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O governo brasileiro está se preparando para adquirir supercomputadores como parte de uma estratégia para impulsionar investimentos em Inteligência Artificial (IA), com um investimento previsto de R$ 23 bilhões até 2028. Especialistas alertam que é crucial envolver o setor privado para avançar na tecnologia.
Em uma reunião com o presidente Lula, foram discutidas sugestões para enfrentar os desafios da IA no Brasil. A ministra Esther Dweck reconheceu que contratos para supercomputadores já existem, mas em escala insuficiente.
Especialistas destacaram a necessidade de aumentar a capacidade energética e reter talentos na área. Áreas prioritárias para o desenvolvimento de IA incluem agronegócio, finanças, saúde pública e monitoramento ambiental.
A colaboração entre governo e setor privado é vista como essencial para o sucesso da estratégia, com a expectativa de anúncios em breve sobre a compra de supercomputadores e políticas de regulação e financiamento para IA.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Brasília – O governo brasileiro vem gerando no mercado uma expectativa de que deve, em breve, comprar “supercomputadores”, em um dos pilares de uma estratégia ampla para fomentar investimentos e ações em inteligência artificial (IA) no País – e um aceno à disputa geopolítica em torno da tecnologia.
O Executivo já conduz um Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) há dois anos, com meta de investir R$ 23 bilhões até 2028 (dos quais já executou mais de R$ 14 bilhões), já lançou programas de repatriação de dados, investiu em uma nuvem de governo e também no reforço de aplicações em IA.
Especialistas ouvidos pelo NeoFeed contam que vêm aconselhando o governo de que o Brasil precisa envolver o setor privado e os diferentes segmentos da economia, pelo menos em um estágio futuro se quiser dar passos mais largos no avanço em IA.
Na terça-feira, 11 de agosto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamou ao palácio do Planalto cinco especialistas na área para dar sugestões e apontar rumos para o desafio brasileiro em IA. “Vamos entrar na era da IA, não tem mais volta”, disse Lula na ocasião.
Participaram também o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e diversos ministros, como Dário Durigan (Fazenda), Alexandre Oliveira (Minas e Energia) e Luciana Santos (Ciência e Tecnologia).
A própria ministra Esther Dweck (Gestão), que conduziu o encontro, admitiu que o governo já mantém contratos para compra de supercomputadores, mas não em escala necessária ainda.
“O foco agora é o Estado conseguir coordenar essa agenda em parceria muito forte com o setor privado para o Brasil não perder essa janela de oportunidade”, disse Dweck na ocasião. “A gente está vivendo uma revolução industrial e se perder essa janela, não vai dar o salto de desenvolvimento que precisa.”
Para Mat Velloso, chefe de Produtos da Docker e conselheiro em tecnologia de várias empresas, porém, o Brasil ainda precisa avançar no mundo se pretende competir em pé de igualdade com as principais potências globais quando o assunto é IA. Ele foi um dos especialistas convidados para a reunião com Lula.
“Não estamos no rumo certo e estamos ficando sem tempo. Um ponto-chave [da reunião] foi a falta de plano para acelerar a capacidade energética”, afirmou Velloso ao NeoFeed.
Ele conta que a China adiciona, por ano, duas vezes a capacidade energética do Brasil inteiro, com energia mais barata. E que sem cuidar desse aspecto, o País não terá a oportunidade de usar IA em escala em projetos sociais.
“O PIB do Brasil é metade do market cap da Nvidia sozinha. Então, essa briga é uma em que o Brasil precisa, sim, unir forças.”
Já o professor do Instituto de Computação da Unicamp, Anderson Rocha, reconhece que a Presidência da República e os ministérios envolvidos já entendem o assunto como prioridade. E até aponta que já vêm sendo firmadas parcerias do governo com startups, por exemplo.
Ele defende, porém, que o Brasil precisa definir áreas de interesse nacional e atrair academia, institutos de pesquisa e a indústria para atuarem na resolução de problemas complexos envolvendo IA, “que não se resolvem com apenas um desses setores”.
Rocha entende que áreas como o agronegócio, o setor financeiro, mineração, de microcrédito, saúde pública e doenças tropicais, monitoramento da Amazônia e dados climáticos deveriam constar como prioritários para os planos do governo em IA.
“Todas são prioridades nacionais e com muita oportunidade não só para a sociedade brasileira e o governo, mas também para a indústria. São áreas em que os brasileiros entendem muito mais que ninguém”, disse ao NeoFeed.
“Temos os dados para isso, e uma vez definidos esses temas prioritários, precisamos fazer com que recursos sejam alocados na direção dessa agenda”, acrescentou ele, que também esteve na reunião no Planalto.
Além dos supercomputadores e de ampliar a capacidade de energia, os especialistas também enfatizaram durante o encontro com Lula que também é preciso reter talentos profissionais, como cientistas, que frequentemente têm deixado o Brasil para trabalhar com IA no exterior.
“Espero que tenham anúncios [do governo] nas próximas semanas. Uma delas é a compra de supercomputadores para treinar nossos modelos de inteligência artificial. Eu torço para que isso aconteça, porque é muito importante para o País”, ressaltou ao NeoFeed o professor associado da Unicamp, Edson Borin, que também esteve no Planalto.
“Eu tenho certeza que o caminho são as parcerias do governo com o setor privado. Tem uma chamada atual do Finep para tecnologias de inteligência artificial, por exemplo. E sem dúvidas, o governo precisa desenhar políticas não só de financiamento, mas regulação de IA. Tem muita coisa que é nova nessa área.”
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Fonte: Neofeed
