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Bem que VEJA avisou: o animal print é uma das grandes tendências de 2026 — e Demi Moore tratou de confirmar isso com autoridade na abertura da Semana de Alta-Costura de Paris, nesta segunda-feira 26. Como quem sabe exatamente o peso do gesto, a atriz adentrou a primeira fila do desfile da Schiaparelli com um look feroz, sofisticado e absolutamente alinhado ao espírito da maison, com impacto suficiente para deixar claro que moda também é narrativa
A base era quase austera: blusa de gola alta e calça cropped de alfaiataria, ambas em preto profundo, absolutamente calculadas para que a peça-chave entrasse em cena: o casaco estruturado, de ombros marcados e comprimento alongado, com bordados prateados que desenhavam um animal print abstrato. O brilho surgia em camadas, criando textura e movimento, como se a estampa respirasse. Ali estava a prova de que o animal print de 2026 abandona o óbvio e flerta com o luxo intelectual. O equilíbrio entre rigor e exuberância fez do visual algo poderoso sem ser ruidoso. Sim, Demi vestiu a tendência, mas a interpretou com a maturidade de quem entende que impacto também mora na contenção.
Nos pés, o scarpin preto da Schiaparelli trouxe o surrealismo da casa em detalhes: recorte frontal em forma de fechadura, contornado por metal, linhas curvas e salto levemente flare – elegante, preciso, quase arquitetônico — daqueles que arrematam o look com inteligência. E os acessórios seguiram o mesmo roteiro: bolsa estruturada com aplicações prateadas formando um rosto surrealista, assinatura inconfundível da marca, e um pequeno fascinator que adicionava um aceno retrô ao conjunto. Surreal!
Naked dress ressignificado
No mesmo desfile, Teyana Taylor mostrou que o naked dress segue firme, mas em nova chave. Seu look preto em renda chantilly apostava na transparência como construção, não apenas como exposição. Top de ombros marcados e saia lápis criavam uma silhueta forte, quase escultórica. O toque dramático veio da cabeça: uma coroa prateada adornada com pérolas e pedrarias, inspirada em uma tiara histórica da imperatriz Eugênia, reinterpretada por Daniel Roseberry com mais volume e presença cênica.
Aqui, o nu era poder. Um naked dress que se afasta da sedução óbvia e se aproxima da ideia de armadura contemporânea — delicada, sim, mas absolutamente soberana. Assim, a abertura da alta-costura deixou um recado claro: 2026 será o ano das mulheres que chegam e se impõem. Entre feras bordadas, joias reinventadas e transparências cheias de significado, a moda voltou a cumprir seu papel mais bonito — o de transformar presença em linguagem.


Fonte: veja.abril
