Inglês atípico e a jornada diferente que tem levado alunos neurodivergentes à fluência

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Com método baseado nas múltiplas inteligências e na personalização do ensino, é possível unir inglês, neurodivergência e fluência, respeitando ritmo, afinidade e individualidade.

Quando o modelo tradicional não inclui, é preciso criar um novo caminho. Foi a partir da própria experiência como mãe de um filho autista que a neuro teacher Márcia O. Sbampato decidiu transformar a dor em propósito e estruturar uma escola de inglês voltada para adolescentes e adultos com ritmos diferentes de aprendizagem, incluindo alunos com TEA e TDAH.

Com mais de dez anos de experiência como professora de inglês, ela percebeu que o ensino convencional seguia um padrão rígido que não contemplava todos os perfis. A pergunta que mudou sua trajetória foi direta, desde quando existe um único padrão para aprender?

“Minha escola nasceu porque eu precisava pagar as terapias do meu filho e porque eu vi que o ensino tradicional não o incluiria. Eles tinham um padrão. Mas desde quando esse padrão é o normal? Cada pessoa aprende de uma maneira diferente, existe múltiplas linguagens e múltiplas inteligências. Ser diferente não é um problema, é um presente”, afirma Márcia O. Sbampato.

A partir dessa inquietação, ela desenvolveu o método VARK, baseado nas múltiplas inteligências e nas afinidades do aluno. A proposta é trabalhar o inglês a partir da forma como cada estudante aprende melhor, seja de maneira visual, auditiva, leitura e escrita ou cinestésica, sempre com personalização, material físico e recursos adaptados.

“A base da minha escola é romper a bolha. Meu filho não se encaixava em nenhum padrão porque ele é autista. Então eu decidi criar um ambiente onde o ritmo diferente não fosse visto como limitação, mas como estratégia de aprendizagem”, explica.

Segundo ela, a principal diferença entre o ensino para um aluno considerado típico e um aluno neurodivergente está na abordagem e no ritmo. Não se trata de reduzir conteúdo, mas de reorganizar a forma de apresentar o idioma.

A neuro teacher Márcia O. Sbampato

“Nós trabalhamos com o ritmo do aluno e com a personalização. Transformamos aquilo que muitas vezes é visto como problema em oportunidade de aprendizagem. O que seria considerado uma dificuldade se torna uma super habilidade quando direcionada corretamente. É possível, sim, alunos neurodivergentes e fluência caminharem juntos”, reforça.

A escola também utiliza materiais físicos e estratégias específicas para alunos com TEA e TDAH, sempre respeitando limites e potencialidades individuais. A meta é clara, levar o aluno do zero ao pré intermediário com segurança, autonomia e confiança.

“Eu costumo dizer que somos uma terra fértil para alunos improváveis. Quando o aluno percebe que pode aprender no próprio ritmo, ele floresce. E quando ele floresce, a fluência deixa de ser um sonho distante e passa a ser um processo possível”, conclui.

Mais do que ensinar inglês, a proposta é ampliar perspectivas, fortalecer autoestima e provar que aprender um novo idioma não é privilégio de quem se encaixa em um padrão, mas direito de todos.

Márcia O. Sbampato é neuro teacher, certificada por Cambridge e pós graduada em Neuropsicopedagogia. Especializada em transformar vidas por meio do inglês com foco nas múltiplas inteligências, atua com adolescentes e adultos com TEA, TDAH e ritmos diferenciados de aprendizagem. Mãe atípica, desenvolveu o método VARK com foco em levar alunos do zero ao pré intermediário, defendendo que todos podem se comunicar em inglês, independentemente de patologia ou dificuldade de aprendizagem.

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