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O Super Bowl 2026 entregou o que sempre promete: celebridades e momentos instantaneamente históricos. Só que, desta vez, a conversa foi além do placar e das coreografias. Foram os looks — calculados, simbólicos e altamente compartilháveis — que transformaram o halftime show e os bastidores em um verdadeiro espetáculo fashion.
Bad Bunny, primeira atração principal a se apresentar inteiramente em espanhol, fez história também no figurino. Em vez do óbvio maximalismo, apostou em um visual surpreendentemente enxuto, desenhado pela Zara. Sim, pela Zara. Camisa com colarinho e gravata, jersey esportiva com o sobrenome Ocasio e o número 64, chinos e tênis — tudo em tom creme, neutro o suficiente para não favorecer nenhum time e sofisticado o bastante para dialogar com o tamanho do palco. O número virou assunto à parte: fãs especulam homenagem à mãe, Lysaurie Ocasio, nascida em 1964, ou ao tio falecido que jogava futebol com a camisa 64. Para completar, blazer duplo no mesmo tom, luvas coordenadas, Royal Oak da Audemars Piguet com mostrador de malaquita e seu próprio tênis BadBo 1.0, da Adidas, lançado no mesmo dia.
Mas por que a Zara? Estratégia bem simbólica, aliás: uma marca espanhola vestindo o primeiro headliner em espanhol do Super Bowl, em um momento de discurso forte sobre identidade, pertencimento e unidade. Resultado: um look “fácil”, como ele prometeu, mas carregado de mensagem. Moda acessível no maior palco do entretenimento americano, com styling de Storm Pablo e Marvin Douglas Linares, e figurinos também para bailarinos, banda e orquestra. Um movimento que reposiciona o high-low em escala global.
Se Bad Bunny dominou pela sobriedade cool, por outro lado, Lady Gaga roubou a cena pelo impacto delicado. Ao surgir para cantar sozinha “Die With a Smile”, ela apareceu em um vestido azul bebê da LUAR, marca do estilista dominicano-americano Raul Lopez, que imediatamente virou trending topic. A cor — suave, quase etérea — funcionou como contraponto perfeito à grandiosidade do estádio e ao peso emocional da performance, além de também fazer uma homenagem à icônica cantora de salsa, Celia Cruz e carregar um corsage da Flor de Maga, a flor nacional porto-riquenha vermelha que combinava com seus sapatos e batom. Em um mar de LEDs, pirotecnia e coreografias, a estrela apostou na força da imagem limpa, da silhueta marcante e da paleta inesperada. Resultado: memes, análises de cor, referências a ícones do passado – incluindo Grace Kelly, em “Ladrão de Casaca” (1955) – e uma avalanche de buscas por “baby blue dress”.
Dá pra usar…
E o melhor: embora tenham virado protagonistas do intervalo mais caro da TV americana, esses looks são perfeitamente traduzíveis para o dia a dia. O creme monocromático de Bad Bunny vira aposta certeira para viagens, reuniões criativas, eventos esportivos e até happy hour — basta trocar o jersey por uma camiseta lisa ou polo para um visual mais urbano, ou manter a gravata e o blazer para um hi-lo elegante. Já o azul bebê de Lady Gaga surge como uma cor-chave para casamentos diurnos, formaturas e até produções noturnas com styling mais minimalista.
Vale lembrar que ainda teve Ricky Martin, Cardi B e uma constelação de convidados que reforçaram o caráter histórico do show, enquanto o camarote entregou o tradicional desfile de celebridades — de Jessica Alba a Jay-Z e Blue Ivy, de Pedro Pascal a Jon Bon Jovi. Mesmo sem Taylor Swift nas arquibancadas, o Super Bowl seguiu sendo uma passarela informal de influência, em que cada aparição e look viram pauta misturando acessível com luxo, narrativa com estética, política com pop, redes sociais com história. Bad Bunny provou que um look “simples” pode ser revolucionário. Lady Gaga mostrou que uma cor pode dominar o feed global. E, assim, transformar a moda como também protagonista do Super Bowl, o que ainda deve render conversa por muito tempo.





Fonte: veja.abril
