A corrida está entre os esportes mais praticados no Brasil. Segundo a Confederação Brasileira de Atletismo, o país já soma mais de 14 milhões de corredores de rua amadores.
Com a popularização da modalidade, surgiram alternativas mais baratas para treinar. Uma delas viralizou nas redes sociais: usar óculos de obra, conhecidos como EPI, no lugar de modelos esportivos.

Mas será que essa economia vale a pena?
Especialistas em oftalmologia alertam que, apesar de parecerem semelhantes, os dois tipos de óculos têm funções diferentes.
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Diferença de preço chama atenção
Um óculos de corrida custa, em média, entre R$ 150 e R$ 300.
Já os modelos usados na construção civil variam de R$ 20 a R$ 30.
A diferença de valor levanta a dúvida: se ambos protegem os olhos, por que pagar mais caro?
A resposta está na finalidade de cada produto.
O que muda na prática?
Os óculos de obra são classificados como EPI (Equipamento de Proteção Individual).
Eles são desenvolvidos para proteger contra impactos, partículas, respingos químicos e riscos ocupacionais.
O foco é a segurança no ambiente de trabalho, seguindo normas técnicas específicas.
Já os óculos esportivos são projetados para desempenho em movimento.
Eles priorizam:
Além disso, costumam oferecer proteção UV adequada e controle de luminosidade pensado para atividades ao ar livre.
Embora ambos possam proteger contra impactos, a experiência de uso é diferente.
Óculos de obra aumentam o risco na corrida?
Não há evidências robustas de que o uso ocasional de óculos EPI aumente diretamente o risco de acidentes durante a corrida.
O principal ponto não é o perigo imediato, mas o desempenho visual e o conforto.
Alguns fatores podem interferir na prática esportiva:
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Campo de visão reduzido.
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Ventilação insuficiente.
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Embaçamento com suor.
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Possíveis distorções periféricas.
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Instabilidade com impacto repetitivo.
Em corridas mais longas, esses detalhes fazem diferença.
O Certificado de Aprovação garante proteção esportiva?
O CA (Certificado de Aprovação) é emitido pelo Ministério do Trabalho e comprova que o EPI segue normas técnicas, como a NR-6.
Ele atesta resistência a impactos, partículas e agentes agressivos.
Porém, o CA não avalia a qualidade óptica da lente.
Isso significa que o produto pode ser seguro para o trabalho, mas não necessariamente adequado para a prática esportiva.
O certificado também não garante automaticamente proteção contra radiação ultravioleta.
A proteção solar depende das especificações da lente e deve estar claramente indicada pelo fabricante.
Se a lente for escura, mas não tiver filtro UV comprovado, pode haver risco maior de dano ocular.
Proteção UV: ponto essencial para quem corre
Para atividades ao ar livre, a proteção contra raios UVA e UVB é indispensável.
Nem todo óculos de obra oferece esse filtro.
Já os modelos esportivos costumam trazer essa informação de forma clara e certificada.
Em treinos frequentes e sob sol intenso, esse cuidado é fundamental para preservar a saúde ocular.
Como escolher o óculos ideal para corrida?
Especialistas recomendam observar critérios ligados à qualidade óptica e à proteção ocular:
Proteção UV comprovada
Deve indicar 100% de proteção contra raios UVA e UVB.
Ausência de distorções
Ao olhar para linhas retas e mover levemente os óculos, a imagem não deve parecer ondulada.
Nitidez uniforme
A visão precisa estar clara tanto no centro quanto nas bordas da lente.
Conforto visual
O uso não deve causar dor de cabeça, tontura ou ardor ocular após alguns minutos.
Boa cobertura lateral
Ajuda a reduzir a entrada de luz periférica e melhora o foco.
Vale a pena economizar?
Para uso ocasional e temporário, um óculos EPI com proteção UV comprovada pode atender.
Mas, para quem corre com frequência ou por longos períodos, o modelo esportivo é mais indicado.
Ele oferece melhor adaptação ao movimento, reduz o risco de embaçamento, melhora o campo visual e contribui para menor fadiga ocular.
Na prática, não se trata apenas de estilo ou preço.
Trata-se de desempenho, conforto e saúde visual durante o treino.
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Fonte: sportlife
