Ler o resumo da matéria
Com uma dívida considerada insustentável e geração de caixa praticamente nula, cresce no mercado a avaliação de que a Braskem pode não ter alternativa além de uma recuperação judicial. No balanço de 2025, a companhia reportou prejuízo de R$ 10,9 bilhões e fluxo de caixa operacional negativo, refletindo a pressão de um endividamento de R$ 51,8 bilhões — majoritariamente em moeda estrangeira.
A própria auditora KPMG destacou dúvida relevante sobre a continuidade operacional, enquanto analistas apontam que a alavancagem e a baixa competitividade, em meio ao ciclo global adverso da petroquímica, tornam a estrutura atual inviável. O cenário foi agravado pelo caso de Maceió, que já consumiu mais de R$ 7 bilhões e segue gerando incertezas.
No mercado, a percepção é de que qualquer solução passa por uma reestruturação profunda da dívida, com haircut relevante, conversão em capital e entrada de novos recursos. Investidores avaliam que a recuperação judicial poderia ser o caminho para viabilizar esse processo. Enquanto isso, permanece a expectativa de algum tipo de suporte, dado o caráter estratégico da companhia — ainda que o papel da Petrobras siga indefinido.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Com uma dívida considerada impagável nas condições atuais e geração de caixa próxima de zero, cresce no mercado a expectativa de que não há outro caminho para a Braskem além de um pedido de recuperação judicial.
No balanço de 2025, divulgado na semana passada, a companhia registrou prejuízo líquido de R$ 10,9 bilhões, mantendo uma sequência de resultados negativos. Parte relevante dessa pressão vem do endividamento elevado, que soma R$ 51,8 bilhões — dos quais R$ 47,6 bilhões estão em moedas estrangeiras.
O risco de liquidez da companhia foi destacado pela própria KPMG, auditora independente do balanço, ao apontar “dúvida significativa quanto à capacidade de continuidade operacional da companhia”.
Se o alto endividamento corrói o lucro líquido, a geração de caixa também segue pressionada. O fluxo de caixa operacional foi negativo em R$ 575 milhões no ano, impactado pelo alto custo de produção, em um cenário de elevada ociosidade das plantas.
“A empresa está quebrada, sem uma solução para a dívida. Resta apenas pedir uma recuperação judicial”, disse um gestor de ações ao NeoFeed que acompanhou de perto a disputa pelos ativos da petroquímica brasileira.
O buraco no qual a Braskem se encontra foi aprofundado pela queda de preços no mercado petroquímico global, marcada por excesso de capacidade, sobretudo na China e nos Estados Unidos.
Outra parte relevante dessa deterioração está ligada ao desastre de Maceió, que, além do custo social e financeiro, que já supera R$ 7 bilhões para o caixa da companhia, ampliou as incertezas sobre seu futuro e segue pressionando o balanço. Mesmo sete anos após a interrupção da extração de sal-gema em Maceió, o caso continua gerando desdobramentos.
Um novo processo sancionador da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) investiga como a companhia divulgou ao mercado as informações relacionadas ao passivo ambiental na região. Entre os 33 acusados estão Marcelo Odebrecht e Fernando Musa, ex-executivos da companhia.
Uma das propostas que chegaram a ser discutidas no mercado envolve a gestora IG4 Capital, que buscou negociar com bancos credores a aquisição de uma fatia relevante da dívida da companhia, com posterior conversão em ações e assunção do controle.
No início do mês, a aprovação da proposta da IG4 pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no início de março chegou a fazer os papéis BRKM5 subirem 30%. Mas todo o ganho foi perdido após o resultado do último balanço, considerado desastroso pelo mercado. Em um único dia, as ações chegaram a cair 10,8%.
Em meio à complexidade da estrutura de capital e à dificuldade de alinhamento entre credores, o Bank of America tem mantido recomendação de venda para a ação da Braskem e incertezas quanto à operação com a IG4.
“Esperamos que a queima de caixa persista nos próximos anos, em meio ao prolongado ciclo de baixa dos spreads petroquímicos. Nesse contexto, acreditamos que a Braskem e a IG4 Capital precisarão buscar novas soluções para lidar com a alavancagem da empresa e, mais importante, com um potencial problema de liquidez que deve emergir”, disse o BofA.
“A IG4 está no caminho certo. Mas não vejo uma solução que não passe por um haircut relevante É preciso reduzir cerca de 90% dessa dívida e entrar muito dinheiro novo”, disse um gestor de special situations. “As ações e os bonds da companhia ainda parecem caros, considerando os fundamentos.”
Segundo ele, o único fator que sustenta esse prêmio é a expectativa de que a empresa seja resgatada, dada sua importância estratégica para o país. “É a lógica do too big to fail”, disse. Mas antes, é possível que a empresa piore antes de melhorar.
“Se eu fosse um player gigante, quisesse botar bastante dinheiro nessa companhia, eu ia querer que fosse em RJ, dinheiro se a dívida reduzir, converter e alongar.”
Nesse tabuleiro, ainda tem a Petrobras, segunda maior acionista da companhia, detém cerca de 36% do capital total e 47% das ações com direito a voto. Como a companhia conduzirá a crise em sua investida ainda é incerto.
No mercado, a percepção é de que, apesar da relevância estratégica da Braskem e de seu alto investimento, a Petrobras tem adotado uma postura mais distante na condução da crise, sem qualquer sinalização de novos aportes.
Na call de resultados, Roberto Ramos, CEO da Braskem, se limitou a dizer que a estatal “tem total conhecimento da situação da Braskem e enorme interesse no investimento que ela tem na companhia”.
Enquanto buscam uma solução estrutural, a prioridade dos executivos é manter a empresa funcionando.
“Seguiremos com a implementação do plano de resiliência, com foco na preservação da liquidez financeira da companhia, por meio do controle rigoroso de custos”, disse Rosana Avólio, diretora de Relações com Investidores.
Procurada pela reportagem, a IG4 não se pronunciou.
Fonte: Neofeed
