Bolo de aniversário de antigamente

GastronomiaBolo de aniversário de antigamente

Pensa num bolo que dá trabalho: 7 camadas de sabor e texturas diferentes em um preparo que consome cerca de 4 horas na cozinha. O Bolo Martha Rocha é para os bravos, que resistem a praticidades em nome do sabor e do glamour dos doces do passado que voltam à cena.

Como traduziu a nossa editora de redes, Bia Tavares, na última reunião de pauta, baseada em suas pesquisas em sites de tendências: “tempos difíceis pedem comida de conforto”. Nesse caso, o conforto fica por conta do sabor velho conhecido das gerações mais longevas e completamente novo a novos desbravadores da cena gastronômica no Brasil.

A confeiteira Otávia Sommavilla, autora dos três volumes da Enciclopédia dos Bolos (Melhoramentos), tem uma opinião bem definida sobre esse clássico da doçaria nacional. “Amo bolos vintage, não sei por que esquecemos de tantas receitas boas”, diz. “Concordo que algumas receitas antigas pecam pelo excesso de açúcar, mas cabe a nós as devidas adaptações”.

No volume dedicado a bolos com grau de dificuldade “intermediário”, Otávia incluiu a receita do seu Naked Cake Matha Rocha. O bolo, como já diz o nome, deixa explícitas as camadas de sabor do Matha Rocha: “O maior desafio da receita original é a camada de merengue, muitas vezes assada individualmente, como um disco”, explica. “Para simplificar a receita, substituí o disco por uma camada de pequenos merengues, que podem ser comprados prontos”.

Publicamos recentemente uma matéria que rendeu milhares de corações apaixonados pelos doces vintage. Os comentários faziam menções a docinhos como o olho de sogra, sanduíches coloridos de festa e, olha só, ao famoso Martha Rocha.

Anatomia da receita original

O bolo leva o nome da baiana Martha Rocha, a lendária Miss Brasil que quase foi Miss Universo “não fossem aquelas duas polegadas extras no quadril”, como anunciava a fake news alardeada pelo jornalista carioca João Martins, da revista O Cruzeiro — uma das mais lidas nos anos dourados —, e que virou lenda no universo dos concursos de beleza.

Comida fora de moda ou ícones eternos da gastronomia que merecem ser revividos?

Para que o bolo fosse “à altura” da homenageada, ele precisava ser alto, elegante e cheio de camadas. A sacada genial foi a seguinte: o bolo leva uma camada generosa de merengue — que fazia referência direta às duas polegadas extras que impediram a miss e conquistar o mundo.

Um legítimo bolo Marta Rocha é uma “engenharia” de sabores composta por:

– Pão de ló: uma camada de chocolate e outra de baunilha.

– Disco de Suspiro: o coração do bolo, que traz a crocância.

– Creme de Ovos, parecido com a Baba de Moça, mas sem o leite de coco: o toque clássico da doçaria portuguesa/brasileira.

– Nozes: picadas e misturadas ao recheio ou ao chantilly

– Chantilly: para dar leveza e cobrir toda a estrutura.

– Fios de Ovos: usados na decoração externa para arrematar o bolo com elegância.

Felicidade pouca é bobagem

A confeiteira Lu Bonometti nunca fez um Martha Rocha, mas valoriza a receita justamente por reunir tantos ingredientes e camadas e, mesmo assim, resultar em um bolo harmonioso tanto visualmente quanto no sabor: “Nem se compara o trabalho que dá fazer um bolo como esse com um bolo de aniversário contemporâneo, com massa de um sabor só e recheio às vezes apresentado em uma única camada”.

A chef Carla Pernambuco é mais reticente quanto ao retorno do bolo à cena da confeitaria de festa. “Quando eu era criança, o Martha Rocha era modinha em aniversários e casamentos”, conta. “Amo ameixa passa, doce de ovos, nozes, mas acho que as crianças de hoje não encarariam mais esses sabores”.

O confeiteiro Ricardo Doudt, vencedor da quarta edição do Bake Off Brasil, é outro entusiasmado defensor do Bolo Martha Rocha. “Como bom curitibano, cresci comendo esse bolo em dias de festa em casa”, conta. Em sua loja de doces, A Confeitaria, o bolo é o carro-chefe da casa, estrela maior da vitrine em que divide as atenções com outro docinho vintage: o camafeu de nozes.

Doces inesquecíveis dos anos 80

Ricardo fez algumas adaptações com relação à receita original. Em vez dos fios de ovos no topo do bolo, optou por uma camada generosa de praliné de castanhas. E no lugar da geleia de ameixa, optou pela geleia de damasco: O Marta Rocha é uma explosão de sabores e texturas, é um bolo surpreendente”, derrete-se.



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