Minoritários da Toky pedem OPA de quase R$ 2 bilhões contra fundos da SPX e da DSK

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O IDI e 39 acionistas minoritários do Grupo Toky, dono da Mobly e da Tok&Stok, pediram à CVM que fundos da SPX e da DSK sejam obrigados a fazer uma OPA. Segundo a reclamação, eles atuaram em conjunto e somaram 30,8% do capital, acima do limite de 20% que, pelo estatuto, obriga a comprar as ações dos demais. O preço pedido é de R$ 1.008 por ação, quase 100 vezes a cotação de R$ 10,24. Pelas contas do NeoFeed, o desembolso chegaria a R$ 1,9 bilhão.
A reclamação diz que o DFS, da SPX, dividiu suas debêntures em duas séries e vendeu à DSK a que convertia a R$ 0,011 por ação, com pagamento financiado pelo próprio fundo. Após o pedido de recuperação judicial, os fundos da DSK foram liquidados e as ações foram parar em duas empresas ligadas a Nassau. Os minoritários pedem que a CVM aja antes da assembleia de 6 de novembro, que elegerá o conselho. A SPX diz que as operações foram independentes e a mercado.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

O Instituto de Defesa dos Investidores (IDI) e 39 acionistas minoritários do Grupo Toky, dono da Mobly e da Tok&Stok, protocolaram na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) um pedido de oferta pública de aquisição (OPA) do grupo varejista de móveis e decoração.
O alvo são fundos geridos pela SPX Private Equity e pela DSK Capital, que teriam atuado em conjunto para acumular cerca de 30,8% do capital da companhia — acima do limite de 20% que, pelo estatuto, obriga quem o ultrapassa a comprar as ações dos demais acionistas.
Os minoritários pedem que a oferta seja feita a cerca de R$ 1.008 por ação. O cálculo é baseado no preço mínimo previsto no estatuto, de 120% do maior valor de referência. A reclamação não detalha a conta, mas o valor coincide com o preço de conversão da 1ª série de debêntures emitidas pela Toky, de R$ 10,50 por ação, ajustado pelos grupamentos feitos em 2026.
Segundo a reclamação, a engenharia começou em 3 de dezembro de 2025, quando os debenturistas aprovaram dividir as debêntures conversíveis da Toky — todas do fundo DFS, gerido pela SPX — em duas séries com preços de conversão diferentes.
A 1ª série, de R$ 130,8 milhões, convertia a R$ 10,50 por ação. A 2ª, de R$ 1,3 milhão, convertia a R$ 0,011, um preço 951 vezes menor. Com isso, 1% da emissão passou a valer 92% das ações que as debêntures poderiam gerar. Em 26 de dezembro, o DFS vendeu parte dessa 2ª série a dois fundos geridos pela DSK, o TKM e o DeLorean, que a converteram quatro dias depois em cerca de 42 milhões de ações.
Pelas contas dos minoritários, a posição custou cerca de R$ 32,4 milhões, ou R$ 0,77 por ação, valor financiado pelo próprio DFS e que, segundo a reclamação, os compradores nunca desembolsaram.
Pelas contas do NeoFeed, se a OPA fosse feita nos termos pedidos pelos minoritários, o desembolso teórico chegaria a cerca de R$ 1,9 bilhão, valor necessário para comprar todas as ações que não estão nas mãos do grupo. É cerca de 70 vezes o valor de mercado da Toky hoje, de cerca de R$ 28 milhões.
Ao preço pedido, a Toky inteira valeria cerca de R$ 2,7 bilhões, mais do que a Mobly valia quando estreou na B3, em fevereiro de 2021. Na época, as ações saíram a R$ 21 no IPO, o que avaliou a companhia em cerca de R$ 2,2 bilhões. Na base acionária atual, ajustada pelos grupamentos, aquele preço equivaleria a R$ 1.680 por ação.
A cotação de R$ 10,24, do fechamento da sexta-feira, 2 de outubro, corresponde a uma desvalorização de 99,4% para quem entrou no IPO. A reclamação lembra que a oferta da Mobly captou R$ 812 milhões de investidores brasileiros.
A queda se acelerou depois da operação. No fim de novembro de 2025, antes da conversão das debêntures, a ação da Toky valia o equivalente a R$ 80 na base atual. Fechou dezembro a R$ 64,80 e, em 2026, acumula queda de 84,2%, até os R$ 10,24 de sexta, 2.
A reclamação aponta ainda que, duas semanas depois do pedido de recuperação judicial da Toky, TKM e DeLorean foram liquidados e repassaram as ações, junto com a dívida registrada como “Financiamento SPX”, a seus cotistas: a Solver Soluções Críticas e dois sócios da própria DSK, Felipe Fonseca Pereira e Diego Stark.
Em agosto, conforme comunicados divulgados pela Toky, essas ações, junto com a participação vendida pelos fundos da SPX, passaram a figurar em nome de duas empresas recém-criadas, a Soller Participações e a Paladino Capital. De acordo com os documentos anexados à reclamação, elas têm capital social de R$ 100 e R$ 10 mil, respectivamente, e são controladas por sociedades sediadas em Nassau, nas Bahamas.
Os minoritários afirmam que a soma das duas posições bate com as ações que os fundos da SPX, o TKM e o DeLorean declararam no mapa de votação da assembleia de 5 de agosto de 2026.
A reclamação também aponta o papel de Fabio Ferrante, diretor financeiro e de relações com investidores da Toky e membro do conselho de administração. Segundo o documento, foi ele quem representou a Solver nas assembleias que decidiram a liquidação do TKM e do DeLorean, assinando as listas de presença a partir de um e-mail da AGI Partners, consultoria da qual é sócio-diretor.
Os minoritários afirmam ainda que a AGI presta serviços à Toky desde julho de 2025, com remuneração mensal da ordem de R$ 400 mil, sem que a relação tenha sido divulgada como transação com parte relacionada. Em agosto, de acordo com a reclamação, foi a Solver que comprou a participação remanescente dos fundos da SPX, transferida depois à Soller.
A pressa dos minoritários tem data. A Toky convocou para 6 de novembro uma assembleia que vai eleger o novo conselho de administração, com mandato de dois anos. Segundo a reclamação, as posições de Soller e Paladino, somadas às do Aurora FIP e da Domus Aurea, chegam a 43,17% do capital, o suficiente para definir a composição do colegiado.
Por isso, os minoritários pedem que a CVM se manifeste antes da assembleia e que os direitos de voto do grupo sejam suspensos, como prevê o estatuto para quem deixa de fazer a OPA.
Em reportagem publicada pelo NeoFeed, pessoas próximas à SPX afirmaram que a gestora buscava havia anos se desfazer da posição na Toky e que todas as conversões feitas por seus veículos foram a R$ 10,50 por ação. Segundo essas fontes, as debêntures que não encontraram comprador foram convertidas para venda em bolsa — “são ações sem liquidez, e a SPX foi encontrando quem queria comprar”, disse uma delas.
Na reclamação, os fundos da SPX sustentam ainda que as operações foram negociações independentes, em condições de mercado, e que não há acordo de acionistas com os compradores. Sobre o “Financiamento SPX”, afirmam que o termo teria sido usado “de forma atécnica” para designar o pagamento diferido do preço.
Procuradas pelo NeoFeed, Toky, SPX e DSK não se manifestaram até a publicação desta reportagem.

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Fonte: Neofeed

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