Como o “follow de product” ajudou na investigação da megaoperação contra o PCC

NotíciasComo o “follow de product” ajudou na investigação da megaoperação contra o...

Brasília – Na manhã da quinta-feira, 28 de agosto, integrantes do alto escalão do governo federal usaram uma expressão para demonstrar como foi possível desbaratar o megaesquema do PCC no setor de combustíveis. Em pelo menos dois momentos, o “follow the money” foi citado como exemplo de estratégia de apuração policial.
O “follow the money” é um termo associado a apurações contra corrupção para rastrear operações financeiras ilícitas. Uma outra expressão tão importante quanto a primeira, entretanto, ficou de fora dos discursos, mas foi a partir dela que a Polícia Federal e a Receita conseguiram avançar na operação coordenada na cadeia dos combustíveis e das fintechs.
Trata-se do “follow the products”, um termo usado em monitoramentos de produtos ao longo das cadeias produtivas e comerciais e, a partir daí, interceptar transações financeiras associadas a itens como o combustível. Com isso, foi possível identificar redes criminosas por trás das operações criminosas.
Dos 14 alvos de prisão divulgados na quinta-feira, pelo menos oito são empresários do setor de combustíveis, transportadoras ou ligados a usinas: Mohamad Mourad, Roberto Augusto Leme, Ítalo Belon, Gerson Lemes, Thiago de Carvalho, Daniel Lopes, Felipe Jacobs e Renato Jacobs.
A busca pela associação de facções criminosas no mercado formal de combustíveis ocorreu pela quantidade de denúncias de empresários regulares e operações policiais e da Receita anteriores contra postos envolvidos em sonegação e lavagem de dinheiro. Pesquisadores do Fórum Brasileiro de Segurança Pública trabalham com a estimativa de R$ 146,8 bilhões anuais de receita do crime.
Os combustíveis correspondem a 61,4% desse total de recursos ilegais. Os crimes no setor provocam perdas fiscais, segundo o Fórum, de até R$ 23 bilhões anuais, com 13 bilhões de litros comercializados ilegalmente em 2022, um volume suficiente para abastecer toda a frota do país ao longo de três semanas. As brechas para o crime no setor são enormes.
O setor de combustíveis não tem um sistema integrado de rastreamento, o que promove contrabando, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e adulteração. Números de 2023 mostram que havia 43 mil postos de gasolina em operação – 47% de bandeira branca, mostrando uma ampla rede que pode ser cooptada por criminosos.
“A participação do crime organizado transforma a sonegação e a fraude fiscal em práticas sistêmicas, tornando a concorrência desleal uma regra e não uma exceção no setor de combustíveis”, afirma Luciano Godoy, professor de direito da FGV-SP, que atuou como juiz federal e é doutor pela Universidade de São Paulo (USP).
“Ao queimar, o combustível não deixa rastros, o que facilita a ocultação de crimes, que minam a confiança no ambiente de negócios, prejudicam empresas sérias e comprometem o interesse público ao alimentar um ciclo vicioso de ilegalidade, corrupção e perda de arrecadação”, diz Godoy.
Outro ponto importante lembrado pelo ex-juiz federal é que, apesar de ser um setor formal, consumidores não pedem nota fiscal ao abastecer, deixando livre para os empresários criminosos a chance de falsificar dados, aumentando o valor da compra para incluir no mercado formal recursos de origem criminosa.
Com a ação integrada entre a PF, a Receita, o Ministério Público e as polícias estaduais, foi possível chegar a empresários do setor de combustíveis envolvidos com o PCC. Como mostrou o NeoFeed, no centro do esquema estava a importação irregular de nafta petroquímica, metanol e diesel, mas que eram desviados para a formulação clandestina de combustíveis, gerando fraudes fiscais de R$ 7,6 bilhões.
Um terminal portuário, transportadoras e postos operavam como braços logísticos e comerciais. Estabelecimentos recebiam combustíveis já adulterados ou simulavam vendas com notas frias. Parte dos recursos era inserida no sistema financeiro por meio de maquininhas de cartão e contas e fintechs.

Fonte: Neofeed

Novidades

Locais do Brasil, Guiné-Bissau e Portugal na Rede Mundial de Cidades de Aprendizagem da Unesco

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, Unesco, integrou 72 novas cidades, de 46 países, na Rede Mundial...

Embaixadores do Rio realizam almoço de fim de ano

A Associação dos Embaixadores do Turismo do Rio de Janeiro reuniu um grupo de associados na Casa da Glória para seu primeiro almoço de...

Neylton Almeida defende inclusão digital como caminho para transformar os 27 Territórios de Identidade da Bahia

Conhecedor das diferentes realidades do estado, idealizador do Condado Digital da Bahia propõe conectar vocações regionais, tecnologia e desenvolvimento econômico para impulsionar uma nova...

Casa do futuro: como iremos morar em 2050?

Pensar em como será a casa daqui a 30 anos não é uma tarefa fácil. Agências especializadas no estudo de tendências se baseiam em...

Adibis Concept: Onde a beleza encontra poder

Com foco em excelência, curadoria de serviços e posicionamento de marca, o Adibis Concept transforma o salão de beleza em um espaço de influência,...