POR QUE AS JOIAS RESISTEM MELHOR À QUEDA NAS …

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Em um mercado de luxo que enfrenta dificuldades para recuperar o ritmo de crescimento, as joias vêm demonstrando maior resistência do que roupas e bolsas. A diferença aparece nos resultados de grandes grupos internacionais e ajuda a explicar por que marcas como Cartier e Van Cleef & Arpels continuam atraindo consumidores mesmo em um cenário de maior cautela nos gastos.

Uma das principais referências desse movimento é a suíça Richemont, proprietária dessas duas joalherias. No primeiro trimestre de seu ano fiscal de 2027, encerrado em junho, o grupo registrou crescimento de 20% nas vendas, considerando taxas de câmbio constantes. A divisão de joias teve desempenho ainda mais expressivo, com alta de 24%.

O cenário contrasta com as dificuldades enfrentadas por algumas das maiores empresas de moda. Os resultados recentes da LVMH, dona de marcas como Louis Vuitton e Dior, mostram que a recuperação do setor segue desigual.

O que torna as joias mais resistentes?

Uma das explicações está na percepção de valor. Peças de alta joalheria costumam ser associadas à durabilidade, ao trabalho artesanal e à tradição das marcas. Diferentemente de roupas e acessórios ligados a tendências sazonais, determinados modelos de joias permanecem desejados por muitos anos.

O simbolismo também tem peso. Anéis, colares e pulseiras podem marcar ocasiões especiais, funcionar como presentes importantes ou ser adquiridos para celebrar momentos pessoais. Isso ajuda a sustentar a procura mesmo quando consumidores passam a avaliar com mais cuidado outras compras de alto valor.

Há ainda a relação com os materiais utilizados. Ouro e pedras preciosas fazem parte da composição de muitas peças, embora isso não signifique que toda joia seja um investimento financeiro seguro ou que seu preço de revenda acompanhe automaticamente o valor das matérias-primas.

Cartier está entre as marcas que impulsionam os resultados da Richemont

Os números mostram uma diferença entre categorias

A disparidade ficou evidente nos resultados divulgados pela LVMH para o terceiro trimestre de 2026. As vendas orgânicas do grupo avançaram 1% em relação ao mesmo período do ano anterior, mas a divisão de moda e artigos de couro recuou 5%. Já o segmento que reúne relógios e joias cresceu 6%.

Os números não significam que todas as joalherias estejam crescendo nem que todas as marcas de moda estejam em queda. Eles indicam, porém, que as categorias respondem de maneira diferente às condições do mercado.

A Richemont se destaca justamente por ter uma parcela importante de seus negócios concentrada na joalheria. Além da Cartier, o grupo reúne nomes como Van Cleef & Arpels e Buccellati, marcas que trabalham com peças de alto valor e forte identidade própria.

Por que roupas e bolsas enfrentam mais pressão?

O segmento de moda e artigos de couro depende de uma combinação de fatores: renovação de coleções, desejo por novos produtos, percepção de exclusividade e disposição dos consumidores para pagar preços elevados. Quando a confiança diminui, essas compras podem ser adiadas ou substituídas por alternativas mais acessíveis.

A desaceleração na China também pesa sobre o setor. O país é um mercado importante para as grifes internacionais, e a perda de confiança dos consumidores tem afetado as perspectivas de recuperação. No terceiro trimestre, a LVMH registrou queda de 5% nas vendas orgânicas de moda e artigos de couro, enquanto as vendas na Ásia, excluindo o Japão, também recuaram.

Outro desafio é justificar preços cada vez mais altos. Quando o consumidor começa a questionar se uma bolsa ou peça de roupa oferece valor proporcional ao que custa, a marca precisa reforçar sua diferenciação por meio de design, qualidade e experiência de compra.

O luxo não está em queda por igual

A resistência da joalheria mostra que o mercado de luxo não atravessa uma crise uniforme. O desempenho depende da categoria, da força de cada marca e da região em que ela atua. Enquanto algumas grifes de moda buscam recuperar o interesse do público, as joalherias mais consolidadas continuam encontrando espaço para crescer.

Isso não elimina os riscos. A alta dos preços dos metais preciosos, as incertezas econômicas e mudanças nas preferências dos consumidores também podem afetar as vendas de joias. Mesmo assim, os resultados recentes sugerem que a combinação entre tradição, materiais valorizados e significado pessoal tem ajudado o segmento a atravessar um período difícil para o luxo.

Para as grandes marcas, o desafio agora é transformar essa vantagem em crescimento duradouro. E, para o setor como um todo, a diferença entre joias e moda reforça uma questão central: em tempos de consumo mais seletivo, não basta vender exclusividade, é preciso convencer o cliente de que aquela compra continua valendo a pena.

Fonte: antena1

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