Marcos Muzzi cria abelhas, mas não poderia acrescentar nem sequer uma gota de mel ao tiramisù que acabaria por lhe render um título mundial. O paulistano de 51 anos, que também é produtor de eventos e confeiteiro amador, venceu, no domingo (11), a categoria de receita original da Tiramisù World Cup, competição realizada em Treviso, na região italiana do Vêneto. Em Ibiúna, no interior paulista, ele mantém um meliponário dedicado à criação de abelhas sem ferrão, atividade conhecida como meliponicultura.
Para conquistar o júri, o brasileiro precisou trabalhar com os mesmos seis ingredientes disponíveis a todos os concorrentes: ovos, açúcar, mascarpone, biscoitos savoiardi, conhecidos no Brasil como biscoitos champanhe, café e cacau.

Marcos Muzzi durante a premiação da Tiramisù World Cup 2026, após conquistar o título de campeão da categoria de receita original Foto: Vinícius Araújo
A vitória veio na décima edição do campeonato, que reuniu 320 participantes de 33 países. Criado em 2017, o torneio é voltado a cozinheiros amadores. O regulamento não admite quem tenha trabalhado por pelo menos seis meses, nos dois anos anteriores, em cozinhas profissionais ou confeitarias. A competição tem etapas classificatórias, semifinais e decisão avaliada por um júri que pode reunir profissionais de gastronomia e representantes de outros setores.
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O campeonato tem duas categorias. A de receita original, vencida por Muzzi, exige fidelidade aos seis ingredientes tradicionais, sem substituições ou acréscimos. Já na categoria criativa, os participantes podem trocar os biscoitos por outra base, substituir o açúcar e incluir até três ingredientes extras.
O segredo do tiramisù campeão

O tiramisù que deu a Marcos Muzzi o título mundial: preparado com os seis ingredientes tradicionais, o doce apresenta camadas de creme e biscoitos embebidos em café, com cobertura de cacau Foto: Vinícius Araújo
Muzzi vinha treinando havia mais de dois anos para conquistar o título. Ao Paladar, ele revelou que seu maior desafio na competição foi “encontrar o equilíbrio de dulçor para os paladares brasileiros e italianos”, já que, “na Itália, a preferência é por uma sobremesa menos doce”.
E o que, afinal, teria feito seu tiramisù se destacar entre os concorrentes? “Técnica apurada, harmonia entre os sabores e texturas de todos os ingredientes, uniformidade em qualquer colherada e temperatura”, enumerou o brasileiro.
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A preparação para a conquista passou por competições anteriores. Em junho, Muzzi venceu a final brasileira da Tiramisù World Cup, realizada durante o São Paulo Coffee Festival, no Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera. Em 2025, ele conquistou o primeiro lugar na etapa paulista da categoria original, disputada em Campinas-SP.

Marcos Muzzi ergue o troféu da Tiramisù World Cup 2026, em Treviso, na Itália, após conquistar o título mundial na categoria de receita original Foto: Vinícius Araújo
Para quem pretende preparar a sobremesa em casa, o campeão recomenda começar pela escolha dos ingredientes, especialmente do queijo utilizado no creme. “A principal dica é utilizar um queijo mascarpone italiano de boa qualidade”, afirma.
As proporções e o modo de preparo que lhe renderam o título ainda não foram divulgados. Segundo Muzzi, a receita será publicada pela organização do campeonato e por seus parceiros.
Brasileiros acumulam conquistas no campeonato
O título de Muzzi é o segundo conquistado pelo Brasil na categoria de receita original. A primeira vitória veio em 2023, com Patrícia Guerra, de São Paulo, então com 48 anos. Advogada e apaixonada por gastronomia, ela voltou ao campeonato, no ano seguinte, como integrante do júri.
Em 2024, outro brasileiro chegou ao pódio. O engenheiro aeronáutico Mauro Akio Kamiguchi, também de São Paulo, ficou em terceiro lugar na categoria original, atrás das italianas Nadia Ceoldo e Stefania Bovo.
Fabiana Boreli, que voltou a competir neste ano, também tem um histórico de participações. Ela foi finalista da seleção brasileira em 2023 e 2024, e conquistou o título nacional da categoria criativa em 2025 com uma combinação de presunto de Parma desidratado, mostarda e açúcar explosivo. A receita, pouco convencional, lhe garantiu uma vaga na competição italiana daquele ano.
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Na final de domingo, Fabiana disputou a categoria original e terminou em terceiro lugar, atrás da francesa Nadia Larbi, segunda colocada, e do campeão Marcos Muzzi.
O Brasil também chegou ao pódio da categoria criativa. O vencedor foi o italiano Ciro Tomassini, de Vicenza, também no Vêneto, que apresentou um tiramisù em formato de colmeia, preparado com compota de framboesa, chocolate branco e mel com limão.
Em segundo lugar ficou Juliana Nardelli, de Jaraguá do Sul-SC. Ela levou à final italiana uma versão de tiramisù com doce de abóbora, sementes de abóbora tostadas e salgadas e chocolate amargo brasileiro.
