Crises globais deixam 258 milhões de crianças sem acesso pleno à educação

CulturaCrises globais deixam 258 milhões de crianças sem acesso pleno à educação

Um relatório divulgado pelo fundo global da ONU para a educação em emergências e crises, Education Cannot Wait, revela que 258 milhões de crianças e adolescentes em idade escolar estão afetados por essas situações. 

Desse total, 93 milhões de jovens estão fora da escola, enquanto os outros, embora matriculados, enfrentam condições que inviabilizam o aprendizado adequado e elevam o risco de evasão escolar. 

Realidade além das salas de aula

 A pesquisa revela uma realidade preocupante que se estende para além do acesso às salas de aula.

Ela expõe a realidade educacional em países com populações em vulnerabilidade que enfrentam conflitos armados, deslocamentos forçados e instabilidade socioeconômica.

© ACNUR/Paridhi Jain
Em apenas 20 países, concentram-se 182 milhões de crianças afetadas

Em apenas 20 países, concentram-se 182 milhões de crianças afetadas e 74 milhões de jovens fora da escola. Esses números representam quase 80% do total global mapeado pelo relatório. 

Dinâmicas de crise em Moçambique 

Desses países, a situação em Moçambique ilustra como diferentes dinâmicas de crise fragmentam o direito ao estudo. 

Pesquisas no único país lusófono citado na análise indicam que, nas províncias assoladas por conflitos armados e violência, menos de 7% das crianças alcançaram os níveis mínimos de proficiência em leitura. 

Em contrapartida, nas regiões moçambicanas sem conflitos, mas frequentemente afetadas por desastres naturais, o desempenho escolar foi consideravelmente superior, superando 50% de proficiência.

ONU News/ Elizabeth Scaffidi
Dados evidenciam que a violência interfere não apenas a qualidade do ensino, mas também na permanência dos estudantes na escola

Os dados evidenciam que a violência interfere não apenas a qualidade do ensino, mas também na permanência dos estudantes na escola. 

Apoio financeiro como apólice de seguro

A diretora da ECW, Maysa Jalbout, afirmou que o apoio financeiro à educação em áreas de crise atua como uma apólice de seguro.

Com a ação integrada entre governos e doadores, os investimentos econômicos são protegidos no longo prazo.

A instituição busca mobilizar U$ 600 milhões em novos recursos para expandir sua atuação e resgatar o futuro de mais 10 milhões de crianças até 2030.

Fonte: veja.abril

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