Cannes começou vestindo o verão europeu – veja como usar na vida real

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O festival de Cannes mal começou, mas a moda já encontrou sua narrativa visual. E Vai por um caminho cinematográfico nos primeiros looks que chegam ao sul da França: o vento leve da Riviera, os flashes refletindo no mar, os tecidos quase dançando sob a luz dourada do fim de tarde. Parece que nesta abertura de festival, o guarda-roupa já fez uma escolha pelo desejo de verão europeu.

A primeira grande imagem veio de Demi Moore, em um Jacquemus que resume perfeitamente o espírito da temporada. O vestido branco com poás multicoloridos mistura humor, arquitetura e feminilidade sem cair no exagero. A cintura marcada, o quadril estruturado e a barra sereia criam uma silhueta escultural, enquanto as cores espalhadas pela peça quebram qualquer rigidez couture.

Para o estilista Charles Hermann, o look acerta justamente nesse equilíbrio entre o lúdico e a sofisticação. “Existe uma construção muito refinada, mas sem perder a leveza visual. É glamour moderno, extremamente fotogênico e com a energia perfeita para Cannes”, analisa.

Na vida real, a ideia pode aparecer de forma mais simples — em vestidos de poá com modelagem marcada, saias estruturadas usadas com camisetas básicas ou até acessórios coloridos sobre bases neutras. O truque está em deixar uma peça divertida comandar o visual inteiro.

Demi Moore veste Jacquemus
Demi Moore veste Jacquemus (Amy Sussman/Getty Images)
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Outro look que chamou atenção apostou no caminho oposto: a sofisticação silenciosa. Em uma proposta arquitetônica azul-marinho, de linhas limpas e presença minimalista, a força do modelo Hermès, de Chloe Zhao, estava justamente na ausência de excessos. Hermann observa que, apesar da elegância conceitual, o tom profundo acaba absorvendo a luminosidade típica da Riviera francesa. “É um visual extremamente refinado, mas mais introspectivo. Cannes costuma pedir luz”, comenta.

Ainda assim, o styling aponta para uma tendência muito forte da temporada: sim, o quiet luxury continua vivo, só que agora mais escultural e menos óbvio. Para incorporar no cotidiano, vale investir em vestidos monocromáticos, alfaiataria de corte preciso e tecidos encorpados em tons sóbrios — especialmente usados com poucos acessórios e maquiagem natural.

Chloe Zhao veste Hermès
Chloe Zhao veste Hermès (Daniele Venturelli/WireImage/Getty Images)
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Quem também traduziu perfeitamente essa elegância intelectual foi Ruth Negga, de Cèline. A seda marfim acetinada refletia a luz de Cannes quase como um filtro dourado natural. A modelagem, entre alfaiataria desconstruída e fluidez, criava um visual sofisticado sem esforço aparente.

Para o estilista, ali está o verdadeiro significado do luxo silencioso contemporâneo. “O look transmite refinamento artístico, presença e inteligência estética sem precisar recorrer ao excesso”, explica.

É uma estética que conversa diretamente com o dia a dia atual: menos informação, mais textura e caimento. Camisas acetinadas, calças fluidas e tons amanteigados ou marfim funcionam como versões possíveis desse visual fora do red carpet.

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Ruth Negga veste Cèline
Ruth Negga veste Cèline (Daniele Venturelli/WireImage/Getty Images)

No jantar do júri, foi Skye Hankey quem trouxe drama e emoção para Cannes. O vermelho intenso do modelo Chanel, combinado à parte superior texturizada e à saia estampada fluida, criou um visual quase pictórico, daqueles que parecem se mover junto com o corpo. Charles define o look como “emocional e editorial”, justamente pela capacidade de unir arte, moda e sofisticação contemporânea em uma única imagem.

Talvez seja essa a principal direção que Cannes começa a indicar para o verão europeu de 2026: roupas que contam histórias. Seja através de volumes arquitetônicos, minimalismo elegante ou cores explosivas, a moda parece menos preocupada em impressionar e mais interessada em provocar sensação. Afinal, antes mesmo da première, Cannes sempre começa pelo figurino.

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Skye Hankey veste Chanel
Skye Hankey veste Chanel (Arnold Jerocki/GC Images/Getty Images)

 

Fonte: veja.abril

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