, rastreia a América do Sul

Um satélite, visto do espaço, rastreia a América do Sul

Democratizar o acesso à economia espacial

O novo Campeão da ONU defendeu que todos os países, incluindo os em desenvolvimento, devem ter voz ativa no futuro da economia espacial. Para Cox, as razões que legitimam a participação de todas as nações no espaço coincidem com as que sustentam a sua integração na economia terrestre; afinal, “o espaço é um domínio sem fronteiras”.

Com o avanço de projetos como bases lunares e exploração de asteróides, ele apelou à criação de regras globais inclusivas, garantindo que os benefícios do espaço sejam partilhados de forma justa. As normas definidas agora, sustenta o astrofísico, moldarão como a humanidade cresce como civilização multiplanetária.

Cooperação além das fronteiras

Para Cox, o espaço é um espelho da capacidade humana de cooperação. Questões como as alterações climáticas, o controlo de pandemias ou a gestão da inteligência artificial ignoram fronteiras, e “o mesmo se aplica ao espaço”.

Segundo ele, “é por isso que precisamos das Nações Unidas”, para lembrar que se olha para o céu, se vê as mesmas estrelas, e “partilhamos o mesmo futuro.”

Fonte: veja.abril

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