Guerra no Irã agora ameaça cadeia de suprimentos e ‘boom’ de investimentos em IA

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A guerra no Irã está ameaçando paralisar o investimento em inteligência artificial (IA), que soma US$ 1,5 trilhão, devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz, que interrompe o transporte de energia e produtos químicos essenciais para a fabricação de chips. Taiwan e Coreia do Sul, centros de produção de semicondutores, alertam sobre o impacto na cadeia de suprimentos, que envolve 70 países e depende de insumos do Oriente Médio. A escassez de hélio e enxofre, essenciais para a indústria, é uma preocupação crescente.
O anúncio do presidente Trump, de que mantém negociações ‘produtivas’ com Irã, não foi confirmado pelo regime iraniano. Se o bloqueio persistir, os preços dos chips subirão, afetando a viabilidade dos data centers nos EUA. A interrupção das cadeias de suprimentos pode levar a uma desvalorização das empresas de alta tecnologia.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

A guerra no Irã está ameaçando causar um efeito inimaginável nos últimos três anos: paralisar o boom de investimentos em inteligência artificial (IA), que só das big techs americanas chega a US$ 1,5 trilhão. O motivo é o bloqueio do Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico, que está interrompendo muito mais que o transporte de cerca de 20% do petróleo e do gás natural consumidos no mundo.
Com a guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã entrando na quarta semana, Taiwan e Coreia do Sul – centro da produção global de semicondutores -, soaram o alerta, advertindo sobre o impacto em todo o processo de produção que envolve esses produtos de alta tecnologia.
Isso porque a cadeia de suprimentos de chips passa por 70 países e depende da importação de energia e produtos químicos do Oriente Médio, que utilizam o Estreito de Ormuz como ponto inicial do escoamento de peças, matérias-primas e produtos ligados à cadeia.
O processo de produção de chips leva até 100 dias e envolve mais de 1.000 etapas de fabricação distintas. O projeto dos chips ocorre nos EUA ou no Reino Unido. As pastilhas de silício são produzidas no Japão ou na Alemanha.
A fabricação propriamente dita dos chips mais avançados que alimentam as cargas de trabalho de IA é feita quase inteiramente em Taiwan (92%) e na Coreia do Sul (8%). A montagem e os testes acontecem na Malásia, no Vietnã e nas Filipinas. O chip finalizado é enviado para um centro de dados nos EUA.
Existem mais de 50 pontos ao longo dessa cadeia em que um único país controla mais de 65% da participação no mercado global. Cada um deles ficou mais caro e mais incerto.
A indústria sul-coreana continua no centro da cadeia global de semicondutores. Samsung Electronics e SK Hynix seguem como forças dominantes na produção de chips de memória. Esses componentes são fundamentais para o funcionamento de sistemas de inteligência artificial, data centers em nuvem, smartphones e veículos.
No outro pilar da cadeia, a TSMC, de Taiwan, mantém sua posição estratégica: a empresa é responsável por cerca de 90% dos semicondutores avançados fabricados no mundo e produz praticamente todos os chips de IA de última geração desenvolvidos pela Nvidia, hoje a companhia mais valiosa do planeta.
Tanto Coreia do Sul quanto Taiwan dependem fortemente de energia proveniente de combustíveis fósseis importados, grande parte deles transportados pelo Estreito de Ormuz. No caso taiwanês, mais de um terço do gás natural liquefeito (GNL) consumido no país vem do Oriente Médio.
A região também é crucial no fornecimento de insumos químicos para a indústria de chips asiática. Cerca de um terço do hélio mundial, essencial para o resfriamento de wafers de silício e obtido como subproduto do processamento de gás natural, é produzido no Catar — de onde Coreia do Sul e Taiwan importam a maior parte de seu suprimento, especialmente o hélio de alta pureza, difícil de substituir.
Outro ponto sensível é o enxofre, usado em processos de limpeza e corrosão de semicondutores. Metade do enxofre transportado por via marítima globalmente também passa pelo estreito estratégico. Mesmo antes das tensões recentes, o mercado já enfrentava escassez devido à demanda crescente das indústrias de tecnologia e de veículos elétricos.
Por enquanto, os estoques de energia e commodities fornecerão uma proteção em toda a cadeia de suprimentos. Os fabricantes de chips sul-coreanos, segundo relatos, têm suprimentos de hélio para cerca de seis meses. Taiwan garantiu mais da metade de suas necessidades de GNL para maio.
Blefe de Trump?
O anúncio do presidente americano Donald Trump na manhã de segunda-feira, 23 de março, de que as forças armadas dos EUA adiariam os ataques a usinas e infraestrutura energética do Irã por cinco dias, após relatar conversas “produtivas” com o regime iraniano, fez os índices de ações dos EUA subirem e os contratos futuros do petróleo Brent caírem abaixo de US$ 100 por barril.
Mas o desmentido, ao longo do dia, do Ministério das Relações Exteriores do Irã, de que o país persa estivesse em negociações com os EUA – embora tenha admitido que países da região estavam tentando iniciar um diálogo diplomático –, redobrou as preocupações sobre o impacto do conflito na economia global.
Para analistas, se o fechamento do Estreito de Ormuz persistir por mais semanas, os preços dos chips subirão acentuadamente, à medida que os fabricantes racionarem e competirem por uma oferta cada vez mais restrita.
Nos Estados Unidos, o aumento dos custos de energia tornaria os data centers atuais e futuros menos viáveis. Empresas americanas planejam investir US$ 650 bilhões em infraestrutura de IA este ano, sendo que 75% da energia para uso local seria proveniente de gás natural.
Ocorre que muitos exportadores americanos de GNL estão correndo para vender seus suprimentos para a Europa e a Ásia, onde, devido à escassez, podem cobrar preços mais altos. Isso aumentará os preços da energia nos EUA – a eletricidade representa aproximadamente metade das despesas operacionais de um data center.
O que está em jogo, a rigor, são as avaliações de empresas de alta tecnologia. Caso sofram uma desvalorização, as dívidas contraídas com garantia em ativos de IA estarão em risco.
O investimento de US$ 1,5 trilhão em infraestrutura de IA, comprometido por grandes empresas de tecnologia – Meta, Apple, Amazon, Google e Microsoft -, baseia-se na premissa de uma cadeia de suprimentos global funcional, que o conflito com o Irã interrompeu de forma abrupta.
Empresas de logística calculam para meados de abril o prazo para concluir as hostilidades e começar a retomar o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz. Caso contrário, advertem, o mundo verá sua primeira interrupção nas cadeias de suprimentos pós-Covid-19.

Fonte: Neofeed

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